quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Foram 20 anos de avancos tecnológicos extraordinários que se saldaram em regressao social, maior desigualdade, pobreza e pessimismo. Os mesmo avancos que prometiam mais vida para alem do trabalho, mais familia e amigos, mais tempo para a comunidade, afinal trouxeram mais escassez, mais trabalho, mais stress. Para onde foram os avancos? O que é feito dos ganhos vindos da gestao eficientíssima de recursos?
Deixámos o mundo andar, preguicosamente, achámos que tudo ía no bom caminho, que nao valia a pena desconfiar. Os mercados, a forca positiva que faz mover o mundo, levar-nos-ia até Lá. Confesso que eu próprio acreditei ingénuo na quimera. Depois lembrei-me que os mercados sao pessoas, e que a melhor maneira de mudar este mundo composto de pessoas é falar com elas. Fazer-lhes perguntas. Desconfiar. Investigar. Perceber. E isso cansa.
Mas neste momento em que nos encontramos, acredito que voltámos a achar o caminho. Multiplicam-se assembleias, comissoes, movimentos e auditorias que exigem o poder de volta às suas maos. É preciso abracar este momento com toda a nossa forca.
é preciso deixar registado de que lado estamos. E se já estivemos do outro lado, aqui fica o registo, para que nao restem mais dúvidas. Do lado da democracia de bases, do lado do fim das desigualdades, do lado da redistribuicao, do lado do local contra o global, do lado do comunitário contra o proprietário.
Afinal eram mesmo estes amanhas que cantam que interessavam e nao os outros...
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
das leis do mercado
via ladroesdebicicletas.blogspot.com
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
ppc tem apenas uma palavra para com os mais desfavorecidos
como os arrumadores, esses malvados que causam um rombo às contas públicas ao receberem uma moedinha livre de IVA.
uma das dez mentiras do pós 25 de abril
O investimento externo é um anacronismo, porque um agente externo ao investir em portugal está, por definição, a contar com a obtenção de lucro para o próprio. Claro que origina crescimento e postos de trabalho etc, mas então porque diabo é que em substituição ao investimento externo não estava lá já um investidor nacional em acção?
Na generalidade dos casos o investidor estrangeiro está no país a aproveitar condições particulares oferecidas pelo governo, de que se serve enquanto essas condições durarem. Em princípio está a contribuir para a degradação da protecção social do país de onde veio, num fenómeno chamado social dumping. Quando as condições vantajosas evoluirem para um cenário de normalidade, vende-se a fábrica e despede-se os trabalhadores (por esta ordem).
Claro que há investimento externo bom, mas esse não está habitualmente associado a medidas extraordinárias de atracção de investimento, mas sim com uma vantagem comparativa não relacionada com salários ou protecção social: uma economia de escala para um determinado produto já desenvolvida, uma particularidade geográfica, cultural, climática, que complementa certo tipo de produto.
sábado, 19 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
os editores do público já tiveram melhores dias
mais uma do público
perdão? o programa de assistência? será que ainda não perceberam? Há dois anos que o país está oficialmente a saque pelo capital internacional e há dois anos que se sabe que a reestruturação é inevitável. Ao adia-la este governo e o anterior só estão a transferir ainda mais riqueza para o estrangeiro, na forma de emigrantes e capital. Estão à espera de uma governo de salvação nacional de carácter "técnico", para declarar bancarrota e abrir a loja ao assalto final dos credores.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
quem quer fazer parte da constituinte?
E depois a imprensa ainda tenta emprestar racionalidade aos "mercados": "Juros da Itália passam 7% apesar da saída de Berlusconi"
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Em primeiro lugar, também sou um descrente desta "democracia". Vou votar porque sim. Depois de votar sinto aquela amargura de ter votado em coisa nenhuma, de não ter abraçado nenhum projecto, de o meu voto ter ficado cativo de futuras trocas de favores entre partidos para aprovar o orçamento de estado. Mas vou votar na mesma, nunca se sabe... (é um bocado aquela coisa de um gajo ir à igreja sendo ateu). O que não significa que não seja absolutamente contra esta "democracia".
Haverá eventualmente um partido, que por definição propõe outro tipo de democracia, no qual valerá a pena votar. Eventualmente. Mas isso são outras discussões. Neste momento a Grécia está numa situação aonde chegou através desta "democracia". E o que se propõe agora é um referendo.
da relevância do referendo
Quanto à relevância da ferramenta em si, é discutível. Agora, se há momento relevante, daqueles em que a soberania do país está em causa, este é um deles. Não conheço a constituição grega, mas imagino-a feita em frangalhos. O que se propõe agora é a continuação e aprofundamento da perda de soberania a troco de um "perdão" de uma dívida cuja maior fatia não foi contraida pelo povo grego. A soberania não será entregue a funcionários europeus. É pior do que isso. Ao povo grego (e ao português) está-se a administrar uma terapia de choque de privatizações e liberalização da economia. O problema é que isto está a ser feito a pretexto da "ajuda externa". É um momento em que há uma pressão exterior imensa para inserir limites de défice na constituição. Não me lembro de que os gregos tenham votado nisso nas anteriores eleições. É um avanço sem precedentes na europa de políticas não desejadas e não escrutinadas pelo povo a pretexto de uma crise. Isto é um tema da maior relevância, que justifica obviamente um referendo. No Chile não tiveram esta opção.
Se é uma jogada política do Papandreou ou não, pouco me interessa. Na verdade, se fôr uma jogada, revela que pelo menos é uma jogada decente, porque põe nas mãos do povo o seu futuro. Haveria alternativas muito piores...
da relevância do momento
Claro que o referendo já deveria ter sido feito há mais tempo. Mas também não vejo porque é que deveria ter sido feito há um ano ou dois. Ou tinha sido feito na assinatura do tratado de nice e de tratado de lisboa (ou dos que vieram no meio, menos famosos, mas com mais consequências no que diz respeito a esta crise), ou então em qualquer outra altura. No que diz respeito à probabilidade de o referendo ter um resultado negativo para os neoliberais, parece-me que este é o momento alto. A chantagem europeia está ao máximo, um "não" no referendo iria ter consequências profundas na forma como o povos olham para o seu poder. Seria um redondo não na cara da europa burguesa: um default controlado pelo devedor, em que quem decide quem recebe dinheiro é a grécia e não a europa. Uma inversão total da situação a favor da grécia.
Não me lembro de ter havido queixas quando os islandeses votaram contra a intervenção externa do FMI. O processo foi idêntico e o que estava em jogo era uma perda de soberania muito menor. Não tenhamos ilusões, a europa é muito pior do que o FMI. Estão a tentar travar uma crise sistémica de TODA a zona euro à custa do povo grego. Se no início da crise isto ainda não era claro para todos, agora é uma evidência e não há mais razões para não lançar esta discussão para as mãos do povo.
outras razões
É também necessário aproveitar o momentum da discussão sobre a dívida pública para avançar com um programa de esquerda revolucionário. Este momentum pode ser catalizado com o referendo, pode ser até um pretexto para haver um referendo idêntico em portugal. Imaginem o que seria ver uma mobilização como a vista para o referendo ao aborto, mas multiplicada por muitos. Seria um referendo a todo o sistema político, porque o que estamos a ver hoje é apenas o que vimos nos últimos 30 anos, só que a cores. Este foi o momento em que caiu a máscara aos sem vergonha que nos governaram, que nos mandam emigrar para não os chatearmos. Este foi o momento em que, com os nervos à flôr da pele, os líderes políticos desta europa revelaram os seus instintos mais profundos. E o povo viu isso a cores. É este o momento para o referendo, porque, desenganem-se os políticos, estamos TODOS com os nervos à flor da pele e se pudermos incendiar umas ruas a caminho de pôr uma cruz num quadradinho onde se esconda finalmente uma decisão que só pode ser nossa, vamo-nos alegrar, ai vamos, porque estamos FARTOS de votar só em mentiras.
É arriscado abraçar correntes que não estão inteiramente definidas ainda, mas, tirando o marxismo e o libertarianismo de direita, não há mais nada na política que esteja definido. Por isso eu inclino-me para a democracia directa e participativa, com mais referendos pelos assuntos mais espúrios, porque isso promove a discussão e aproximas as pessoas umas das outras. É o que vem neste momento ao encontro das minhas fantasias mais molhadas de um modelo social. Desculpem lá...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
recordações da casa dos mortos
A encenação foi muito boa, por momentos parecia bailado contemporâneo, mas sem as paneleirices do costume. E nem os cantores nem os figurantes tiveram de mostrar a verga ao público (estou a roubar a designação ao Roberto Bolaño) -- uma raridade nos dias que correm.
a propósito de alterações climáticas
Nenhum modelo de circulação global (ou modelos de circulação atmosférica e oceânica que modelam o clima) "prevê" nada, é impossível prever o que quer que seja. Há cerca de 20 modelos "fiáveis" em todo o mundo. Pus entre aspas, porque alguns são menos fiáveis do que outros... Ninguém se acredita nos resultados locais e particulares dos modelos enquanto tal. Normalmente usam-se ensembles dos 20 modelos diferentes para retirar conclusões. E essas conclusões necessariamente estatísticas: há x% de probabilidade da temperatura média aumentar se porventura houver um aumento y na concentração de CO2. Logo à partida, estimar a temperatura média à superfície envolve erros. Depois, estimar a concentração de CO2 envolve ainda mais erros. Desenhar cenários para o futuro ainda mais: os cenários têm associadas probabilidades de ocorrência, mas é impossível prever o que quer que seja com segurança: desde há uns anos utiliza-se muito o cenário A1B, com o qual eu não concordo, porque prevê um mundo convergente em termos económicos. Eu vejo o futuro de outra forma, mais como o cenário A2. A forma como as relações políticas entre países e regiões se desenvolvem influencia muito a concentração de co2. Vejo a questão de co2 atmosférico como um clássico problema de baldios (sobre o que, a propósito dos 92 postes de 2011, já tinha escrito aqui)
terça-feira, 20 de setembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
o hípercluster, daba diba diba dum
Como de costume defende-se um incremento à competitividade no sentido de mercado (mais concorrência, mais mercado), por outro, o caminho para lá chegar é obviamente através da abertura de canais priviligiados de contacto entre a burguesia do costume e o estado (de que o relatório em questão é um exemplo). O joão já tinha referido um ou dois pontos importantes, como a privatização dos recursos como forma de racionalizar o seu consumo (por outras palavras, limitar o seu consumo a quem tem dinheiro) e variantes de projectos PINs. Não é que a racionalização da pesca seja por si negativa. Falha no entanto o ponto essencial, que é a razão pela qual os stocks de peixe estão em queda acentuada.
Vai ficando claro com as notícias que saem que os grandes culpados não são a pesca tradicional, que se quer agora destruir com o tal hípercluster, mas como sempre a capitalização do sector, com grandes armadores do norte da europa a capturarem a maior parcela de peixe, a maioria do qual é utilizado para rações de animais e fertilizantes. A greenpeace pode ter uma mão cheia de acções nos supermercados para o seu directo no telejornal, mas como já disse há uns tempos, a revolução não vai acontecer na prateleira, mas sim na rua. Apesar de apontar os alvos errados, o problema é pelo menos trazido à televisão, o que já é melhor que nada.
Para quando uma resposta a mais uma ameaça à deslocalização da produção nacional e à privatização de recursos naturais de TODOS?
terça-feira, 9 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
pedaço de poesia da caixa de comentários do 5dias.net
20 de Julho de 2011 at 21:32
Ele não foi preso por roubar materiais de construção. Este manguelas tinha uma padaria em Olhão, com os filhos iam a padarias em locais isolados à noite roubavam as máquinas, sob a ameaça de armas. Assim conseguiram montar a melhor padaria do Algarve.
Demorou anos a serem apanhados. Os mau maus eram mais conhecidos que o corvo do chocalho, espalharam o terror de um extremo ao outro do Algarve. Toda a gente sabia o que eles eram, menos as autoridades. Autêntico.
Responder
*
ana cristina leonardo says:
21 de Julho de 2011 at 1:39
Tudo em olhão é autêntico. Heidegger ter-se-ia sentido ali nas sete quintas
segunda-feira, 11 de julho de 2011
da merda
Mas pronto, já não hei-de morrer sem tomar banho no tejo (já tomei, mesmo ali à frente dos Jerónimos, perdoem-me os puristas). Mas para quando ir de toalha ao ombro para o terreiro do paço?
sexta-feira, 8 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
a grécia
Pelo contrário, aos cortes sucederam-se privatizações, encarecimento dos serviços de saúde, o que já se manifestou na redução da esperança média de vida. Que governo é este que põe os interesses dos bancos à frente dos interesses do país? Que tipo de cleptocracia é que estamos a viver todos?
Esta democracia não nos serve.
Quem assinou acordos que compromentem o país, quem escondeu ou ignorou as consequências dos seus actos? Quem assinou os tratados de nice, maastricht, de adesão à CEE sem me ter perguntado? Esta democracia não me serve.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
eu sou contra mais um plano de austeridade grego. espero sinceramente que hoje aconteça uma desgraça para esta europa. é inadmissível que não haja uma manifestação de solidariedade, uma porra de um cartaz nas paredes sobre o que se passa hoje em atenas. a atitude acrítica dos povos da europa para com as consequências do seu bem estar roça o estado de coisas do colonialismo do século XIX.
hoje decide-se tudo, não no parlamento grego, mas na praça sintagma. tudo tem de cair hoje.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
auditoria
auditoria é muito bonito, mas se ninguém a fizer nunca será feita. com isto em mente, porque não começar uma wiki onde se faça uma auditoria popular e participada por todos às contas públicas dos últimos 20 anos?
A experiência aponta para um nível de rigor bastante alto neste tipo de projectos, veja-se a identificação de plágio na tese de doutoramento de um ministro alemão ou doutras figuras públicas. em pouco tempo identificaram-se centenas de páginas copiadas de fontes que nem sequer estavam online.
penso que poderá ser a forma mais aberta e democrática para uma auditoria. envolve riscos, dada a complexidade de orçamentos. por outro lado o anonimato permitirá a divulgação de contratos que de outro modo nunca iriam chegar ao domínio público.
fica a ideia para quem a quiser apanhar. aposto que há por aí muito ratinho de computador (incluindo eu) ansioso por começar uma coisa destas.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
explicação aos pássaros
é óbvio que os especuladores estão todos contentes! nem nos sonhos mais molhados alguma vez lhes passou pela cabeça um investimento tão lucrativo e sem risco! e andamos nós a chorar por isto...
quarta-feira, 4 de maio de 2011
assinalar a morte
Assim se assinala também a farsa que é o império. Depois da segunda guerra mundial, os responsáveis morais por crimes de guerra foram julgados antes de serem executados -- de certo porque os judeus mortos não eram americanos.
terça-feira, 12 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
e outra
é característica delas a despachadez e prontidão de resposta, faça favor de comparecer ao ponto senhora B. que a gente cria-lhe um posto aqui no tacho.
mais uma...
obrigada por nos recomendar (a nós arquitectos) a emigrarmos.
recomendo-lhe a si de empregar as pessoas por mérito e não os filhos dos seus empreiteiros, faça como o siza e talvez ainda ganhe outro pritzker na vida!
O siza ganhou o pritzker há mais tempo por ser esperto, isto é: por empregar pessoas boas que fazem trabalho bom e não preguiçosos filhinhos do papá e da mamã.
beijocas senhor arquitecto
até ao meu regresso (que infelizmente está para não acontecer pelos vistos)
"o meu primo"
vou explicar a problemática do "primo":
Pobre Marta, não consegue convencer ninguém de que estudou e que está qualificada para a função, de que tem capacidade de analisar a empresa e sugerir um logotipo, que até se poderia transformar num sucesso de vendas e gerar colaborações futuras, um novo site, um quiosque, pontos de vendas mais atractivos, etc.
quinta-feira, 31 de março de 2011
"O QUE TU QUERES É FESTA"...foi-me dito
Alerta máximo para os do canudo: é bom que estes não voltem com as inspirações ou aspirações arquitectónicas daquelas que nós já sabemos e vimos com total vergonha pelas nossas estradas e ruelas...
sexta-feira, 25 de março de 2011
É uma decisão fundamental e política, que já vem sendo arrastada há meses, e que é justificável: afinal, não foi de um momento para o outro que o défice português disparou para os dois dígitos. Antes da crise deles, estava abaixo dos 3 por cento. Em última análise, só chegamos aonde chegamos por causa das receitas de austeridade, agências de rating e recessão generalizada na europa.
Como país pequeno que somos, a única arma que nos resta é ameaçar fazer afundar o barco.
quarta-feira, 9 de março de 2011
rendida
http://www.saritamoreira.com/2011/01/os-portugueses-em-timor/
parva
n1:
fiquei surpreendida, tem um tom romântico, estava à espera que fosse uma espécie de carvalhesa, mais activante, ou um "que força é essa" do sérgio godinho
n2: a letra faz todo o sentido, já ouvi comentários maus, mas eles escrevem dos amigos que conhecem e do que eles enfrentam...eu também tenho amigas que estão parvas.
n3: conheci a ana bacalhau, que para além de ser uma simpática, também se safa bem no palco em inglês.
n4: um brasileiro disse-me - essa coisa do fado no brasiu é negócio de salazar prá gente, mas esses aí são bem diferente...
(n5 um deles é muita giro)
afinal qual deles é que escreve as letras dos deolinda?
terça-feira, 8 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
Não cheguei a ver o filme, mas "Guns for Banta" de 1970 de Sarah Maldoror deve ser bom. E triste, e outras coisas que aqui nunca direi mas que com o tempo se começarão a falar em portugal.
Têm a ver com a geração dos nossos pais que teve que enfrentar uma realidade bem difícil: a de fugir...ou lutar. Ou fugir e lutar.
http://www.gasworks.org.uk/exhibitions/detail.php?id=613
Não vou dizer mais nada. ah, vou só dizer: o que é que anda a mota engil a fazer em angola (malawi e etc.)? a ganhar dinheiro... como?! lá já há classe média está certo e muita gente a viver miserável, nos musseques, ou a ser deslocada para onde der mais jeito a quem dinheiro tem. bom enfim. eles lá das empresas são honestos como nós todos, mas não sei como fazem tanto dinheiro. ok ok não vou usar esse termo, porque não é correcto.
...
Agora, a propósito de outras gentes, outras gerações e outros exploradores, li há tempos um livro muito bom do recém aclamado Valter Hugo Mãe, chamado : "O apocalipse dos trabalhadores". O valter ganhou o prémio literário José Saramago em 2007 com o "Remorso de Baltazar Serapião" que deve ser muito bom de se ler.
Este livro (o apocalipse) fala da vaga dos trabalhadores do leste que invadiram portugal já há uns largos anos à procura de um trabalho na construção civil e nas limpezas. (Por aqui por londres temos falado muito de empregadas de limpezas do leste, não com elas, porque infelizmente ainda não dominam a língua, mas sobre os seus afazeres.) ...Fala do encontro com as portuguesas e da saudade que sentem ao deixarem a sua terra, à qual parece que nunca mais vão voltar. ...Fala da dificuldade que é ser emigrante.
...Amor e tentações às quais ninguém resiste...mulheres portuguesas que eles do leste acham baixas e gordinhas (!)
E como a este bom blogue convém, está escrito no estilo mais ordinário que se possa imaginar. Cheio de referências sexuais, explícitas, implícitas e escancaradas!
É muito bom, recomenda-se! Valter é e será um grande escritor.
Editora Quidnovi
domingo, 27 de fevereiro de 2011
ora os tais que se queixam do carro para pagar e de ter que viver em casa dos pais são os que optaram por ficar por portugal: por preguiça, por amor, por conveniência ou porque sim...
os outros que puderam sair, ou que nem tiveram hipóteses porque os pais optaram por si mesmos, têm problemas também.
há uma imagem muito interessante nas páginas do cristianismo que é um pássaro a arrancar bocados de si para dar aos filhos. vi uma pequenina esculpida numa coluna da sé da guarda, mas não tenho aqui fotografia. quando tiver desenvolvo mais sobre o assunto. e é um bocado disso que nós somos feitos em portugal: autofágicos.
porém atenção: não se iludam com esses modelos ideiais sociais democráticos das suécias e etc.!! não vale a pena ir copiar já já essa juventude sem os perceber. eles são muito independentes, fazem tudo...mas dependem do governo, que por sua vez depende e se alia às empresas de sucesso como a volvo, a skanska, a hasselblad, a astrazeneka etc. que por sua vez começaram bem porque numa certa altura de uma guerra, a suécia andou a vender ferro a uns certos senhores alemães e a permitir-lhes o acesso à rússia...ajudava uns (era neutra) e outros e lucrou com isso. E MUITO! por isso somos todos mauzões.
os suecos há uns anos atrás não passavam de pobres camponeses. tenhamos menos ciúmes. mandemos menos exploradores para fora, conquistar o mundo e esbanjar tudo como dantes e já agora acho bem que se tenha acabado com essa coisa um bocado estúpida que andou a ser o inov-arte. foi o mesmo nos descobrimentos. esbanjar os nossos recursos para nos mandar para fora e depois não dar condições para nos voltar a receber. e perder tudo...
seremos eternos exploradores do mundo? por isso é que eu digo: neo-colonialistas.
mas desta vez com respeito e sem racismos.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
receita
ingredientes:
250 gramas de açucar
250 gramas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
3 ovos
1 chávena de leite
100 gramas de manteiga (derretida)
açucar e canela para polvilhar em cima
Misturar a farinha, os ovos e o leite. Mexer bem.
Juntar o açucar e o fermento em pó e no fim juntar a manteiga derretida. Mexer com convicção
30 minutos no forno pré-aquecido. Deve-se colocar a massa numa forma rectangular e larga para se obter uma espécie de rectângulo com cerca de 4 cm de altura.
Quando o preparado estiver pronto, cortar aos quadradinhos. Misturar o açucar e canela e polvilhar em cima das felisminas.
Bom apetite. (melhor ainda se for saboreado a ouvir músicas do Sérgio Godinho)
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
post não autorizado
"Um imbecil de um seropositivo aborda-me, vangloriando-se de que eu até já o conhecia - a conversa é sempre a mesma. Como sabes, não abunda em mim paciência para imbecis, muito menos seropositivos. E este já me fez das boas, pediu-me 5 cêntimos numa estação de metro e foi gastá-los num snickers. Respondo-lhe que a ele, em particular, não lhe dou nada, precisamente por causa deste episódio. E explico: com o euro que gasta na máquina pode ir a uma padaria, frutaria ou até pastelaria; pode gastá-lo num pão, uma fatia de fiambre e uma fatia de queijo. Mas ele tem uma carta na mão e responde, não fosse ele um idiota chapado (por isso é que é mendigo), que até nem é esse o costume dele, devia ser de noite quando eu o vi, porque ele até costuma comer snickers em pacotes de 3, compra-se na mercearia. Aí enervo-me e insulto-o, ele defende-se, até nem é toxicodependente, não bebe, não fuma, o único prazer que tem na vida é o chocolate snickers; e vai-se embora.
Chamo-o de novo, espera aí não te vás, estou muito arrependido, tu até és esperto, tens de tentar perceber. Agora me apercebo o bando de inergúmenos que estava comigo, gente esperta e de boas famílias, está com medo ou vergonha; insistentemente me pedem para o deixar ir, que ele não vai ligar ao que eu digo nem sequer se vai lembrar do que disse. Discuti um pouco com eles, passado meia hora não tinham mudado de opinião. Uma colega de medicina argumentou inclusivé que um snickers é mais nutritivo que uma sopa, o que eu nem quero discutir...Será que são teimosos ou realmente não percebem? Eram pessoas tão inteligentes...
(...) Tudo o que contei é verdade, mas podia não ter acontecido."
autor Zé, deste blogue
Ouvi falar do protesto da geração à rasca, através dessa plataforma a que somos obrigados agora a comparecer, que é o facebook.
Já tinha pensado nisso, porque bem cedo nos tempos de faculdade vi que um dia mais tarde...me iria ver à rasca.
Na minha humilde opinião de pessoa com paizinhos medianamente abonados, um dos problemas foi que os nossos pais, há uma ou duas décadas atrás, para terem sucesso nos seus escritórios e atelieres, arranjaram estagiários. Porém, para terem sucesso nas suas famílias (as poderem levar de férias e passear no carro grande) tiveram que fazer contas à bolsa e criaram esta moda de não pagar aos estagiários. Faziam-nos acreditar de que estavam a começar por baixo, para um dia chegarem ao topo. A moda entretanto pegou.
Ora a geração dos meus (filhos dos tais pais) foi depois viajar e estudar para fora, aculturar-se, aprender novas línguas, estender os horizontes. Viu muito e gostou de tudo. Quando um dia quis voltar, percebeu que não podia. Os chefes eram os paizinhos que chefiavam tudo com um olho no seu ofício e duas mãos nas suas contas bancárias.
E isto é a história dos meninos privilegiados, porque dos outros nem consigo falar.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
como esta menina simpa'tica: http://www.flagrantedelicia.com/
se calhar iriamos engordar muito com isso...ela come os bolos todos que faz?
Aqui ha tempos andei a gozar com uns amigos sobre as suas segundas adolescencias. Isto pareceu-me que era claro que ha' pessoas que vivem um forte adolescencia e depois assentam e outras que nao a vivem e teem que a viver mais tarde na vida. So' que se calhar com cada um e' diferente. Todos que me abrem o seus livros mostram coisas muito distintas.
Entretanto encontrei este livro do Keil do Amaral (que foi um homem prolifico) chamado "Humor de Arquitecto". La' no livro tinha uma tirada sobre as idades da vida que me pareceu uma visao muito boa sobre o assunto. Ele desprezou a classificacao das fases da vida em infancia, adolescencia, maturidade e velhice, mas criou um sistema que era o da "infancia. adolescencia, efervescencia, incandescencia, suficiencia e decadencia". Nao vou falar delas todas, so' de duas que sao bem engracadas:
"a suficiencia":
e' a fase "em que nos convencemos de que os nosos paizinhos, ou os nossos chefes de reparticao, sao umas bestas, culturalmente inferiores e sem ao menos se terem apercebido de que o mundo dera, ultimamente, um grande passo em frente..."
logo a seguir "a eficiencia":
a fase "em que nos tornamos em fervorosos admiradores das nossas proprias capacidades" e achamos que "se faltarmos uns dias ao escritorio, ou ao consultorio, ou 'a reparticao, os negocios param, os doentes morrem e a burocracia entra em crise." Interessante?!
bom...nao resisto e conto-vos a "decadencia":
a fase em que "tendo acumulado ao longo dos anos uma vasta e profunda experiencia da vida e das coisas verificamos que (...) ja' para pouco nos serve sem a imaginacao criadora, o arrojo, a irreverencia forca fisica, o prazer do risco, que se gastaram em fases anteriores."
Esta devera' ser a impotencia! Mas isso eu nao sei que sou mulher.
Desculpem la' a ultima, mas isto e um blogue que surge da ordinarice.
Keil do Amaral. Humor de Arquitecto Compilacao, introducao e notas de Pitum Keil do Amaral. Editora Argumentum
sábado, 19 de fevereiro de 2011

e à segunda semana de berlinale viu-se cinema. é engraçado como passados 100 anos esta arte se consiga reinventar a cada sessão. sem o típico corte com a tradição, ou o choque despropositado, mas a surpresa no seu travo mais doce. vai-se ao cinema e vê-se literatura
este filme é um romance. um novo caminho para o cinema. a primeira exploração do sonho, da video-arte e do cinema clássico de uma forma perfeitamente equilibrada. a narrativa interlaçada com a reflexão, o road-movie em forma intimista. nada disto seria novidade se não o fosse e tudo em simultâneo. é ver é ver
o mais engraçado é que o actor principal era um andré silveira americano, que por coincidência era topógrafo. ele há coisas...
"here", de braden king
Finalmente decidi aceitar o convite feito ha ja muito tempo por um homem nascido na russia, convite que na altura me pareceu muito simpatico, mas ao qual nao consegui dar seguimento porque andava muito atarefada na vida. Vou agora tentar comecar, devagarinho, a ver no que isto da. Desde ja muitos parabens ao segismundo brutamontes. Nao sei quem ele e mas suspeito quem seja, talvez um homem de la de gradiz - "a terra que deus nao quis" (...deixar dizem os populares). E de vos todos o mais prolifico, contribuidor e ate poetico. Parabens.
O Ze tambem e muito bom: breve, sempre subtil... mas mordaz! So que ja andava aqui a faltar uma vozinha feminina nao?
Isto foi um comeco muito familiar, eu sei que nao convem porque ate estou a pensar convidar mais gente para animar isto e eles ainda ficam inibidos de nos ler. Era so para entrar simpatica e agradavel...
Acho que nao vou usar o novo acordo ortografico, porque para ja nao me apetece. Quanto aos acentos, peco desculpa mas estou a teclar num teclado internacional e isto e complicado. Mas atencao, olhem que eu sou sempre acusada de ser uma "ceptica" o que nao e verdade pois eu sou pragmatica. Qual e o rumo deste blogue? E matar saudades uns dos outros? E falar de Politica? De arte? De Arquitectura? de Hidrologia e do Vietname? Ou jabardice? temos que dar um rumo concreto a isto. Pensem nisso meus amigos!
Agora vou ver se me ponho a ler um livro, ir a uma exposicao ou ler o jornal para poder mandar uma farpa inteligente e cativadora.
Ate breve, vamos a ver se desta vez eu...consigo. ...Convosco, Mariana
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
JMF omite descaradamente as principais causas para o endividamento, que foram
1. o crédito barato, propositadamente barato para o consumo crescer em contenção salarial. Isto não é culpa dos portugueses, em última análise apenas é culpa deles por não terem acordado mais cedo para a balbúrdia que se passava na altas esferas do poder e da finança. Este texto serve apenas e só para fragilizar a luta actual contra a ainda maior precarização das condições de trabalho, contra uma política de contenção salarial e desinvestimento, em suma, a austeridade, num período de contra ciclo. Isto é populismo do mais puro.
2. Os desequilíbrios no orçamento de estado devem-se quase exclusivamente às brincadeiras de adolescente de quem detinha o capital. Os mesmos que eram os braços direitos de antigos governantes, que chegaram aonde chegaram não por mérito próprio mas por relações de nacional-porreirismo. Quem paga o buraco BPN, ou o buraco das cajas em espanha, ou o buraco dos bancos irlandeses, ou o buraco dos bancos ingleses, ou dos bancos alemães, ou dos bancos franceses? Paga o POVO, directa ou indirectamente, quer através de austeridade, quer através de taxas de juros de usura sobre a dívida soberana. Porque as instituições financeiras chegaram agora à conclusão que precisam de mais cuidado quando emprestam, porque têm ainda o seu próprio buraco para tapar. O problema é que estão a emprestar para o estado tapar o buraco das mesmas instituições financeiras! Too big to fail! é a vida...
Para quem leu o dito textinho, não fomos "nós" que espoliámos esta geração. Foi, pura e simplesmente uma política que permitiu o crescimento económico assimétrico, os ricos a ficarem cada vez mais ricos e o resto na mesma. Realmente fomos "nós" que permitimos que tudo acontecesse, mas não pelas razões do JMF. Realmente é fácil acusar a humanidade inteira pelos erros de uns tantos.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Ora, neste de dia de reflexão, eu saio à rua e digo basta!
É hora de aprender. Há alguém que me possa ensinar?