domingo, 22 de dezembro de 2013

Imprensa

A diplomacia alemã está ao ataque. No Süddeutsche Zeitung de ontem descreve-se o esforço do governo alemão para impor medidas pan-europeias de "aumento da competitividade". Face à recusa de alguns estados membros, Merkel mostra-se irritada e desiludida.

Nesta peça de novilíngua, comum nos jornais alemães - e estranhamente nos portugueses - medidas de deterioração de leis laborais, baixa de salários e tentativas de consolidação orçamental recessivas são denominadas de medidas para aumentar a competitividade. Que essas mesmas medidas trazem uma queda da procura interna à escala do continente e com isso um ciclo de pobreza e desemprego não é em geral explicado no texto.

Por inteligente que o leitor seja, de tanto ler a mesma coisa acaba por acreditar. E é sem sucesso que alerto insistentemente os leitores à minha volta.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ciência na europa

está como tudo na europa enviesada para o lado do poder instituido. O novo programa quadro Horizon2020 prevê largas centenas de milhões para ciência, mas só para propostas que prevejam gastos superiores a 5 milhões. Esta regra impede que grupos pequenos possam concorrer de forma independente a financiamento europeu. Terão de estar integrados num consórcio extenso, i.e. terão de ter amigos na europa ou fazer muito networking até lá chegarem. Como já se tornou regra a UE posicionou-se bem do lado dos grandes.

sábado, 16 de novembro de 2013

PRT

É bem-vinda a ideia de um novo partido de esquerda. Nem o BE nem a CDU têm o exclusivo da verdade desportiva e a pureza ideológica que lhes trouxeram tantos anos de oposição é por vezes irritante. O partido do rui tavares tem essa virtude: é um partido que se define por querer compromissos. Vem de encontro às queixas de tantas e tantos que se envolveram nos movimentos de esquerda nos últimos anos sem saber qual poderia vir a ser a saída do lugar contra o qual protestaram. Pode ser que aproveitem agora esta oportunidade.

Nos próximos dias vamos também ficar a conhecer a fórmula mágica proposta pelo PRT para iniciar um novo ciclo de investimentos públicos e convergêncial social e económica sem sair do euro. Esperemos que também preparem um plano B.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Céline et Julie vont en bateau

Fica a menção para a primeira hora mais desprezível e última hora mais maravilhosa do cinema. A hora do meio também valeu a pena.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Por ordem de importância

Aqui renovo o meu desejo patriótico e de esquerda: que a selecção não se apure para o mundial; que este povo se levante e desligue a televisão; que o governo caia.

Mais uma martelada na economia. Uma aposta como daqui a um mês a dívida cresceu, o desemprego subiu e a economia regrediu?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O grau zero da ciência economica: saber quanto se vai cortar amtes de saber onde... Política orçamental tem um fim - bem estar às pessoas, menos desigualdade, crescimento etc - mas não é um fim em si mesmo. Impostos, salários, cortes são apenas ferramentas para atingir um bem maior, bem esse que compete à política definir. A maioria parlamentar decidiu que o fim em si é o orçamento e com isso o país sucumbe a esta cegueira sem fim, a esta pantomina sem nome...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Em modo férias

A segunda-feira em resumo na minha parte da Europa. Algumas novidades mas nada de bom na Alemanha Esperança em Espanha A esquerda finalmente a crescer em pt! Tudo boas razões para me mudar temporariamente para aquela região geográfica junto ao Atlântico cheio de optimismo!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

%&!! para as gerações futuras

Se há uma coisa que me irrita é ouvir a direita a invocar as gerações futuras. As gerações futuras, ao contrário das presentes, não existem. É muito questionável que se deva equilibrar a dívida pública, gerar confiança nos mercados etc etc na esperança de dar um melhor futuro às pessoas daqui a 50 anos, quando é possível tirar as pessoas da miséria e do desemprego JÁ. "weighting generations equally leads to paradoxical and even nonsensical results"

quinta-feira, 6 de junho de 2013

2013 odisseia no chaço

O Produto Interno Bruto (PIB) registou uma diminuição homóloga de 4,0% em volume no 1º trimestre de 2013 (...) No 1º trimestre de 2013, assistiu-se a uma diminuição mais expressiva do Investimento em volume, que passou de -2,1% em termos homólogos no 4º trimestre de 2012 para -16,8%. Leiam meus filhos leiam.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A UE continua a oferecer óptimas razões para a direita nacionalista puxar dos galões, ao mesmo tempo que lhe permite apropriar-se dos temas mais queridos à esquerda. Desta vez em França, exigindo não apenas reformas estruturais para reduzir o défice, mas explicando quais são as reformas estruturais aceitáveis para a comissão: aumento da idade de reforma, alterações ao código do trabalho etc etc. Para além da inaceitável ingerência, são posições ideologicamente inviesadas, tal como nos tem habituado nos últimos anos. Não admira que ande meio mundo a partilhar vídeos do UKIP. A UE está a revelar-se o pior pesadelo para a democracia: tornou-se (sempre foi?) um cavalo de tróia do capitalismo que encontra do lado dos governos nacionais (que invariavelmente pertencem ao arco da governabilidade) a absoluta mansidão e seguidismo. De uma vez por todas: nem a Comissão nem o Eurogrupo têm qualquer tipo de legitimidade para exigir seja o que fôr a um governo eleito. Há uma réstia de soberania que ainda mora em S. Bento. Tirem-nos isso e vão ver o que acontece.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fica aqui registado o meu 25 de Abril de 2013. Por estas bandas há apenas um único feriado de carácter revolucionário: o dia da reforma. Todos os outros feriados sao religiosos (no sentido de místicos, como pentecostes e a sexta feira santa) ou de cariz institucional (como o dia da reunificacao). Diz muito de um regime o facto da reunificacao da alemanha se celebrar no dia em que se assinou o tratado de anexacao dos chamados novos länder e nao na noite em que caiu o muro e o povo saiu à rua para comprar bananas. Compare-se com o 25 de Abril, que para além de ter sido a grande revolucao que levou escola e saúde e seguranca social a muitos milhoes, foi também uma revolucao que nao ficou a dever nada a ninguém. Cumpriu-se naquilo em que se devia cumprir, e aí se tem a verdadeira dimensao da efeméride. O povo nao saiu à rua para ir às compras ao ocidente, ou sequer para reclamar liberdade económica. O povo saiu à rua para reclamar a verdadeira liberdade, aquela que distingue uma vida boa de uma vida má. O mercado livre que vá para o diabo! Uma revolucao a sério é o 25 de Abril.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

a troika chegou ao futebol. objectivamente, e zeus sabe como eu odeio a equipa de munique, os espanhois levaram um banho de bola que lhes vai ficar na memória por uns anos. Até me pergunto se não haverá consequencias políticas a tirar dos jogos desta semana.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Uma tragédia para a ciência em geral e para mim em particular.... http://en.wikipedia.org/wiki/Envisat#Loss_of_contact

quinta-feira, 18 de abril de 2013

dizia eu que já não há remédio para o mercado de licencas de emissão de co2. Mesmo que a resolucao de ontem tivesse passado, já nada daria credibilidade a licencas de emissão transaccionadas ao preco do quilo de batata. Isto para nao ir aos efeitos da recessão na europa e da contracão da indústria. Um flop do início ao fim que logo por princípio nem devia ter comecado: não se entrega aos mercados um problema tão grave como o da regulacão das emissões de carbono para a atmosfera. Eram outros os tempos pré-Lehman Brothers.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

apetece-me partir a televisão...

...quando assisto a um debate em que se discute o investimento de 4 mil milhões de euros em novos infantários na alemanha. Por estes dias anda o governo português a planear CORTAR 4 mil milhões de euros à educacão, saúde e seguranca social, sectores mais conhecidos por "gorduras". Prioridades...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país 1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país. 2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático. 3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal? 4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro. Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior." Lisboa, 9 de Abril de 2013 António Sampaio da Nóvoa Reitor, Universidade de Lisboa

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma boa notícia. Este dia deixa-me feliz, mas com um certo sabor amargo... Não teria sido muito melhor se tivesse marchado com um tiro há 30 anos, ou assim como o Mussolini, de cabeça para baixo em Piccadily Circus? Isso sim, era para comemorar! http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3153352

sexta-feira, 15 de março de 2013

boas notícias

portugal está no bom caminho

quinta-feira, 14 de março de 2013

acabo de instalar o formoso ubuntu no meu lenovo s300. poderosa combinação de 1,8 kg + 0 EUR de sistema operativo. num qualquer mundo ideal sem crise da dívida, fome e guerra, o sistema operativo dominante seria um linux. lá chegaremos.

terça-feira, 12 de março de 2013

austeridade

o meu sindicato conseguiu um aumento de 2,5% este ano, mais 3% para o ano. Acresce aumento de 26 para 30 dias de férias anuais. Quanto a austeridade estamos conversados. Kicking away the ladder?

para o citador

"Wagner, who invented his own poetic drama, regarded his music as subordinate to it, though his flatulent pseudo-medieval verse is clearly dead without the music."

segunda-feira, 11 de março de 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Mais uma vez uma diarreia de ameacas a seguir a eleicoes. O ambiente na imprensa alema é de bota abaixo. O respeito pela vontade popular nunca andou tao por baixo. Democracia parlamentar, e tal, mas só quando convém. O povo italiano mostrou a sua voz, ao votar maioritariamente no único candidato de protesto e contra o consenso de berlim-bruxelas e outros países se seguirao. O povo italiano está farto da máscara da respeitabilidade em que os políticos do sistema se escondem, evitando assim o combate de ideias. Contra este estado de coisas e por nao haver alternativa credível à esquerda, o povo votou na única alternativa ao status quo: berlusconi e beppe grillo. Onde estavam os euro comunistas modernos e reformadores? Parece que passaram à história.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

idoneidade

O conceito de respectability é muito discutido no age of capital do hobsbawm. Era um termo muito utilizado no tempo do liberalismo de manchester, em que teoricamente valiam as leis de mercado, mas onde as oportunidades de mobilidade social eram nulas, devido à tal falta evidente de respectability, que em última análise tinha a consequência do conformismo entre as classes baixa e média baixa. É sabido que o fosso entre classes aumentou durante este seculo: a mistura entre liberalismo económico e conservadorismo de costumes é explosiva. Vale a pena estabelecer o paralelismo com a recente discussão à volta da idoneidade de alguns banqueiros, em particular ricardo salgado e oliveira e costa (cuja idoneidade e respeitabilidade vinha dos tempos em que trabalhava no banco de portugal.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

bacalhau

Nao entendo a celeuma dos polifosfatos: se os compradores portugueses querem bacalhau sem polifosfatos, que o comprem sem polifosfatos!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Resumindo, a emigração como forma de escravatura de que fala o Sérgio Lavos tem causas que já foram muito bem identificadas. Tal como "a crise", esta vaga de emigração foi potenciada por medidas concretas e que podem ser revertidas. Foram elas a desregulação da prestação de serviços na europa (com as ETTs a poderem contratar onde quiserem dentro da europa), a precarização do código laboral e um estado social cada vez mais fraco que pouca esperança dá a quem equacione ficar. São razões muito concretas que vão muito mais longe do que "a atitude negativa dos portugueses" ou "a depressão colectiva" de que tanto gostam de falar.

prós e contras

uma lição de sociologia, foi o prós e contras de ontem. "Nós" somos assim, "os portugueses" são assado, a criatividade com que "os portugueses" vão enfrentando a "crise", que por sinal em chinês é a mesma palavra que "oportunidade" (consegue ser-se mais básico do que isto?) -- o designado "projecto Portugal" que ainda está por cumprir (o "projecto Portugal"?!). A alergia da maioria dos participantes à intervenção política: ficaram-se por lugares-comuns de café, enquanto os dois comentadores da esquerda se atreviam a avançar com diagnósticos qne necessariamente implicariam um debate político que desde a moderadora até ao reitor da UL todos se recusaram a continuar. Assim é difícil, porque é precisamente a política que enquadra a nossa acção colectiva, eventualmente até o tão badalado "projecto Portugal" (nem quero ir tão longe...) "Este mundo globalizado" é muito complexo, imagine-se que agora até há emigrantes em França com ordenados portugueses! Mais uma em que mais valia estarem calados: quando se desregulamentou (deixarei de usar a palavra liberalizar, que é uma máscara) o mercado de prestação de serviços na europa era isto que se tinha em vista: trabalhadores de um país mais pobre poderem prestar serviços noutro mais rico com ordenados do primeiro. Esta desregulamentação tinha um único objectivo: dumping social e baixar os custos do trabalho na alemanha. Na altura alguém se queixou? Sim, assim de repente vem-me à cabeça o Pierre Bourdieu, o movimento anti globalização, etc etc São as contradições do mercado livre: "o estado não pode ser um empregador", ao mesmo tempo que a crise está a levar as empresas à falência e o desemprego está a subir. Espiral recessiva que necessariamente não vai ser resolvida sem uma intervenção forte e decidida do estado através de investimento público. Ou então ficamos à espera que o "investimento estrangeiro" nos venha salvar (possivelmente de Marte).

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013