quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ostrom


Muitas vezes nos questionamos sobre qual será o espaço de intervenção razoável em questões de dimensão global. O ambiente, a economia global ou a conservação do património são exemplos de questões que nos põem muits vezes reservas quanto à validade da nossa acção local: sem o todo de nada vale a parte.

Daí que se fale de espaços ou níveis de intervenção. De que vale para o clima na terra Portugal deixar o paradigma do automóvel, se na China se vendem mais carros num ano do que os existentes em Portugal? Vale a pena a Europa abraçar sozinha o cap and trade, ficando o resto do mundo de fora? E indo mais longe, devo pastar menos o meu baldio para o conservar, ignorando se os vizinhos vão seguir os meus passos ou não?

A resposta para tudo é sim. Economicamente, os baldios gerem-se por si mesmos, porque constituem um bem comum e porque o homem tem uma capacidade de aprendizagem social, semelhante a outras espécies. Esta descoberta, resultado de anos de recolha de conclusões de estudos de outros cientistas valeu o Nobel a Ostrom. A tragédia dos comuns, já aqui referida, transforma-se num drama: a humanidade pode colapsar, mas o predicado é "pode" e não "vai". A mensagem é poderosa, mesmo a nível político: a acção deve ser tomada independentemente de consensos mundiais ou comunitários. A espera por uma acção global comum é, previsivelmente, longa. E as acções individuais encurtam essa espera para o resto da comunidade.

De acordo com Hardin e Olson, é necessário ou propriedade privada ou mão governamental para gerir um baldio. De facto, a acção de múltiplos actores independentes gera um sistema caótico, onde no final ou morrem os actores, ou acaba-se com a pastagem. O que acontece é que o pressuposto desta teoria está errado. Como sempre, os actores em volta de um recurso comum não são independentes, pertencem a uma comunidade (tirando casos extremos como a água do rio Jordão). A teoria de Hardin funciona quando há situações anónimas, mais adequadas à realidade da internet, lema que fica por provar.

O acrescento de Olstrom:

- a racionalidade do homem é limitada, mas tem capacidade de aprender
- o homem pretende em geral o bem comum
- o homem não tem informação perfeita

Os resultados são que a propriedade privada não assegura a sustentabilidade global do sistema; regras vindas de cima aumentam as ineficiências; organização local optimiza os custos de monitorização e maximiza a eficiência do sistema.

O exemplo mais flagrante é o das supostas economias de escala nas escolas secundárias norte americanas. Como já é do conhecimento público, houve um agravamento da qualidade de ensino e do aproveitamento e doa custos globais do sistema quando se fecharam escolas pequenas e as integraram em super escolas. O mesmo se passou com as esquadras de polícia.

Tudo isto se resume a uma teoria chamada policêntrica, onde se rejeita a intervenção cega de cima para baixo e se assume que todos os níveis e principalmente os níveis locais de participação e acção colectiva são importantes.

A mensagem inspirou. Acabou com uma crítica à academia, que insiste em desprezar a acção directa e local, por falta de resultados globais.

1 comentário:

Anónimo disse...

http://cafe-mondego.blogspot.com/2010/07/numa-montra-da-guarda.html

joão pedro