estive ontem a ver esta encenação notável do patrice chereau. Trata-se de uma adaptação de um livro autobiográfico do dostoievski. É notável o final do primeiro acto e o início do segundo. A entrada em cena dos prisioneiros no segundo acto é um momento de cenografia perfeito, principalmente depois do choque ao minuto 7:40.
A encenação foi muito boa, por momentos parecia bailado contemporâneo, mas sem as paneleirices do costume. E nem os cantores nem os figurantes tiveram de mostrar a verga ao público (estou a roubar a designação ao Roberto Bolaño) -- uma raridade nos dias que correm.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
a propósito de alterações climáticas
...e de dúvidas relativamente a isto
Nenhum modelo de circulação global (ou modelos de circulação atmosférica e oceânica que modelam o clima) "prevê" nada, é impossível prever o que quer que seja. Há cerca de 20 modelos "fiáveis" em todo o mundo. Pus entre aspas, porque alguns são menos fiáveis do que outros... Ninguém se acredita nos resultados locais e particulares dos modelos enquanto tal. Normalmente usam-se ensembles dos 20 modelos diferentes para retirar conclusões. E essas conclusões necessariamente estatísticas: há x% de probabilidade da temperatura média aumentar se porventura houver um aumento y na concentração de CO2. Logo à partida, estimar a temperatura média à superfície envolve erros. Depois, estimar a concentração de CO2 envolve ainda mais erros. Desenhar cenários para o futuro ainda mais: os cenários têm associadas probabilidades de ocorrência, mas é impossível prever o que quer que seja com segurança: desde há uns anos utiliza-se muito o cenário A1B, com o qual eu não concordo, porque prevê um mundo convergente em termos económicos. Eu vejo o futuro de outra forma, mais como o cenário A2. A forma como as relações políticas entre países e regiões se desenvolvem influencia muito a concentração de co2. Vejo a questão de co2 atmosférico como um clássico problema de baldios (sobre o que, a propósito dos 92 postes de 2011, já tinha escrito aqui)
Nenhum modelo de circulação global (ou modelos de circulação atmosférica e oceânica que modelam o clima) "prevê" nada, é impossível prever o que quer que seja. Há cerca de 20 modelos "fiáveis" em todo o mundo. Pus entre aspas, porque alguns são menos fiáveis do que outros... Ninguém se acredita nos resultados locais e particulares dos modelos enquanto tal. Normalmente usam-se ensembles dos 20 modelos diferentes para retirar conclusões. E essas conclusões necessariamente estatísticas: há x% de probabilidade da temperatura média aumentar se porventura houver um aumento y na concentração de CO2. Logo à partida, estimar a temperatura média à superfície envolve erros. Depois, estimar a concentração de CO2 envolve ainda mais erros. Desenhar cenários para o futuro ainda mais: os cenários têm associadas probabilidades de ocorrência, mas é impossível prever o que quer que seja com segurança: desde há uns anos utiliza-se muito o cenário A1B, com o qual eu não concordo, porque prevê um mundo convergente em termos económicos. Eu vejo o futuro de outra forma, mais como o cenário A2. A forma como as relações políticas entre países e regiões se desenvolvem influencia muito a concentração de co2. Vejo a questão de co2 atmosférico como um clássico problema de baldios (sobre o que, a propósito dos 92 postes de 2011, já tinha escrito aqui)
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