sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Cálculo crítico
Quanto ao fim das coisas, e a Marx, estou a ler finalmente o fim da história e a reparar numa série de pecados cometidos pelo autor. Primeiro, o livro é de um etnocentrismo aterrador. Fica-se com a impressão que o ocidente é todo constituído pelos seus tipos tradicionais (ou aqueles que nos quiseram fazer crer como tradicionais). Depois de se ler das virtudes das democracias liberais, fica-se com a impressão que as sociedades ocidentais são socialmente móveis, e ao mesmo tempo culturalmente estáveis. O autor pega por assim dizer numa sociedade, digamos, os franceses, e trata-os como se tivessem todos baguetes debaixo do braço a tocar concertina. Para o autor, tal como para o modelo que ele defende, não há descontentamento, migrações e exclusão social. Por isso é que história podia acabar.
Nos anos noventa ainda se vivia uma certa cegueira social, que só o terrorismo veio resolver.
De qualquer maneira, o livro tem um bom fundo, que é o de ridicularizar o caminho em direcção ao fim da história que é representado por um certo tipo de comunismo.
Ainda tenho explicar aquilo do Chostakovich. Para já fica a música.
piratas e pescaria
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
o meu pópó
estes atrasados a gozar (atente-se no mongoloide a fazer piadas dentro do seu punto gt -- o automovel e' realmente um factor de alienacao)
e eu nem de proposito a acabar de tirar uma foto de uma rua ao lado da minha casa com precisamente a mesma ideia implementada... ha 20 anos.
sábado, 14 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
o meu comunismo é melhor que o teu
Carlos Vidal: não posso dizer que gostei de ler a sua posição. É fácil
concordar ou identificar-se com heróis de revoluções passadas. Respeito a sua
iconografia pessoal, mas gostava que me explicasse como se posiciona em
relação ao presente. Onde está a “dor”, e quem a vai provocar a quem, que
nos vai levar à “liberdade”? Refere e muito bem o “real” como parte
incontornável do seu comunismo, mas depois concentra-o em si, argumentando
que o “real” se transforma quando bate em si. Encantado quanto às
referências que apresenta, mas esta forma de representar o real parece-me
muito centrada em si e na forma como racionaliza o real. O que a mim me
parece é que o “real” já é “imprevisível”, “imperfeito” e “indecidível”
antes de embater contra si. E quando o vê a partir do monóculo do comunismo
já o está a problematizar de uma certa e determinada maneira. É o problema
de olhar através de um monóculo histórico. A história pode ensinar-nos
muito, mas ensina-nos principalmente o que queremos ler nela.
A imperfeição das relações humanas, a estrutura variável das diferentes sociedades no tempo e no espaço não permite que se assuma uma matriz teórica que as permita arrumar e resolver. Aliás, esse foi o erro de muitos regimes comunistas do passado que, atendendo ao que diz, continuam a poder ocorrer.
A democracia liberal é o /único/ regime onde as imperfeições de que fala podem ser tratadas humanamente, minimizando a dor. Felizmente que chegámos a este ponto, onde esse regime já vigora nos países onde vivemos. É no entanto um regime que exige permanente atenção e constantes iterações, mas isso deve-se precisamente ao carácter imprevisível e indecidível da realidade em si (não do choque do indivíduo contra ela).
Pelo contrário, o seu comunismo vê a realidade a partir de uma matriz determinística, necessariamente causando “dor” para corrigir as diferenças entre aquilo que o senhor acha que a realidade devia ser, e aquilo que ela é.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
compras de hoje
Não podia deixar de partilhar convosco a imagem de um dos queijos que comprei hoje. Trata-se de um Gouda meio-velho, de 12 meses. Tem pepitas de sal cristalizado naturalmente durante o processamento. Os restantes, com os quais não vos masso, foram um Bergkaese velho de 15 meses e um Camembert de cabra em fase quase líquida (e estavam 10 graus lá fora!).
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
jogada de antecipação
uma dobrada fria
Mas o que me aqui traz neste momento de indisposição corporal e cerebral, é a mixórdia requentada que me serviram ao final do dia, sob a forma de um Hamlet. Cortaram texto e inventaram passagens não existentes no original. A fronteira entre o deixado pelo escritor e o que foi introduzido a posteriori não eram evidentes para o público. Porque é que me apresentam um Hamlet e não um Joaquim, príncipe da dinamarca? Porque é que o autor era Shakespeare e não o iluminado do encenador? Regra geral, quando reparamos mais vezes na encenação do que nas palavras ditas, já houve asneira.
e andavam tão sujos em palco...