domingo, 25 de julho de 2010
Simphonie der Großstadt (excertos)
Em 1927 Berlim tinha mais um milhão de habitantes do que hoje. A avaliar pelas imagens, tinha também melhores restaurantes...
Que filme!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ostrom

Muitas vezes nos questionamos sobre qual será o espaço de intervenção razoável em questões de dimensão global. O ambiente, a economia global ou a conservação do património são exemplos de questões que nos põem muits vezes reservas quanto à validade da nossa acção local: sem o todo de nada vale a parte.
Daí que se fale de espaços ou níveis de intervenção. De que vale para o clima na terra Portugal deixar o paradigma do automóvel, se na China se vendem mais carros num ano do que os existentes em Portugal? Vale a pena a Europa abraçar sozinha o cap and trade, ficando o resto do mundo de fora? E indo mais longe, devo pastar menos o meu baldio para o conservar, ignorando se os vizinhos vão seguir os meus passos ou não?
A resposta para tudo é sim. Economicamente, os baldios gerem-se por si mesmos, porque constituem um bem comum e porque o homem tem uma capacidade de aprendizagem social, semelhante a outras espécies. Esta descoberta, resultado de anos de recolha de conclusões de estudos de outros cientistas valeu o Nobel a Ostrom. A tragédia dos comuns, já aqui referida, transforma-se num drama: a humanidade pode colapsar, mas o predicado é "pode" e não "vai". A mensagem é poderosa, mesmo a nível político: a acção deve ser tomada independentemente de consensos mundiais ou comunitários. A espera por uma acção global comum é, previsivelmente, longa. E as acções individuais encurtam essa espera para o resto da comunidade.
De acordo com Hardin e Olson, é necessário ou propriedade privada ou mão governamental para gerir um baldio. De facto, a acção de múltiplos actores independentes gera um sistema caótico, onde no final ou morrem os actores, ou acaba-se com a pastagem. O que acontece é que o pressuposto desta teoria está errado. Como sempre, os actores em volta de um recurso comum não são independentes, pertencem a uma comunidade (tirando casos extremos como a água do rio Jordão). A teoria de Hardin funciona quando há situações anónimas, mais adequadas à realidade da internet, lema que fica por provar.
O acrescento de Olstrom:
- a racionalidade do homem é limitada, mas tem capacidade de aprender
- o homem pretende em geral o bem comum
- o homem não tem informação perfeita
Os resultados são que a propriedade privada não assegura a sustentabilidade global do sistema; regras vindas de cima aumentam as ineficiências; organização local optimiza os custos de monitorização e maximiza a eficiência do sistema.
O exemplo mais flagrante é o das supostas economias de escala nas escolas secundárias norte americanas. Como já é do conhecimento público, houve um agravamento da qualidade de ensino e do aproveitamento e doa custos globais do sistema quando se fecharam escolas pequenas e as integraram em super escolas. O mesmo se passou com as esquadras de polícia.
Tudo isto se resume a uma teoria chamada policêntrica, onde se rejeita a intervenção cega de cima para baixo e se assume que todos os níveis e principalmente os níveis locais de participação e acção colectiva são importantes.
A mensagem inspirou. Acabou com uma crítica à academia, que insiste em desprezar a acção directa e local, por falta de resultados globais.
domingo, 11 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
a alemanha despachou a argentina com 4 secos, humilhou a inglaterra com um futebol leve, atacante e criativo, e os comentadores da rtp ainda falam do "calculismo", da "frieza na organização" ou da "inteligência mecânica" da equipa. porra, eles jogam é bem à bola, é o que é:
Argentina 0-3 Germany
Perry | MySpace Video
Argentina 0-3 Germany
Perry | MySpace Video
o circo dos mercados financeiros
there was a big scare in the fall of 2009, based on, well, nothing. paul krugman, hoje.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
e aqui vai a história do meu irmão, sem pagar direitos de autor:
Os polícias, quando devem, não fazem nada. Se calhar porque andam cansados de malhar no pessoal do Bairro do Cerco.
Vou explicar:
No passado Domingo fiz um concerto na Fundação Trepadeira Azul. Trata-se de uma Fundação, constituída exclusivamente pelos bens do Mário Martins, sem quaisquer financiamentos públicos, que entendeu que deveria colocar o seu parco património ao serviço da comunidade.
Esta Fundação funciona numa quinta do Vale do Mondego (Aldeia Viçosa), e tem como principais objectivos a catalogação, conservação e preservação de espécies de Fauna e Flora da região, bem como a mobilização da sociedade em redor de uma zona notável e riquíssima em termos naturais e antropológicos (e também sociológicos, como se irá ver) - o Vale do Mondego - através da agricultura biológica, projectos de desenvolvimento, da valorização sustentável dos produtos locais, da cultura e das artes.
Neste âmbito têm realizado inúmeras actividades, e a última foi conseguir mobilizar a cooperativa de azeite para importar um lagar italiano novo, servido da mais avançada tecnologia, que permite fazer azeite biológico a frio e nas melhores condições de higiene e exigência, sem a utilização de combustíveis ou qualquer forma de combustão.
Enfim, já percebem que se trata de gente que sabe o que anda a fazer.
Mas dizia eu, a Fundação Trepadeira Azul organizou um concerto em que se apresentou o meu grupo "Capela de Música Egitanea", cujo programa era subordinado ao tema "Naturalismos". Ali fez-se música de Vivaldi, Eurico Carrapatoso, Mozart, Telemann, Charpentier, Geminiani e Carlos Seixas.
Fez-se, mas nem sempre se ouviu. E porquê?
Porque uns selvagens, um dos quais o presidente da junta de Aldeia Viçosa, decidiram ir urrar, gritar e soprar para dentro de vuvuzelas, à porta do concerto, por forma a boicotá-lo, naquilo que os mesmo, entre zurrarias, gritos e ameaças de morte, chamavam uma manifestação!
continua...
E quais as razões que os caciques apresentaram para o inacreditável protesto? É que, supostamente, a Fundação Trepadeira Azul chamou a GNR sempre que nos últimos anos o presidente da junta decidiu fazer despejos de lixo de forma repetida e violentamente em terrenos do parque natural da serra da estrela. Para além disso, a Fundação alertou as autoridades para o facto do lançamento de foguetes e morteiros durante a romaria da santa local estar a violar ostensivamente a lei, quer pelo perigo de incêndio que causa no parque natural, quer pelo barulho que produzem, quer por serem pura e simplesmente proibidos.
É claro que isto não aconteceu apenas uma vez. Aconteceu dez vezes, e no anos seguinte a junta prosseguiu no incumprimento das normas legais, incorrendo repetidamente nestas e noutras ofensas ambientais ao parque natural (algumas têm que ver, também, com construção ilegal junto ao Mondego. Isto tudo é notável).
Quando chegámos ao concerto, ninguém queria acreditar! O autarca zurrava e tocava vuvuzelas, protegido pelos seus jagunços! Chamou-se a GNR, é claro, mas as vuvuzelas e os zurros continuaram, argumentando que estavam a comemorar a vitória da Argentina e a protestar contra o facto de não se terem pago direitos de autor para aquele concerto (!!!).
A berraria do presidente da junta era constante, e no meio de vários zurros, o que se ia percebendo era que por causa desse "filho da puta" (o Mário Martins, fundador da Trepadeira Azul) ele "já tinha lá dez multas de 4000 euros para pagar"!
Em Portugal, já não existe direito, segurança ou polícia. As regiões estão mafiadas, e o que subsiste é a lei do cacique e de seus jagunços (ainda há duas semanas, um tipo da Guarda teve que vender o seu café em Sortelha - o seu modo de vida e seu sustento - e a sua casa no Sabugal, porque já não suportava mais as ameaças e as pressões dos caciques locais contra ele, que apenas tem lutado contra a colocação de turbinas eólicas na aldeia histórica de Sortelha, património histórico incomparável. A civilização perdeu a guerra contra a barbárie. Isto chama-se capital.)
Bom, mas a história do concerto da Fundação, por mais estranho que pareça, ainda não chegou à parte mais inacreditável.
continua...
No meio do público que tentava ouvir o concerto, estava o Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda - a melhor casa de espectáculos em Portugal -, representando-se apenas a si próprio, é claro. A certa altura, o Américo, um pouco farto daquela história, foi tentar acalmar os ânimos, referindo, suponho, que se o presidente da junta tem lá dez multas de 4000 euros para pagar é porque violou a lei, e não por causa de "filho da puta" nenhum.
Resultado: esta semana houve assembleia municipal na Guarda. O dito cacique, presidente da junta de Aldeia Viçosa, decidiu, na dita, dar corpo à sua vingança pessoal: fez uma proposta de redução de 20% do orçamento do Teatro Municipal da Guarda em 2010 e mais 30% em 2011. O remanescente reverteria a favor das Juntas de Freguesia.
Como é evidente, ninguém pode fazer propostas que não estejam na ordem de trabalhos. Assim, alterou-se a proposta para uma recomendação. Mesmo assim, não se podem submeter recomendações depois de começar a ordem do dia. Mas não faz mal: o presidente da mesa aceitou na mesma. Submeteu-se à votação e.... a proposta passou! E com poucos votos contra! O da CDU foi contra, é claro, mas outros terá havido.
Ou seja, como um selvagem não pode despejar lixo no parque natural, toda a região, todo o país, perde na sua vingança. O Américo sabe, e todos sabemos, que o TMG com menos 20% de orçamento, terá que fechar.
São estes jagunços que detêm o poder em Portugal. O nosso país, o nosso espaço de luta, de desenvolvimento, acabou.
Vale a pena ir ao blog do Américo Rodrigues www.cafe-mondego.blogspot.com e acompanhar os posts e comentários sobre o assunto a partir do post Música Vuvuzelas e podel local, do dia 28 de Junho.
João Pedro Delgado
Os polícias, quando devem, não fazem nada. Se calhar porque andam cansados de malhar no pessoal do Bairro do Cerco.
Vou explicar:
No passado Domingo fiz um concerto na Fundação Trepadeira Azul. Trata-se de uma Fundação, constituída exclusivamente pelos bens do Mário Martins, sem quaisquer financiamentos públicos, que entendeu que deveria colocar o seu parco património ao serviço da comunidade.
Esta Fundação funciona numa quinta do Vale do Mondego (Aldeia Viçosa), e tem como principais objectivos a catalogação, conservação e preservação de espécies de Fauna e Flora da região, bem como a mobilização da sociedade em redor de uma zona notável e riquíssima em termos naturais e antropológicos (e também sociológicos, como se irá ver) - o Vale do Mondego - através da agricultura biológica, projectos de desenvolvimento, da valorização sustentável dos produtos locais, da cultura e das artes.
Neste âmbito têm realizado inúmeras actividades, e a última foi conseguir mobilizar a cooperativa de azeite para importar um lagar italiano novo, servido da mais avançada tecnologia, que permite fazer azeite biológico a frio e nas melhores condições de higiene e exigência, sem a utilização de combustíveis ou qualquer forma de combustão.
Enfim, já percebem que se trata de gente que sabe o que anda a fazer.
Mas dizia eu, a Fundação Trepadeira Azul organizou um concerto em que se apresentou o meu grupo "Capela de Música Egitanea", cujo programa era subordinado ao tema "Naturalismos". Ali fez-se música de Vivaldi, Eurico Carrapatoso, Mozart, Telemann, Charpentier, Geminiani e Carlos Seixas.
Fez-se, mas nem sempre se ouviu. E porquê?
Porque uns selvagens, um dos quais o presidente da junta de Aldeia Viçosa, decidiram ir urrar, gritar e soprar para dentro de vuvuzelas, à porta do concerto, por forma a boicotá-lo, naquilo que os mesmo, entre zurrarias, gritos e ameaças de morte, chamavam uma manifestação!
continua...
E quais as razões que os caciques apresentaram para o inacreditável protesto? É que, supostamente, a Fundação Trepadeira Azul chamou a GNR sempre que nos últimos anos o presidente da junta decidiu fazer despejos de lixo de forma repetida e violentamente em terrenos do parque natural da serra da estrela. Para além disso, a Fundação alertou as autoridades para o facto do lançamento de foguetes e morteiros durante a romaria da santa local estar a violar ostensivamente a lei, quer pelo perigo de incêndio que causa no parque natural, quer pelo barulho que produzem, quer por serem pura e simplesmente proibidos.
É claro que isto não aconteceu apenas uma vez. Aconteceu dez vezes, e no anos seguinte a junta prosseguiu no incumprimento das normas legais, incorrendo repetidamente nestas e noutras ofensas ambientais ao parque natural (algumas têm que ver, também, com construção ilegal junto ao Mondego. Isto tudo é notável).
Quando chegámos ao concerto, ninguém queria acreditar! O autarca zurrava e tocava vuvuzelas, protegido pelos seus jagunços! Chamou-se a GNR, é claro, mas as vuvuzelas e os zurros continuaram, argumentando que estavam a comemorar a vitória da Argentina e a protestar contra o facto de não se terem pago direitos de autor para aquele concerto (!!!).
A berraria do presidente da junta era constante, e no meio de vários zurros, o que se ia percebendo era que por causa desse "filho da puta" (o Mário Martins, fundador da Trepadeira Azul) ele "já tinha lá dez multas de 4000 euros para pagar"!
Em Portugal, já não existe direito, segurança ou polícia. As regiões estão mafiadas, e o que subsiste é a lei do cacique e de seus jagunços (ainda há duas semanas, um tipo da Guarda teve que vender o seu café em Sortelha - o seu modo de vida e seu sustento - e a sua casa no Sabugal, porque já não suportava mais as ameaças e as pressões dos caciques locais contra ele, que apenas tem lutado contra a colocação de turbinas eólicas na aldeia histórica de Sortelha, património histórico incomparável. A civilização perdeu a guerra contra a barbárie. Isto chama-se capital.)
Bom, mas a história do concerto da Fundação, por mais estranho que pareça, ainda não chegou à parte mais inacreditável.
continua...
No meio do público que tentava ouvir o concerto, estava o Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda - a melhor casa de espectáculos em Portugal -, representando-se apenas a si próprio, é claro. A certa altura, o Américo, um pouco farto daquela história, foi tentar acalmar os ânimos, referindo, suponho, que se o presidente da junta tem lá dez multas de 4000 euros para pagar é porque violou a lei, e não por causa de "filho da puta" nenhum.
Resultado: esta semana houve assembleia municipal na Guarda. O dito cacique, presidente da junta de Aldeia Viçosa, decidiu, na dita, dar corpo à sua vingança pessoal: fez uma proposta de redução de 20% do orçamento do Teatro Municipal da Guarda em 2010 e mais 30% em 2011. O remanescente reverteria a favor das Juntas de Freguesia.
Como é evidente, ninguém pode fazer propostas que não estejam na ordem de trabalhos. Assim, alterou-se a proposta para uma recomendação. Mesmo assim, não se podem submeter recomendações depois de começar a ordem do dia. Mas não faz mal: o presidente da mesa aceitou na mesma. Submeteu-se à votação e.... a proposta passou! E com poucos votos contra! O da CDU foi contra, é claro, mas outros terá havido.
Ou seja, como um selvagem não pode despejar lixo no parque natural, toda a região, todo o país, perde na sua vingança. O Américo sabe, e todos sabemos, que o TMG com menos 20% de orçamento, terá que fechar.
São estes jagunços que detêm o poder em Portugal. O nosso país, o nosso espaço de luta, de desenvolvimento, acabou.
Vale a pena ir ao blog do Américo Rodrigues www.cafe-mondego.blogspot.com e acompanhar os posts e comentários sobre o assunto a partir do post Música Vuvuzelas e podel local, do dia 28 de Junho.
João Pedro Delgado
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