quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sem dúvida alguma vivemos um momento histórico. Entra-se numa fase de fecho de um ciclo histórico que porventura comecou em 1990, outros dirao 1989, nao interessa. Sem excepcao, somos todos culpados deste fracasso que foram os últimos de 20 anos no nosso mundo.

Foram 20 anos de avancos tecnológicos extraordinários que se saldaram em regressao social, maior desigualdade, pobreza e pessimismo. Os mesmo avancos que prometiam mais vida para alem do trabalho, mais familia e amigos, mais tempo para a comunidade, afinal trouxeram mais escassez, mais trabalho, mais stress. Para onde foram os avancos? O que é feito dos ganhos vindos da gestao eficientíssima de recursos?

Deixámos o mundo andar, preguicosamente, achámos que tudo ía no bom caminho, que nao valia a pena desconfiar. Os mercados, a forca positiva que faz mover o mundo, levar-nos-ia até Lá. Confesso que eu próprio acreditei ingénuo na quimera. Depois lembrei-me que os mercados sao pessoas, e que a melhor maneira de mudar este mundo composto de pessoas é falar com elas. Fazer-lhes perguntas. Desconfiar. Investigar. Perceber. E isso cansa.

Mas neste momento em que nos encontramos, acredito que voltámos a achar o caminho. Multiplicam-se assembleias, comissoes, movimentos e auditorias que exigem o poder de volta às suas maos. É preciso abracar este momento com toda a nossa forca.

é preciso deixar registado de que lado estamos. E se já estivemos do outro lado, aqui fica o registo, para que nao restem mais dúvidas. Do lado da democracia de bases, do lado do fim das desigualdades, do lado da redistribuicao, do lado do local contra o global, do lado do comunitário contra o proprietário.

Afinal eram mesmo estes amanhas que cantam que interessavam e nao os outros...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

das leis do mercado

Merkel falou com Passos sobre benefícios da oferta da E.ON pela EDP; Banca ganha 20 anos de créditos fiscais por transferir pensões.

via ladroesdebicicletas.blogspot.com

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

mais mentiras

alguém se lembra das outras 9?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ppc tem apenas uma palavra para com os mais desfavorecidos

dizia o passos coelho: "E, finalmente, o terceiro tabuleiro, tao ou mais importante do que os outros dois: tornar o país mais justo. Nesta grande escassez de recursos os problemas da equidade e da justica social tornam-se ainda mais gritantes. Temos de ter a certeza de que aqueles que recebem o rendimento social de insercao sao mesmo os que mais precisam dele e nao pessoas com alternativas de trabalho, e que estao sentadas sobre essa prestacao que o estado lhes oferece e a complementam com um certo nível de economia informal"

como os arrumadores, esses malvados que causam um rombo às contas públicas ao receberem uma moedinha livre de IVA.

uma das dez mentiras do pós 25 de abril

"é preciso promover o investimento externo"

O investimento externo é um anacronismo, porque um agente externo ao investir em portugal está, por definição, a contar com a obtenção de lucro para o próprio. Claro que origina crescimento e postos de trabalho etc, mas então porque diabo é que em substituição ao investimento externo não estava lá já um investidor nacional em acção?

Na generalidade dos casos o investidor estrangeiro está no país a aproveitar condições particulares oferecidas pelo governo, de que se serve enquanto essas condições durarem. Em princípio está a contribuir para a degradação da protecção social do país de onde veio, num fenómeno chamado social dumping. Quando as condições vantajosas evoluirem para um cenário de normalidade, vende-se a fábrica e despede-se os trabalhadores (por esta ordem).

Claro que há investimento externo bom, mas esse não está habitualmente associado a medidas extraordinárias de atracção de investimento, mas sim com uma vantagem comparativa não relacionada com salários ou protecção social: uma economia de escala para um determinado produto já desenvolvida, uma particularidade geográfica, cultural, climática, que complementa certo tipo de produto.

sábado, 19 de novembro de 2011

este homem está louco. ler mais aqui. sem dúvida, o facto de este tipo de discurso ser actualmente aceite sem grande escandalo é um sinal dos tempos. Em circunstancias normais nao seria preciso sequer comentar um texto deste nível, ele fala por si. Mas nos últimos anos houve um avanco deste tipo de ideias: ouvimos multiplicarem-se os apelos a "suspender a democracia", a governos de "salvacao nacional", a ministros e comissoes de "técnicos" e a "pacotes de ajuda" que deslocalizem as decisoes para longe de onde o povinho possa chatear (berlim e bruxelas). Urge acabar de vez com este avanco e rebater sem dó nem piedade os seus argumentos. Com a pressa de nos libertarmos da "crise" esquecemo-nos que a democracia e a liberdade nao sao apenas um meio para atingir um fim de bem estar generalizado. sao também um fim em si. Nem conselhos de sábios nem ditadores iluminados conseguem identificar as nossas necessidades ou os nossos reais problemas: somos nós que os transmitimos, através de cadeias de informacao livres, que permitem aos "homens públicos" chegarem aos "homens privados". o argumento de que para melhorar a relacao entre dois países se justifica por travoes na liberdade de imprensa revela uma visao muito limitada do mundo e da história. o ditadorzeco local em angola ou noutro qualquer lugar sabe que a imprensa é livre noutros locais. nao lhe passa pela cabeca pedir ao david cameron para censurar a bbc de modo a prosseguir com os seus negocios. Se lhe passa pela cabeca pedir ao passos coelho semelhante coisa, o pedido apenas revela o estado da liberdade de imprensa no nosso país: que é "de jure", mas com jeitinho até se consegue evitar esta ou outra notícia. por isso é que nesta e noutras questoes, a mais absoluta intransigencia é necessária. e até onde é que iríamos com esta excepcao? proibir-se-ia toda a crítica à troika ou à uniao europeia, porque isso prejudica a imagem de portugal lá fora? será que somos mesmo o "bom povo portugues"?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"(...) o intelectual do Pingo Doce, António Barreto (...)" Bravo joão rodrigues!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

os editores do público já tiveram melhores dias

Vara correspondeu com alheiras aos robalos de Godinho

mais uma do público

"Gaspar acusa PCP e BE de eventual fracasso do programa de assistência"

perdão? o programa de assistência? será que ainda não perceberam? Há dois anos que o país está oficialmente a saque pelo capital internacional e há dois anos que se sabe que a reestruturação é inevitável. Ao adia-la este governo e o anterior só estão a transferir ainda mais riqueza para o estrangeiro, na forma de emigrantes e capital. Estão à espera de uma governo de salvação nacional de carácter "técnico", para declarar bancarrota e abrir a loja ao assalto final dos credores.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

quem quer fazer parte da constituinte?

"é preciso fazer uma nova constituição, fotocopiá-la, promovê-la em blogs, na net, nos jornais, em revistas, pronunciá-la, proclamá-la à revelia e unilateralmente (como a de 1820) numa praça qualquer (do porto, de preferência - é preciso que as constituições voltem a ser proclamadas no porto!), para depois formar uma guerrilha que se legitime nela e lute por ela."

o fim está próximo

Vara admite ter recebido robalos e pão-de-ló de Godinho
um dia negro para a democracia. Mais um governo em pedaços, mais um governo de salvação nacional, infeliz eufemismo para um governo de supervisão da entrega do país ao capitalismo internacional. O papel do estado mediador entre o mercado global selvagem e o cidadão indefeso parece estar a cair.

E depois a imprensa ainda tenta emprestar racionalidade aos "mercados": "Juros da Itália passam 7% apesar da saída de Berlusconi"

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

os comentários merecem-me um novo poste.

Em primeiro lugar, também sou um descrente desta "democracia". Vou votar porque sim. Depois de votar sinto aquela amargura de ter votado em coisa nenhuma, de não ter abraçado nenhum projecto, de o meu voto ter ficado cativo de futuras trocas de favores entre partidos para aprovar o orçamento de estado. Mas vou votar na mesma, nunca se sabe... (é um bocado aquela coisa de um gajo ir à igreja sendo ateu). O que não significa que não seja absolutamente contra esta "democracia".

Haverá eventualmente um partido, que por definição propõe outro tipo de democracia, no qual valerá a pena votar. Eventualmente. Mas isso são outras discussões. Neste momento a Grécia está numa situação aonde chegou através desta "democracia". E o que se propõe agora é um referendo.

da relevância do referendo

Quanto à relevância da ferramenta em si, é discutível. Agora, se há momento relevante, daqueles em que a soberania do país está em causa, este é um deles. Não conheço a constituição grega, mas imagino-a feita em frangalhos. O que se propõe agora é a continuação e aprofundamento da perda de soberania a troco de um "perdão" de uma dívida cuja maior fatia não foi contraida pelo povo grego. A soberania não será entregue a funcionários europeus. É pior do que isso. Ao povo grego (e ao português) está-se a administrar uma terapia de choque de privatizações e liberalização da economia. O problema é que isto está a ser feito a pretexto da "ajuda externa". É um momento em que há uma pressão exterior imensa para inserir limites de défice na constituição. Não me lembro de que os gregos tenham votado nisso nas anteriores eleições. É um avanço sem precedentes na europa de políticas não desejadas e não escrutinadas pelo povo a pretexto de uma crise. Isto é um tema da maior relevância, que justifica obviamente um referendo. No Chile não tiveram esta opção.

Se é uma jogada política do Papandreou ou não, pouco me interessa. Na verdade, se fôr uma jogada, revela que pelo menos é uma jogada decente, porque põe nas mãos do povo o seu futuro. Haveria alternativas muito piores...

da relevância do momento

Claro que o referendo já deveria ter sido feito há mais tempo. Mas também não vejo porque é que deveria ter sido feito há um ano ou dois. Ou tinha sido feito na assinatura do tratado de nice e de tratado de lisboa (ou dos que vieram no meio, menos famosos, mas com mais consequências no que diz respeito a esta crise), ou então em qualquer outra altura. No que diz respeito à probabilidade de o referendo ter um resultado negativo para os neoliberais, parece-me que este é o momento alto. A chantagem europeia está ao máximo, um "não" no referendo iria ter consequências profundas na forma como o povos olham para o seu poder. Seria um redondo não na cara da europa burguesa: um default controlado pelo devedor, em que quem decide quem recebe dinheiro é a grécia e não a europa. Uma inversão total da situação a favor da grécia.

Não me lembro de ter havido queixas quando os islandeses votaram contra a intervenção externa do FMI. O processo foi idêntico e o que estava em jogo era uma perda de soberania muito menor. Não tenhamos ilusões, a europa é muito pior do que o FMI. Estão a tentar travar uma crise sistémica de TODA a zona euro à custa do povo grego. Se no início da crise isto ainda não era claro para todos, agora é uma evidência e não há mais razões para não lançar esta discussão para as mãos do povo.

outras razões

É também necessário aproveitar o momentum da discussão sobre a dívida pública para avançar com um programa de esquerda revolucionário. Este momentum pode ser catalizado com o referendo, pode ser até um pretexto para haver um referendo idêntico em portugal. Imaginem o que seria ver uma mobilização como a vista para o referendo ao aborto, mas multiplicada por muitos. Seria um referendo a todo o sistema político, porque o que estamos a ver hoje é apenas o que vimos nos últimos 30 anos, só que a cores. Este foi o momento em que caiu a máscara aos sem vergonha que nos governaram, que nos mandam emigrar para não os chatearmos. Este foi o momento em que, com os nervos à flôr da pele, os líderes políticos desta europa revelaram os seus instintos mais profundos. E o povo viu isso a cores. É este o momento para o referendo, porque, desenganem-se os políticos, estamos TODOS com os nervos à flor da pele e se pudermos incendiar umas ruas a caminho de pôr uma cruz num quadradinho onde se esconda finalmente uma decisão que só pode ser nossa, vamo-nos alegrar, ai vamos, porque estamos FARTOS de votar só em mentiras.

É arriscado abraçar correntes que não estão inteiramente definidas ainda, mas, tirando o marxismo e o libertarianismo de direita, não há mais nada na política que esteja definido. Por isso eu inclino-me para a democracia directa e participativa, com mais referendos pelos assuntos mais espúrios, porque isso promove a discussão e aproximas as pessoas umas das outras. É o que vem neste momento ao encontro das minhas fantasias mais molhadas de um modelo social. Desculpem lá...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um potencial momento histórico não pode deixar de ser aqui assinalado. Finalmente um referendo na Grécia! Dêem-se alvíssaras, o povo vai poder decidir livremente o seu destino e o dos seus netos. Finalmente!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

recordações da casa dos mortos

estive ontem a ver esta encenação notável do patrice chereau. Trata-se de uma adaptação de um livro autobiográfico do dostoievski. É notável o final do primeiro acto e o início do segundo. A entrada em cena dos prisioneiros no segundo acto é um momento de cenografia perfeito, principalmente depois do choque ao minuto 7:40.



A encenação foi muito boa, por momentos parecia bailado contemporâneo, mas sem as paneleirices do costume. E nem os cantores nem os figurantes tiveram de mostrar a verga ao público (estou a roubar a designação ao Roberto Bolaño) -- uma raridade nos dias que correm.

a propósito de alterações climáticas

...e de dúvidas relativamente a isto

Nenhum modelo de circulação global (ou modelos de circulação atmosférica e oceânica que modelam o clima) "prevê" nada, é impossível prever o que quer que seja. Há cerca de 20 modelos "fiáveis" em todo o mundo. Pus entre aspas, porque alguns são menos fiáveis do que outros... Ninguém se acredita nos resultados locais e particulares dos modelos enquanto tal. Normalmente usam-se ensembles dos 20 modelos diferentes para retirar conclusões. E essas conclusões necessariamente estatísticas: há x% de probabilidade da temperatura média aumentar se porventura houver um aumento y na concentração de CO2. Logo à partida, estimar a temperatura média à superfície envolve erros. Depois, estimar a concentração de CO2 envolve ainda mais erros. Desenhar cenários para o futuro ainda mais: os cenários têm associadas probabilidades de ocorrência, mas é impossível prever o que quer que seja com segurança: desde há uns anos utiliza-se muito o cenário A1B, com o qual eu não concordo, porque prevê um mundo convergente em termos económicos. Eu vejo o futuro de outra forma, mais como o cenário A2. A forma como as relações políticas entre países e regiões se desenvolvem influencia muito a concentração de co2. Vejo a questão de co2 atmosférico como um clássico problema de baldios (sobre o que, a propósito dos 92 postes de 2011, já tinha escrito aqui)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

o espectro e a sua análise certeira.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

o meu amigo john matthews entrevistou o jared diamond (autor de por exemplo "Collapse"). aqui fica um excerto.

domingo, 14 de agosto de 2011

o hípercluster, daba diba diba dum

Depois do relatório híper pseudo mercado livre do hípercluster da economia do mar ter sido publicado, ficou claro o posicionamento de certas e determinadas pessoas quanto ao património cultural, ambiental e humano que a pesca representa e representa para portugal (nomeadamente José de Mello, EDP, BCP, Espírito Santo, Galp, PT, Somague, Mota Engil e pia fora).

Como de costume defende-se um incremento à competitividade no sentido de mercado (mais concorrência, mais mercado), por outro, o caminho para lá chegar é obviamente através da abertura de canais priviligiados de contacto entre a burguesia do costume e o estado (de que o relatório em questão é um exemplo). O joão já tinha referido um ou dois pontos importantes, como a privatização dos recursos como forma de racionalizar o seu consumo (por outras palavras, limitar o seu consumo a quem tem dinheiro) e variantes de projectos PINs. Não é que a racionalização da pesca seja por si negativa. Falha no entanto o ponto essencial, que é a razão pela qual os stocks de peixe estão em queda acentuada.

Vai ficando claro com as notícias que saem que os grandes culpados não são a pesca tradicional, que se quer agora destruir com o tal hípercluster, mas como sempre a capitalização do sector, com grandes armadores do norte da europa a capturarem a maior parcela de peixe, a maioria do qual é utilizado para rações de animais e fertilizantes. A greenpeace pode ter uma mão cheia de acções nos supermercados para o seu directo no telejornal, mas como já disse há uns tempos, a revolução não vai acontecer na prateleira, mas sim na rua. Apesar de apontar os alvos errados, o problema é pelo menos trazido à televisão, o que já é melhor que nada.

Para quando uma resposta a mais uma ameaça à deslocalização da produção nacional e à privatização de recursos naturais de TODOS?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Curioso como em itália foi a burguesia a pôr as agências de rating em tribunal. Em portugal, a burguesia é mansa e anda ao sabor dos tempos. Teve de vir esquerda fazer as honras da casa e proteger o interesse nacional.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

pedaço de poesia da caixa de comentários do 5dias.net

Filho d´Ólhão says:
20 de Julho de 2011 at 21:32

Ele não foi preso por roubar materiais de construção. Este manguelas tinha uma padaria em Olhão, com os filhos iam a padarias em locais isolados à noite roubavam as máquinas, sob a ameaça de armas. Assim conseguiram montar a melhor padaria do Algarve.
Demorou anos a serem apanhados. Os mau maus eram mais conhecidos que o corvo do chocalho, espalharam o terror de um extremo ao outro do Algarve. Toda a gente sabia o que eles eram, menos as autoridades. Autêntico.
Responder

*
ana cristina leonardo says:
21 de Julho de 2011 at 1:39

Tudo em olhão é autêntico. Heidegger ter-se-ia sentido ali nas sete quintas

segunda-feira, 11 de julho de 2011

da merda

um dos meus maiores desgostos é não poder tomar banho nos rios das cidades de que mais gosto... a poluição interiorizou-se de tal maneira na vida das pessoas que já nem é uma inevitabilidade, é um facto inabalável, uma constante da vida, uma coisa que já lá estava. é uma daquelas evidências que têm de ser quebradas à força: como a Sunita Narain dizia, e é bom relembrar, nós defecamos, puxamos o autoclismo e não pensamos mais nisso. É preciso aproximar de novo a merda das pessoas, para elas deixarem de pensar em inevitabilidades. Em suma, "flush but do not forget".


Mas pronto, já não hei-de morrer sem tomar banho no tejo (já tomei, mesmo ali à frente dos Jerónimos, perdoem-me os puristas). Mas para quando ir de toalha ao ombro para o terreiro do paço?
eu diria que o problema não é bem bem das agências de rating, mas de quem as reconhece como avaliador oficial do risco de transações financeiras, tal como está explicado abaixo.

Isto ou isto é portanto uma contradição enorme, do tamanho da do cavaco. esta gente devia ouvir-se daqui a uns anos...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

não foi nisto que acabou o caso bragaparques?

http://www.publico.pt/Pol%EDtica/alemaes-acusados-na-venda-de-submarinos-evitarao-pena-se-estado-deixar-cair-caso_1501981?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29&utm_content=Google+Feedfetcher

quarta-feira, 6 de julho de 2011

a grécia

lia hoje no sueddeutschezeitung a admiração de um economista, que se perguntava como é que um governo pode reduzir salários na função pública, aumentar impostos e cortar na despesa pública, sem melhorar os serviços prestados pelo estado, sem reforçar os hospitais públicos, a assistência social. Porque é isso que seria de esperar quando se poupa: que os recursos porventura redundantes que são poupados (duvido que sejam redundantes, a avaliar pela distribuição dos custos da austeridade que foi feita), possam ser aplicados no estado social, em medidas que compensem os déficites sociais do país.

Pelo contrário, aos cortes sucederam-se privatizações, encarecimento dos serviços de saúde, o que já se manifestou na redução da esperança média de vida. Que governo é este que põe os interesses dos bancos à frente dos interesses do país? Que tipo de cleptocracia é que estamos a viver todos?

Esta democracia não nos serve.

em 2007 a união europeia aderiu aos princípios dos acordos de Basel, que estipulam que as agências de rating são a medida do risco de incumprimento dos bancos europeus. Na prática já eram antes, mas sem legitimidade política: só 3 países da moeda única estavam entre os signatários dos acordos. Com a crescente transferência de soberania para as instituições europeias -- mas sem o correspondente reforço do poder de escrutínio directo e inequívoco das políticas europeis por parte do povo -- com a tal transferência de soberania, dizia eu, chegámos ao ponto de portugal, grécia e restantes países da moeda única, assinaram os mesmos acordos de basel por procuração. Na prática, sem ninguém perguntar nada aos portugueses, assinou-se um acordo que legitimou politicamente as agências de rating e as suas avaliações (na realidade houve várias eleições desde então).

Quem assinou acordos que compromentem o país, quem escondeu ou ignorou as consequências dos seus actos? Quem assinou os tratados de nice, maastricht, de adesão à CEE sem me ter perguntado? Esta democracia não me serve.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

o que se passa hoje na grécia é uma chantagem inadmissível. Condenar um povo à miséria para manter o status quo dos ricos da europa.

eu sou contra mais um plano de austeridade grego. espero sinceramente que hoje aconteça uma desgraça para esta europa. é inadmissível que não haja uma manifestação de solidariedade, uma porra de um cartaz nas paredes sobre o que se passa hoje em atenas. a atitude acrítica dos povos da europa para com as consequências do seu bem estar roça o estado de coisas do colonialismo do século XIX.

hoje decide-se tudo, não no parlamento grego, mas na praça sintagma. tudo tem de cair hoje.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

a bebedeira dos números continua... 15% a 3 anos, y% a 10, 2 anos depois, como é que ainda ninguém percebeu que a brincadeira já devia ter acabado há muito tempo?

domingo, 29 de maio de 2011

auditoria

só escrevi isto para não me esquecer. se calhar nem faz sentido...

auditoria é muito bonito, mas se ninguém a fizer nunca será feita. com isto em mente, porque não começar uma wiki onde se faça uma auditoria popular e participada por todos às contas públicas dos últimos 20 anos?

A experiência aponta para um nível de rigor bastante alto neste tipo de projectos, veja-se a identificação de plágio na tese de doutoramento de um ministro alemão ou doutras figuras públicas. em pouco tempo identificaram-se centenas de páginas copiadas de fontes que nem sequer estavam online.

penso que poderá ser a forma mais aberta e democrática para uma auditoria. envolve riscos, dada a complexidade de orçamentos. por outro lado o anonimato permitirá a divulgação de contratos que de outro modo nunca iriam chegar ao domínio público.

fica a ideia para quem a quiser apanhar. aposto que há por aí muito ratinho de computador (incluindo eu) ansioso por começar uma coisa destas.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Para os que emigraram ou que estão temporariamente nos eua, pode-se seguir a assembleia popular do rossio no 5dias.net, com gravações vídeo e imagens virtuais em caso de fora de jogo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

explicação aos pássaros

o euro é a única moeda forte do mundo em que se ganha juros a 13% com garantia! com o dólar ninguém pode brincar com a emissão da dívida dos estados federais (ou mesmo com os bundesländer), porque existe o Fed ou o Bundesbank a emitir dívida por eles e a transferir a massa de seguida.

é óbvio que os especuladores estão todos contentes! nem nos sonhos mais molhados alguma vez lhes passou pela cabeça um investimento tão lucrativo e sem risco! e andamos nós a chorar por isto...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

assinalar a morte

de alguém que não teve direito a julgamento.

Assim se assinala também a farsa que é o império. Depois da segunda guerra mundial, os responsáveis morais por crimes de guerra foram julgados antes de serem executados -- de certo porque os judeus mortos não eram americanos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

falava aqui há tempos com um amigo brasileiro que sugeria que mudássemos a capital para o rio de janeiro.

as finanças púbicas ficavam sanadas num instante.

sábado, 2 de abril de 2011

e outra

ainda aí uma ex-precária que quer escrever aqui!

é característica delas a despachadez e prontidão de resposta, faça favor de comparecer ao ponto senhora B. que a gente cria-lhe um posto aqui no tacho.

mais uma...

...recomendação ao senhor souto de moura:

obrigada por nos recomendar (a nós arquitectos) a emigrarmos.
recomendo-lhe a si de empregar as pessoas por mérito e não os filhos dos seus empreiteiros, faça como o siza e talvez ainda ganhe outro pritzker na vida!
O siza ganhou o pritzker há mais tempo por ser esperto, isto é: por empregar pessoas boas que fazem trabalho bom e não preguiçosos filhinhos do papá e da mamã.

beijocas senhor arquitecto
até ao meu regresso (que infelizmente está para não acontecer pelos vistos)

"o meu primo"

Há tempos falei com uma webdesigner/precária muito simpática que estava determinada e de malas feitas para voltar a portugal: chamava-se Marta.
Falámos de um problema que nos atinge a todos, dessa forma fatal, como nos atinge o ódio a ira o amor e a paixão: as familias grandes e as solidariedades.

vou explicar a problemática do "primo":

Esta designer contou-me que a grande chatice de arranjar trabalho pago sempre foi a solidariedade e entreajuda nas famílias que têm todos os tipos de profissões consigo. Conseguir criar um logotipo para o site da empresa de alguém até é tarefa fácil, sugerir a remuneração...ah isso já nao sei: "o meu primo tem muito jeito para as artes, ele faz uns esboços bem bons ou melhores que os teus; lá na escola primaria ele até desenhava muito bem, era o melhor - agora gere uma agência funerária em Travassós de Cima".

Pobre Marta, não consegue convencer ninguém de que estudou e que está qualificada para a função, de que tem capacidade de analisar a empresa e sugerir um logotipo, que até se poderia transformar num sucesso de vendas e gerar colaborações futuras, um novo site, um quiosque, pontos de vendas mais atractivos, etc.
A Marta já esta em Lisboa, decidida a ser paga e a trabalhar para todos: família e desconhecidos. Nao se esqueçam de lhe dar razão. Paguem-lhe! (E contratem-na) O fiado já era.

quinta-feira, 31 de março de 2011

"O QUE TU QUERES É FESTA"...foi-me dito

"TODAS AS NOITES"...pensei eu!

e porque este blogue também não deve ser só feito de conversas intelectuais sobre economia e politica acho que me cabe a mim o papel de anunciar uma bela festa:
será o anual 15 de agosto, que se celebra religiosamente todos os anos no último dia da primeira quinzena do supra citado mês, com o tema de "FESTA DO EMIGRANTE" na bonita aldeia da Granja de Penedono, na região da Beira Alta.
Esta festa foi criada com o intuito de receber os emigrantes da vaga dos anos sessenta que partiu para as franças e suíças com a sua mala de cartão. Vamos revitalizar este evento e adaptá-lo aos novos emigrantes: os do canudo. Para que as duas gerações convivam em alegria e comunhão de espíritos.
--
Nota-se que há aqui um certo espirito visionário, ou uma tentaviva miserável de o ter. Portugal não podia estar pior, ou é impressão nossa? A páginas tantas... esta é a melhor altura para se regressar! Nem que seja para pegar na sachola.

Alerta máximo para os do canudo: é bom que estes não voltem com as inspirações ou aspirações arquitectónicas daquelas que nós já sabemos e vimos com total vergonha pelas nossas estradas e ruelas...

(a título pessoal e plural também e mais que não seja para apimentar a coisa ou ajudar à popularidade do evento (já é sabido que é receita de sucesso) queria anunciar que haverá raparigas solteiras e casadoiras (eu incluída). Como nos tempos antigos, a festa do emigrante seria uma boa ocasião para encontrar futuras consumações, isto se eu e as minhas amigas não tivermos tempo de ir ao Santo Antonio de Lisboa acender uma velinha este ano. Felizmente que estas coisas acontecem anualmente, há sempre uma esperança, se nao for desta, é para a próxima! Estamos também dispostas para requisitações de fotografia) Desculpem tentar fazer deste blogue um mini matefinder, foi só um pequeno aparte de quem já esta muito londrino/citadino.


Em alternativa, anuncio também outra festarola muito boa: Festival da Broa em Santa Cruz da Trapa, 11 de Agosto de 2011 (por confirmar). A acompanhar com o Andanças está claro.






sexta-feira, 25 de março de 2011

reestruturação a bem da nação

http://www.openeurope.org.uk/media-centre/summary.aspx?id=2564
continuo a insistir: declarar bancarrota (ou insolvência, ou lá como essa merda se chama), não deixar entrar nem FMIs nem derivados e arrastar a europa connosco até ao fundo. Devia-se circular esta ideia. Aposto que os bancos alemães iam começar a tremer e deixavam-se de rodriguinhos.

É uma decisão fundamental e política, que já vem sendo arrastada há meses, e que é justificável: afinal, não foi de um momento para o outro que o défice português disparou para os dois dígitos. Antes da crise deles, estava abaixo dos 3 por cento. Em última análise, só chegamos aonde chegamos por causa das receitas de austeridade, agências de rating e recessão generalizada na europa.

Como país pequeno que somos, a única arma que nos resta é ameaçar fazer afundar o barco.

quarta-feira, 9 de março de 2011

rendida

Fiquei rendida a esta menina... leiam este post, que ela escreveu sobre os portugueses a explorar o mundo.

http://www.saritamoreira.com/2011/01/os-portugueses-em-timor/

parva

já vi e ouvi a tal música que fez revolução, ontem pela primeira vez.

n1:
fiquei surpreendida, tem um tom romântico, estava à espera que fosse uma espécie de carvalhesa, mais activante, ou um "que força é essa" do sérgio godinho

n2: a letra faz todo o sentido, já ouvi comentários maus, mas eles escrevem dos amigos que conhecem e do que eles enfrentam...eu também tenho amigas que estão parvas.

n3: conheci a ana bacalhau, que para além de ser uma simpática, também se safa bem no palco em inglês.

n4: um brasileiro disse-me - essa coisa do fado no brasiu é negócio de salazar prá gente, mas esses aí são bem diferente...

(n5 um deles é muita giro)

afinal qual deles é que escreve as letras dos deolinda?

terça-feira, 8 de março de 2011

avaliações, livros, cursos, reuniões...

se tivesse um iphone com internet xpto até postava...

sábado, 5 de março de 2011

e a propósito de guerras e financiamento de guerras, uma conversa que eu fui ouvir e uns filmes muito bons que por lá se mostraram. sobre a guiné-bissau, a luta do PAIGC e o envolvimento das mulheres crianças, etc.

Não cheguei a ver o filme, mas "Guns for Banta" de 1970 de Sarah Maldoror deve ser bom. E triste, e outras coisas que aqui nunca direi mas que com o tempo se começarão a falar em portugal.
Têm a ver com a geração dos nossos pais que teve que enfrentar uma realidade bem difícil: a de fugir...ou lutar. Ou fugir e lutar.


http://www.gasworks.org.uk/exhibitions/detail.php?id=613
...alguém me chateou muito por eu dizer neo-colonislistas porque era muito pejorativo nesta discussão do encontro com o outro continente a sul de nós.

Não vou dizer mais nada. ah, vou só dizer: o que é que anda a mota engil a fazer em angola (malawi e etc.)? a ganhar dinheiro... como?! lá já há classe média está certo e muita gente a viver miserável, nos musseques, ou a ser deslocada para onde der mais jeito a quem dinheiro tem. bom enfim. eles lá das empresas são honestos como nós todos, mas não sei como fazem tanto dinheiro. ok ok não vou usar esse termo, porque não é correcto.

...

Agora, a propósito de outras gentes, outras gerações e outros exploradores, li há tempos um livro muito bom do recém aclamado Valter Hugo Mãe, chamado : "O apocalipse dos trabalhadores". O valter ganhou o prémio literário José Saramago em 2007 com o "Remorso de Baltazar Serapião" que deve ser muito bom de se ler.

Este livro (o apocalipse) fala da vaga dos trabalhadores do leste que invadiram portugal já há uns largos anos à procura de um trabalho na construção civil e nas limpezas. (Por aqui por londres temos falado muito de empregadas de limpezas do leste, não com elas, porque infelizmente ainda não dominam a língua, mas sobre os seus afazeres.) ...Fala do encontro com as portuguesas e da saudade que sentem ao deixarem a sua terra, à qual parece que nunca mais vão voltar. ...Fala da dificuldade que é ser emigrante.

...Amor e tentações às quais ninguém resiste...mulheres portuguesas que eles do leste acham baixas e gordinhas (!)
E como a este bom blogue convém, está escrito no estilo mais ordinário que se possa imaginar. Cheio de referências sexuais, explícitas, implícitas e escancaradas!

É muito bom, recomenda-se! Valter é e será um grande escritor.
Editora Quidnovi

domingo, 27 de fevereiro de 2011

essa confusão da geração e classe claro que é gerada pelas diferentes experiências vividas. ainda não ouvi a tal música dos deolinda. estou à espera de a ouvir ao vivo e a cores!

ora os tais que se queixam do carro para pagar e de ter que viver em casa dos pais são os que optaram por ficar por portugal: por preguiça, por amor, por conveniência ou porque sim...

os outros que puderam sair, ou que nem tiveram hipóteses porque os pais optaram por si mesmos, têm problemas também.

há uma imagem muito interessante nas páginas do cristianismo que é um pássaro a arrancar bocados de si para dar aos filhos. vi uma pequenina esculpida numa coluna da sé da guarda, mas não tenho aqui fotografia. quando tiver desenvolvo mais sobre o assunto. e é um bocado disso que nós somos feitos em portugal: autofágicos.


porém atenção: não se iludam com esses modelos ideiais sociais democráticos das suécias e etc.!! não vale a pena ir copiar já já essa juventude sem os perceber. eles são muito independentes, fazem tudo...mas dependem do governo, que por sua vez depende e se alia às empresas de sucesso como a volvo, a skanska, a hasselblad, a astrazeneka etc. que por sua vez começaram bem porque numa certa altura de uma guerra, a suécia andou a vender ferro a uns certos senhores alemães e a permitir-lhes o acesso à rússia...ajudava uns (era neutra) e outros e lucrou com isso. E MUITO! por isso somos todos mauzões.


os suecos há uns anos atrás não passavam de pobres camponeses. tenhamos menos ciúmes. mandemos menos exploradores para fora, conquistar o mundo e esbanjar tudo como dantes e já agora acho bem que se tenha acabado com essa coisa um bocado estúpida que andou a ser o inov-arte. foi o mesmo nos descobrimentos. esbanjar os nossos recursos para nos mandar para fora e depois não dar condições para nos voltar a receber. e perder tudo...


seremos eternos exploradores do mundo? por isso é que eu digo: neo-colonialistas.
mas desta vez com respeito e sem racismos.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vale a pena ler isto, a propósito da confusao que aí anda entre geracao e classe

receita

porque nada vem do nada e nada na vida se faz sem comida... aqui vai um hit muito popular nos anos oitenta, felisminas!

ingredientes:
250 gramas de açucar
250 gramas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
3 ovos
1 chávena de leite
100 gramas de manteiga (derretida)

açucar e canela para polvilhar em cima

Misturar a farinha, os ovos e o leite. Mexer bem.
Juntar o açucar e o fermento em pó e no fim juntar a manteiga derretida. Mexer com convicção

30 minutos no forno pré-aquecido. Deve-se colocar a massa numa forma rectangular e larga para se obter uma espécie de rectângulo com cerca de 4 cm de altura.

Quando o preparado estiver pronto, cortar aos quadradinhos. Misturar o açucar e canela e polvilhar em cima das felisminas.
Bom apetite. (melhor ainda se for saboreado a ouvir músicas do Sérgio Godinho)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

pessoal

fujam de portugal
neo-colonialismo é o que está a dar.
onde estão as regras do novo acordo ortográfico? afixadas nas ruas em placards?

post não autorizado

Não foi conseguida uma autorização oficial a tempo para poder publicar este post, mas tendo tanta graça, estando tão bem escrito optámos por o fazer. Foi escrito há sete anos atrás, aliás dactilografado. (os blogues eram assim).

"Um imbecil de um seropositivo aborda-me, vangloriando-se de que eu até já o conhecia - a conversa é sempre a mesma. Como sabes, não abunda em mim paciência para imbecis, muito menos seropositivos. E este já me fez das boas, pediu-me 5 cêntimos numa estação de metro e foi gastá-los num snickers. Respondo-lhe que a ele, em particular, não lhe dou nada, precisamente por causa deste episódio. E explico: com o euro que gasta na máquina pode ir a uma padaria, frutaria ou até pastelaria; pode gastá-lo num pão, uma fatia de fiambre e uma fatia de queijo. Mas ele tem uma carta na mão e responde, não fosse ele um idiota chapado (por isso é que é mendigo), que até nem é esse o costume dele, devia ser de noite quando eu o vi, porque ele até costuma comer snickers em pacotes de 3, compra-se na mercearia. Aí enervo-me e insulto-o, ele defende-se, até nem é toxicodependente, não bebe, não fuma, o único prazer que tem na vida é o chocolate snickers; e vai-se embora.
Chamo-o de novo, espera aí não te vás, estou muito arrependido, tu até és esperto, tens de tentar perceber. Agora me apercebo o bando de inergúmenos que estava comigo, gente esperta e de boas famílias, está com medo ou vergonha; insistentemente me pedem para o deixar ir, que ele não vai ligar ao que eu digo nem sequer se vai lembrar do que disse. Discuti um pouco com eles, passado meia hora não tinham mudado de opinião. Uma colega de medicina argumentou inclusivé que um snickers é mais nutritivo que uma sopa, o que eu nem quero discutir...Será que são teimosos ou realmente não percebem? Eram pessoas tão inteligentes...

(...) Tudo o que contei é verdade, mas podia não ter acontecido."

autor Zé, deste blogue

Ouvi falar do protesto da geração à rasca, através dessa plataforma a que somos obrigados agora a comparecer, que é o facebook.

Já tinha pensado nisso, porque bem cedo nos tempos de faculdade vi que um dia mais tarde...me iria ver à rasca.

Na minha humilde opinião de pessoa com paizinhos medianamente abonados, um dos problemas foi que os nossos pais, há uma ou duas décadas atrás, para terem sucesso nos seus escritórios e atelieres, arranjaram estagiários. Porém, para terem sucesso nas suas famílias (as poderem levar de férias e passear no carro grande) tiveram que fazer contas à bolsa e criaram esta moda de não pagar aos estagiários. Faziam-nos acreditar de que estavam a começar por baixo, para um dia chegarem ao topo. A moda entretanto pegou.

Ora a geração dos meus (filhos dos tais pais) foi depois viajar e estudar para fora, aculturar-se, aprender novas línguas, estender os horizontes. Viu muito e gostou de tudo. Quando um dia quis voltar, percebeu que não podia. Os chefes eram os paizinhos que chefiavam tudo com um olho no seu ofício e duas mãos nas suas contas bancárias.

E isto é a história dos meninos privilegiados, porque dos outros nem consigo falar.

pois...um amigo meu disse-me: quoeficiente de maluqueira. não de inteligência.

uma outra crise é possível

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

quem terá sido o génio a inventar as ETTs?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

na verdade estive a pensar e acho que deveriamos era partir para um blogue de comentarios culinarios. Eu gosto de comer como uma pessoa grande. Voces, pessoas grandes, gostam de comer como gente normal...sera' que poderiamos partilhar as nossas diferentes experiencias gastronomicas com o mundo atraves deste lugar?

como esta menina simpa'tica: http://www.flagrantedelicia.com/

se calhar iriamos engordar muito com isso...ela come os bolos todos que faz?
Ja' li.
Aqui ha tempos andei a gozar com uns amigos sobre as suas segundas adolescencias. Isto pareceu-me que era claro que ha' pessoas que vivem um forte adolescencia e depois assentam e outras que nao a vivem e teem que a viver mais tarde na vida. So' que se calhar com cada um e' diferente. Todos que me abrem o seus livros mostram coisas muito distintas.

Entretanto encontrei este livro do Keil do Amaral (que foi um homem prolifico) chamado "Humor de Arquitecto". La' no livro tinha uma tirada sobre as idades da vida que me pareceu uma visao muito boa sobre o assunto. Ele desprezou a classificacao das fases da vida em infancia, adolescencia, maturidade e velhice, mas criou um sistema que era o da "infancia. adolescencia, efervescencia, incandescencia, suficiencia e decadencia". Nao vou falar delas todas, so' de duas que sao bem engracadas:

"a suficiencia":
e' a fase "em que nos convencemos de que os nosos paizinhos, ou os nossos chefes de reparticao, sao umas bestas, culturalmente inferiores e sem ao menos se terem apercebido de que o mundo dera, ultimamente, um grande passo em frente..."
logo a seguir "a eficiencia":
a fase "em que nos tornamos em fervorosos admiradores das nossas proprias capacidades" e achamos que "se faltarmos uns dias ao escritorio, ou ao consultorio, ou 'a reparticao, os negocios param, os doentes morrem e a burocracia entra em crise." Interessante?!

bom...nao resisto e conto-vos a "decadencia":
a fase em que "tendo acumulado ao longo dos anos uma vasta e profunda experiencia da vida e das coisas verificamos que (...) ja' para pouco nos serve sem a imaginacao criadora, o arrojo, a irreverencia forca fisica, o prazer do risco, que se gastaram em fases anteriores."

Esta devera' ser a impotencia! Mas isso eu nao sei que sou mulher.
Desculpem la' a ultima, mas isto e um blogue que surge da ordinarice.

Keil do Amaral. Humor de Arquitecto Compilacao, introducao e notas de Pitum Keil do Amaral. Editora Argumentum

sábado, 19 de fevereiro de 2011

como sabemos, e nós ainda melhor do que eles, o rumo pode ser dado em função do destino final, mas também pode ser dado pelo caminho e o caminho é tudo. é a velha questão dos meios e dos fins. mas, sejamos rigorosos, relativamente a fins poucos têm certezas, os meios é o que nos interessa, e já contava kant que devemos fazer dos meios fins -- e assim seremos felizes.

e à segunda semana de berlinale viu-se cinema. é engraçado como passados 100 anos esta arte se consiga reinventar a cada sessão. sem o típico corte com a tradição, ou o choque despropositado, mas a surpresa no seu travo mais doce. vai-se ao cinema e vê-se literatura

este filme é um romance. um novo caminho para o cinema. a primeira exploração do sonho, da video-arte e do cinema clássico de uma forma perfeitamente equilibrada. a narrativa interlaçada com a reflexão, o road-movie em forma intimista. nada disto seria novidade se não o fosse e tudo em simultâneo. é ver é ver

o mais engraçado é que o actor principal era um andré silveira americano, que por coincidência era topógrafo. ele há coisas...

"here", de braden king
Barclays pagou impostos equivalentes a 1% dos lucros
eh...este fundo preto e mesmo preciso? E' um bocado agressivo aos olhos...O preto ja passou de moda. Branco ficava melhor. okok....vou ler.
ora boas.
Finalmente decidi aceitar o convite feito ha ja muito tempo por um homem nascido na russia, convite que na altura me pareceu muito simpatico, mas ao qual nao consegui dar seguimento porque andava muito atarefada na vida. Vou agora tentar comecar, devagarinho, a ver no que isto da. Desde ja muitos parabens ao segismundo brutamontes. Nao sei quem ele e mas suspeito quem seja, talvez um homem de la de gradiz - "a terra que deus nao quis" (...deixar dizem os populares). E de vos todos o mais prolifico, contribuidor e ate poetico. Parabens.
O Ze tambem e muito bom: breve, sempre subtil... mas mordaz! So que ja andava aqui a faltar uma vozinha feminina nao?

Isto foi um comeco muito familiar, eu sei que nao convem porque ate estou a pensar convidar mais gente para animar isto e eles ainda ficam inibidos de nos ler. Era so para entrar simpatica e agradavel...

Acho que nao vou usar o novo acordo ortografico, porque para ja nao me apetece. Quanto aos acentos, peco desculpa mas estou a teclar num teclado internacional e isto e complicado. Mas atencao, olhem que eu sou sempre acusada de ser uma "ceptica" o que nao e verdade pois eu sou pragmatica. Qual e o rumo deste blogue? E matar saudades uns dos outros? E falar de Politica? De arte? De Arquitectura? de Hidrologia e do Vietname? Ou jabardice? temos que dar um rumo concreto a isto. Pensem nisso meus amigos!

Agora vou ver se me ponho a ler um livro, ir a uma exposicao ou ler o jornal para poder mandar uma farpa inteligente e cativadora.

Ate breve, vamos a ver se desta vez eu...consigo. ...Convosco, Mariana

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

como se de um blogue a sério se tratasse (em si uma aguda contradição), damos as boas vindas a uma nova participação neste actualíssimo e influente pasquim

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

o jmfernandes escreveu um textinho sobre o modelo de desenvolvimento português que agora muito circula por feicebuques e afins. esqueceu-se de um ou dois pontos. nem dá para acreditar na falta de honestidade. vou esclarecer

JMF omite descaradamente as principais causas para o endividamento, que foram

1. o crédito barato, propositadamente barato para o consumo crescer em contenção salarial. Isto não é culpa dos portugueses, em última análise apenas é culpa deles por não terem acordado mais cedo para a balbúrdia que se passava na altas esferas do poder e da finança. Este texto serve apenas e só para fragilizar a luta actual contra a ainda maior precarização das condições de trabalho, contra uma política de contenção salarial e desinvestimento, em suma, a austeridade, num período de contra ciclo. Isto é populismo do mais puro.

2. Os desequilíbrios no orçamento de estado devem-se quase exclusivamente às brincadeiras de adolescente de quem detinha o capital. Os mesmos que eram os braços direitos de antigos governantes, que chegaram aonde chegaram não por mérito próprio mas por relações de nacional-porreirismo. Quem paga o buraco BPN, ou o buraco das cajas em espanha, ou o buraco dos bancos irlandeses, ou o buraco dos bancos ingleses, ou dos bancos alemães, ou dos bancos franceses? Paga o POVO, directa ou indirectamente, quer através de austeridade, quer através de taxas de juros de usura sobre a dívida soberana. Porque as instituições financeiras chegaram agora à conclusão que precisam de mais cuidado quando emprestam, porque têm ainda o seu próprio buraco para tapar. O problema é que estão a emprestar para o estado tapar o buraco das mesmas instituições financeiras! Too big to fail! é a vida...

Para quem leu o dito textinho, não fomos "nós" que espoliámos esta geração. Foi, pura e simplesmente uma política que permitiu o crescimento económico assimétrico, os ricos a ficarem cada vez mais ricos e o resto na mesma. Realmente fomos "nós" que permitimos que tudo acontecesse, mas não pelas razões do JMF. Realmente é fácil acusar a humanidade inteira pelos erros de uns tantos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

uma geração parida abaixo de zero...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Até em Setúbal! porra, que dia mais triste...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

sempre me custou não saber fazer uma açorda em condições. Idem quanto às migas e cuscos. Desde o advento do arroz, batata e massa, como acompanhamentos dominantes -- e já o facto de lhes chamarmos acompanhamentos diz muito da forma como tratamos o potencial destes ingredientes -- que se perdeu na cozinha quotidiana o gosto pelo pão recesso. A própria imaginação da cozinha popular se perde entre bifes, bitoques e peixes grelhados, sempre acompanhados pelos invariáveis arrozes e batatas.

Ora, neste de dia de reflexão, eu saio à rua e digo basta!

É hora de aprender. Há alguém que me possa ensinar?