quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Mais uma legislatura que passou e nós sem um novo blogue. Quanto ao próximo acto eleitoral: se este blogue tivesse um voto nas autárquicas daqui a uma semana,a sua escolha iria cair num grandessíssimo escroto desenhado a caneta de feltro ou felpo ou felto ou lá o que é, de 3 mm, no boletim de voto. Volto hoje a Berlim.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
muito rapidamente, depois respondo melhor ao restante: há 400 000 alunos no superior público. 400 000 * 900 eur (propinas) igual a 360 milhoes. Os benefícios em IRS valem 356 milhoes. As migalhas já davam para pagar todos os anos o ensino superior a todos os alunos...
óbvio que isto são contas de merceeiro e as coisas não funcionam assim tão facilmente. Nem os benefícios fiscais do IRS seria todos eliminados. Mas pronto, digamos um quarto da propina já pagavam...
óbvio que isto são contas de merceeiro e as coisas não funcionam assim tão facilmente. Nem os benefícios fiscais do IRS seria todos eliminados. Mas pronto, digamos um quarto da propina já pagavam...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
não acho que tenha ficado sem resposta, mas isso são pontos de vista. Para mim o argumento estava dado e, a não ser que sigamos as regras do debate televisivo -- numa linha, o último a falar é quem tem razão -- não consigo vislumbrar qualquer contra argumento do lado de JS.
Os benefícios fiscais têm tudo a ver com a classe média, porque são as classes média e alta que os aproveitam. Ora, sendo a classe média em número muito superior do que alta (infelizmente), o grande buraco nas contas do estado vem da primeira. Servindo a política fiscal como arma de redistribuição da riqueza e atenuadora de diferenças sociais, não faz sentido que esteja a contribuir para mais uma. Na prática, está a servir como um incentivo à diferenciação à partida. Uma família de classe média alta passa a ter um desconto na mensalidade de um colégio privado para os seus filhos, ao passo que uma família de classe média baixa nunca poderia pagar a mensalidade desse mesmo colégio, pelo que passa a não beneficiar desse mesmo desconto. Em vez disso, vai ter de gastar o seu dinheiro em manuais escolares, que o estado não consegue pagar porque gastou dinheiro desnecessário e indutor de desigualdades a pagar o colégio do mais rico. Isto é apenas um exemplo, podemos pegar em qualquer outro. Há ainda outro argumento, é que os benefícios fiscais podem ir até cerca de 3700 euros por ano, valor que os trabalhadores pior pagos não conseguem sequer atingir em taxas de IRS. Portanto nunca poderão usufruir da totalidade do benefício fiscal. Só isto já revela a injustiça da actual política fiscal e revela a relação entre os benefícios fiscais e a classe média. E os nossos pais vão ficar a perder 3700 euros por ano. É essa a relação. No entanto quando eu estiver a trabalhar em part time (mas com contrato) e não pagar impostos suficientes para poder recuperar 3700 euros vou pelo menos ter à minha disposição melhores serviços públicos.
E não concordo com o argumento das migalhas, em parte por isto: http://resistir.info/e_rosa/beneficios_fiscais_set09.html
e em parte porque essas migalhas podem ser imediatamente desviadas para pagar livros escolares ou medicamentos.
Quanto à saúde pergunto: achas mais provável o bloco ou o PS proibirem a acumulação de funções? De resto não percebi muito bem o que querias dizer com as taxas moderadoras.
Não concordo quanto ao ensino superior. Acho que deve abrir-se ainda mais a quem quer que lá queira estudar. Prefiro mil vezes um desempregado licenciado em biologia ou gestão do que um desempregado sem nenhuma qualificação. E qual é o problema de um licenciado trabalhar na construção civil? Só uma universidade aberta a todos pode ser um mecanismo de inclusão social (e atenção que nos últimos anos ficaram por preencher milhares de vagas no ensino superior, portanto há mais oferta do que procura). Idealmente esse seria o papel do ensino básico e secundário, mas não o podendo cumprir, pelo menos que a universidade faça a sua parte. Depois, bons alunos, investigação e bolsas, isso é outra história, e aí é que não vamos lá com migalhas.
O alegado não serviu para duvidar da tua história. Eu acredito nela e até a compreendo. Quanto a saneamentos, não conheço nenhum no BE, mas não estou muito informado da sua política interna.
E, ó andré, eu também não gosto do estilo do FL, mas olha, gosto menos dos outros!
Os benefícios fiscais têm tudo a ver com a classe média, porque são as classes média e alta que os aproveitam. Ora, sendo a classe média em número muito superior do que alta (infelizmente), o grande buraco nas contas do estado vem da primeira. Servindo a política fiscal como arma de redistribuição da riqueza e atenuadora de diferenças sociais, não faz sentido que esteja a contribuir para mais uma. Na prática, está a servir como um incentivo à diferenciação à partida. Uma família de classe média alta passa a ter um desconto na mensalidade de um colégio privado para os seus filhos, ao passo que uma família de classe média baixa nunca poderia pagar a mensalidade desse mesmo colégio, pelo que passa a não beneficiar desse mesmo desconto. Em vez disso, vai ter de gastar o seu dinheiro em manuais escolares, que o estado não consegue pagar porque gastou dinheiro desnecessário e indutor de desigualdades a pagar o colégio do mais rico. Isto é apenas um exemplo, podemos pegar em qualquer outro. Há ainda outro argumento, é que os benefícios fiscais podem ir até cerca de 3700 euros por ano, valor que os trabalhadores pior pagos não conseguem sequer atingir em taxas de IRS. Portanto nunca poderão usufruir da totalidade do benefício fiscal. Só isto já revela a injustiça da actual política fiscal e revela a relação entre os benefícios fiscais e a classe média. E os nossos pais vão ficar a perder 3700 euros por ano. É essa a relação. No entanto quando eu estiver a trabalhar em part time (mas com contrato) e não pagar impostos suficientes para poder recuperar 3700 euros vou pelo menos ter à minha disposição melhores serviços públicos.
E não concordo com o argumento das migalhas, em parte por isto: http://resistir.info/e_rosa/beneficios_fiscais_set09.html
e em parte porque essas migalhas podem ser imediatamente desviadas para pagar livros escolares ou medicamentos.
Quanto à saúde pergunto: achas mais provável o bloco ou o PS proibirem a acumulação de funções? De resto não percebi muito bem o que querias dizer com as taxas moderadoras.
Não concordo quanto ao ensino superior. Acho que deve abrir-se ainda mais a quem quer que lá queira estudar. Prefiro mil vezes um desempregado licenciado em biologia ou gestão do que um desempregado sem nenhuma qualificação. E qual é o problema de um licenciado trabalhar na construção civil? Só uma universidade aberta a todos pode ser um mecanismo de inclusão social (e atenção que nos últimos anos ficaram por preencher milhares de vagas no ensino superior, portanto há mais oferta do que procura). Idealmente esse seria o papel do ensino básico e secundário, mas não o podendo cumprir, pelo menos que a universidade faça a sua parte. Depois, bons alunos, investigação e bolsas, isso é outra história, e aí é que não vamos lá com migalhas.
O alegado não serviu para duvidar da tua história. Eu acredito nela e até a compreendo. Quanto a saneamentos, não conheço nenhum no BE, mas não estou muito informado da sua política interna.
E, ó andré, eu também não gosto do estilo do FL, mas olha, gosto menos dos outros!
domingo, 13 de setembro de 2009
ainda sobre o louçã
sobre um texto do pacheco pereira vale a pena ler este comentário:
http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2009/09/post_23.html
http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2009/09/post_23.html
e agora que li, discordo mesmo. FL perdeu as estribeiras, porque JS fingiu que nao percebeu o que se ali estava a discutir quando FL apresentou a sua proposta de simplificacao fiscal. JS pensou que FL quereria esconder essa medida do seu eleitorado, nada mais errado, essa é uma medida fundamental do seu programa, porque só ela representa mudanca. Mais nenhum partido à sua direita a apresenta e no entanto, é possível que seja a medida mais pragmática e liberal que está a ser debatida actualmente -- e logo vinda do BE... Esta medida e a insistencia de JS em a criticar, só desmascara a política do próprio: favorecer o grosso do eleitorado de classe média dando-lhe umas migalhas, mas depois hipotecando toda a sociedade no que diz respeito à universalidade do sistema de saúde ou do acesso à educacao. Em suma, JS está a favorecer a geracao dos meu pais, que beneficiou de pleno emprego, plena insercao na funcao pública e contratos por conta de outrém vitalicios, em detrimento de todos os portugueses com menos de 40 anos, que nao entraram nesse sistema de beneficiários e subsídios e que foi deixado por sua conta em trabalhos temporários ou por conta própria. E aí é que sao elas, FL deu uma machadada na esquerda do centrao e na direita de uma só vez. E com isso apresentou o seu partido como um partido de governo. Resta saber se, tirando a cúpula dirigente, o resto do partido está à altura.
Quanto à alegada alegria de FL aquando do alegado encerramento de uma alegada fábrica e consequente tristeza dos muitos trabalhadores que perderam emprego, causada pela perspectiva de mais 15 min de ataques ao governo num telejornal,
1. FL é um revolucionário. A dor que sente com injusticas sociais é a geral, nao a particular. As desigualdades, a pobreza e a exclusao causam-lhe decerto tanta angústia como a mim e a outros. Simplesmente é da sua profissao instrumentalizar o sofrimento dos outros em proveito da sua causa, tal como todos os outros políticos o fazem. Que no decorrer do seu dia a dia se alegre quando lhes aparece mais uma oportunidade de passar a sua mensagem nao deve ser único a FL
2. A direita é que inventou essa coisa da caridade
3. Já na correspondencia, Lenine se queixa das boas condicoes de vida do proletariado norte americano, pois isso nao permitiu o pleno desenvolvimento de um partido comunista nos EUA (admito, nao é o melhor exemplo...)
Quanto à alegada alegria de FL aquando do alegado encerramento de uma alegada fábrica e consequente tristeza dos muitos trabalhadores que perderam emprego, causada pela perspectiva de mais 15 min de ataques ao governo num telejornal,
1. FL é um revolucionário. A dor que sente com injusticas sociais é a geral, nao a particular. As desigualdades, a pobreza e a exclusao causam-lhe decerto tanta angústia como a mim e a outros. Simplesmente é da sua profissao instrumentalizar o sofrimento dos outros em proveito da sua causa, tal como todos os outros políticos o fazem. Que no decorrer do seu dia a dia se alegre quando lhes aparece mais uma oportunidade de passar a sua mensagem nao deve ser único a FL
2. A direita é que inventou essa coisa da caridade
3. Já na correspondencia, Lenine se queixa das boas condicoes de vida do proletariado norte americano, pois isso nao permitiu o pleno desenvolvimento de um partido comunista nos EUA (admito, nao é o melhor exemplo...)
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