terça-feira, 14 de abril de 2009

um lohengrin do meu agrado

Stefan Herheim foi o encenador do nosso lohengrin. Parece que esteve no ano passado em Bayreuth. A critica foi muito dura nos jornais, mas nao concordo tanto que a encenacao tenha sido tao disparatada quanto dizem...

http://www.tagesspiegel.de/kultur/buehne/Festtage-Staatsoper;art19533,2767573

acaba assim:

"Olhe, por favor: quando parte o proximo cisne?" ehehe

mas quando um critico passa metade do artigo a escrever sobre jogadas de bastidores, como por exemplo o caso de o encenador ter chamado o Baremboim indisciplinado, ja diz muito do sujeito. acho que e' uma critica para desconsiderar.

De resto, continua com duvidas relativamente ao tenor, diz que nao sabe se ele fez aquele papel ensosso de proposito ou se nao sabe fazer mais: pergunta totalmente irrelevante se tivermos em conta que a escolha de um cantor ja e' de si uma decisao estetica e de encenacao... mas adiante, uma critica para esquecer...

sábado, 4 de abril de 2009

a responsabilidade não é de todos

Para contextualizar, vem isto a propósito de nos últimos tempos me terem aborrecido com a faceta política do consumidor. Primeiro, querem-me convencer que sou consumidor. Depois, que eu, como consumidor, posso tomar decisões de raiz política. Ora, isto encerra uma mentira e uma contradição.

Eu não sou consumidor. Ninguém é. Quando alguém me diz que o sou, sinto-me insultado. Acho que sou mais do que isso. Sou uma pessoa política, consigo perguntar-me o que é uma obra de arte, passo por grandes crises filosóficas e contribuo para o avanço da ciência. A minha vida não se resume a consumir o que outros produzem. Isso faz parte dela, num maior ou menor grau, como sempre fez parte da vida de qualquer pessoa que tenha existido. Esta é a mentira com que nos acenam. Se a aceitarmos e fizermos a união de todas as partes, então encontramos a sociedade de consumo, a qual eu não acredito que exista. É uma construção intelectual, como todos os outros qualificativos que se encontrem para uma "sociedade": tecnológica, da informação, primitiva, mercantil, teocrática, burocrática, e por aí fora. Simplesmente, esta construção foi criada para nos fazer crer que pertencemos a ela e que dela não podemos fugir. Que não podemos deixar de consumir. Isto é-nos passado de diversas formas, não foi idealizado por ninguém em particular, foi crescendo, porque na medida em que foi beneficiando determinados grupos que a foram fomentando. Acho que chamam a isto um "discurso". A construção de um paradigma na sociedade, no qual todos na generalidade concordem e o aceitem, não o questionando. Acho que é esta a mentira.

A contradição é que, mesmo partindo do princípio que sou um consumidor, i.e., que à luz da sociedade de consumo o indivíduo é considerado um consumidor, sendo as suas escolhas e acções encaradas como tal, essas mesmas pessoas me querem fazer crer que o consumidor tem uma voz para ser ouvida. Aqui chega a contradição: dizem esses senhores que essa voz toma a forma do consumo. E que o facto de eu escolher uma cenoura bio para enfiar no rabo é um acto político (pelo facto de ser bio, claro). Eis, portanto, o admirável mundo novo: já não é necessário o debate político ou de ideias sobre a sociedade, as nossas acções no super mercado bastam. Para além da necessária falta de gosto, é uma grande contradição. Se é aceite que o consumidor tem uma voz (a sua escolha entre bio e não bio, ou entre uma detergente mais ou menos poluente), essa voz seria melhor utilizada na arena política, não na dos legumes. E é isso que se tem visto. As recentes manifestações por toda a europa provam não só que estamos fartos de não ser ouvidos como também que temos coisas para dizer. E que o super mercado evidentemente não chega para as nossas ideias. Resumindo a contradição: se o consumidor é um consumidor político, necessariamente vai encontrar melhores locais para o debate do que na prateleira dos congelados.

Esta linha de pensamento acaba normalmente na culpabilização de todos, o que é a mesma coisa que dizer que acaba na desculpabilização de quem tem na verdade responsabilidades pelo estado a que chegou a qualidade da água, do ar, dos nosso recursos ecológicos em geral; ou, extrapolando para outras áreas, para o estado da economia de um país, para determinados problemas sociais, etc. É uma linha de pensamento transversal a muitos problemas: se os consumidores tiverem peso na consciência, vão culpabilizar-se, entretanto esquecendo-se de averiguar que de facto é responsável por um determinado problema. Vejamos no caso da agricultura biológica. É aceite que é benéfica para o meio ambiente e saúde pública. No entanto, a escolha é deixada ao consumidor: se ele quiser, pode por mais uns trocos não contribuir para a utilização excessiva de pesticidas, por exemplo. Assim vai feliz para casa e não precisa de se preocupar. Sabe que todos têm essa possibilidade e que, se todos forem bons samaritanos, todos vão comprar bio. Acontece que nem todos compram por diversas razões. E a acção política do consumidor acabou no momento em que ele comprou o produto. Continua a haver agricultura intensiva, sem escrúpulos ambientais, mas o que importa é que, como a escolha está lá, existe já um argumento a favor da parte interessada: a escolha existe, a responsabilidade está do vosso lado.

Atingimos o busílis da questão. O racionalismo existe para corrigir essa arbitrariedade. Não nos podemos deixar ir no laissez-faire que esta linha de pensamento implica. Decisões devem ser tomadas baseadas em argumentos racionais. Se sabemos que a agricultura intensiva prejudica irreversivelmente o meio ambiente, é necessário fazer alguma coisa por ela. Não se pode esperar que eventualmente os consumidores se decidam a ter consciência ambiental (também ainda está por provar que os consumidores consigam mudar o que quer que seja). A responsabilidade não é de todos. Quem tem responsbilidade deve agir, orientado pelo debate político e por argumentos racionais. Existem argumentos, o debate está aí, é necessário chegar a uma conclusão e agir. Refiro-me à agricultura biológica, como me poderia referir ao uso de transportes públicos, à organização do território em portugal, à utilização dos recursos piscícolas, ou a muitas outras escolhas fundamentais.

O voto e o debate político existe porque queremos não deixar coisas por fazer. Existem argumentos subjacentes a todos estes temas que podem e devem ser discutidos. Este é um tema de uma importância suprema na encruzilhada em que nos encontramos, em que a democracia perdeu muito do seu significado antigo, mas onde possibilidades de participação nunca antes vistas se tornaram banais. Por isso é que digo não ao discurso do "consumidor responsável". Primeiro porque não sou consumidor. Segundo porque a minha responsabilidade tem um alcance maior do que o consumo. Terceiro, porque há formas mais eficazes de fazer política.

segunda-feira, 2 de março de 2009

alguem pode dizer ao jpp para escrever em portugues?

jornalistas tentavam manter um sistema de closed shop. (um sistema de loja fechada?)

diferentes do mainstream político. (diferentes do status quo politico?)

para um pack journalism (um jornalismo de pacotilha? um jornalismo de encomenda?)

By the way, convém também não esquecer (A proposito jpp, enfia os inglesismos no recto)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

o título do ciclo

o título do ciclo que afinal não se ficou por ali ficou dado no anterior poste.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

os macaquinhos nas palmeiras a trepar vejam os hipopótamos do velho ultramar

ora continuemos com este tema que é bem premente. Neste caso o início não era o verbo, tomara que o fosse, mas sim a modernidade. Segundo o que percebi das leituras, corrijam-me se estou em erro, a tomada de consciência do fim de muitas coisas (da história, por exemplo) marcou o início da modernidade MAis tarde veio a perceber-se de que era necessário uma autocertificação da modernidade por ela própria, pelo que apareceu outra definição. Esta definição, segundo Hegel, é que o príncipio da modernidade é a subjectividade: "O que dá grandiosidade à nossa época é o reconhecimento da liberdade, a propriedade do espírito, o reconhecimento de que o espírito estando em si está consigo". Vemos aqui duas perspectivas que se confirmam. Que empolam o papel da subjectividade, do presente, do individualismo. Como se viu, muita história correu desde então. Por outro lado, a história em si, a história como ciência social, começaria então a ser discutida, por exemplo com Marx, o que também marca de um modo mais prático o início da modernidade. (a história também não acabou quando o fukoyama escreveu o livro com o mesmo nome). A modernidade em termos filosóficos fica então marcada por uma tomada de consciência irresponsável: chama ao sujeito a autoria da humanidade como conjunto e coloca o peso da história sobre o indivíduo (isto é só uma hipótese à discussão).

A relação com a vã guarda é precisamente essa. "a confusão vingou e a necessidade do regresso à ordem se foi afirmando inócua porque a ordem estava perdida". Ou "de como se lançou na confusão a relação entre o que vê e o que é visto pois é a expressão do eu que lá está" Faz-me lembrar vagamente o que está escrito antes, mas aplicado à arte (hoje maputo). Será este o fim da história da arte? Se fosse, porque não aproveitar as lições da história (com h grande) e começar já a construir um novo paradigma na forma de olhar para a arte? Não terá o tempo dos ismos acabado?

É óbvio que deve haver uma cáfila de historiadores de arte já a pensar nisso, mas por acaso agora fiquei curioso

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

nao vale a pena dizer muito sobre gaza e israel neste blog de esquerdistas e anti-sionistas declarados (onde eu me incluo). Mas vale sempre a pena ler mais uma opiniao, principalmente nao politica.

Acontece sempre uma coisa engracada quando ha uma crise na palestina: toda a gente vai reciclar velhos argumentos e reata a discussao publica comecada em 1948. Nao tenho idade para ter acompanhado a discussao desde o inicio, por isso tive de construir os meus argumentos com o que via na televisao no inicio dos anos noventa: jovens a atirar pedras contra militares, bombistas suicidas, tudo gestos heroicos ou desesperados que me levaram a respeitar muito o povo da palestina, mesmo sem nunca o ter conhecido. Dai talvez o meu anti-sionismo. Por outro lado os israelitas, uma especie de nordicos plantados ao sol, pelo menos a classe dirigente a abastada, nunca me impressionaram numa discussao politica (os 3 ou 4 que conheci, o que e' que querem?!).

Desta vez so imploro para que nao me venham mais com discussoes politicas. Existe uma resposta desproporcionada de Israel ao lancamento de uma duzia de roquetes. A seu pretexto, matam-se dezenas de criancas e centenas de adolescentes, privam-se de agua, luz, alimentos, ou assistencia medica centenas de milhares de pessoas e nos continuamos a discutir se o hamas e' uma organizacao terrorista ou quem e' que comecou primeiro. A discussao entre lideres mundiais atingiu os limites do razoavel e assemelha-se a uma conversa de surdos. E a mim sinceramente nao me interessa saber se nasceu primeiro o ovo ou a galinha. Ha um problema a resolver, e' necessario resolve-lo com os detentores de poder actuais, objectivamente, sem ressentimentos (um bocado inocente esta frase, do genero "va la, deem as maos sejam amigos").

Resumindo, o debate politico e' o derrotado desta crise. Recuso-me a debater este assunto enquanto nao for resolvido o problema humanitario e de profunda desigualdade social na palestina. "Treme, povo de israel: o ze miguel nao fala mais contigo!"

Estes comedores de alheiras ja me comecam a irritar!

sábado, 13 de dezembro de 2008

escrevi uma parabola

(...) e jose perguntou ao senhor:

"para onde guiarei o meu povo?"

e o senhor respondeu:

"jerico' era uma boa hipotese, ha la uma estalagem boa, que serve umas boas moelas. mas ja comi melhores, por exemplo em jerusalem. diz-me la jose, ja comeste as moelas do cafe "o judeu" mesmo junto 'a muralha?"

"mas senhor, nao respondestes 'a minha pergunta!"

mas ja se fazia tarde e o senhor foi-se embora, porque tinha deixado um cordeiro ao lume para os lados de canaa.

desiludido, jose desceu da montanha, por entre os arbustos ardentes, e guiou o seu povo em direccao a caldeia', terra prometida de onde um seu antepassado tinha partido numa odisseia para o egipto. pouca sorte teria o senhor, pensava jose enquanto dava asas 'as suas sandalias, ja o cordeiro deveria estar estorricado a essa hora. mas o senhor e' nao menos omnipresente que omnipotente, e sabendo da heresia proferida, pulverizou jose com um trovao. o povo, horrorizado por ter perdido o seu guia, suplicou para que o senhor fosse misericordioso, ao que Ele assentiu, nao sem prejuizo para jose: a despulverizacao, especie de materializacao mistica reservada a profetas e advogados, e' um processo tao doloroso como a pulverizacao. o povo apercebeu-se do milagre, dando gracas a deus e a jose. sem mais demoras, seguiram o seu caminho jose' e a sua prole, pois o sol ja descia sobre o horizonte vasto e seco da palestina. o povo gemia por pao, e jose, sem respostas, olhou o seu povo e deu-lhe um cacete: e nao mais. ao cabo do terceiro dia, o povo gemia por mais, ao que jose respondeu:

"povo que me tendes seguido, povo fiel e misericordioso, fodei-vos!" e o povo fodeu-se

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires:
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bares.
(...)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

a proposito do novo filme do albert serra

meus caros ponham os olhos nisto:



http://www.youtube.com/watch?v=0Jlj4yl83ik&feature=related

ja alguem viu um filme em que um plano dura tanto tempo, mas tanto tempo, que ate se ve a lua a mexer-se? aqui esta' ele, e sem cansar:

http://www.youtube.com/watch?v=UWyjqzsONuw&feature=related

este e' o meu filme favorito. se ja viste, ve de novo:
http://www.youtube.com/watch?v=z3uy9avQkyU&feature=related

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Como é tradição

Vamos fazer o nosso típico jantar de natal em Viseu? :)

Já têm planos para a passagem de ano?

beijinhos!

domingo, 9 de novembro de 2008

Hoje ate parece que o pacheco pereira morreu:

esse heroinomano dos blogs ja nao escreve ha dois ou tres dias. Over-dose no dia das eleicoes, so pode.

Parece tambem que estao dois membros deste blog em Berlim. Impoe-se a celebracao.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

experiencia: 1, 2 e 3



segunda-feira, 14 de julho de 2008

ate' 'a vista, ate' 'a vista
a este blogue machista
foi-se de bicicleta
para a sua parte predilecta
nunca foi grande espingarda
mas dava para mandar uma barda
estava para tal fadado
este blogue desgracado
foi-se de morte natural
este blogue vaginal

(variacao: faleceu no hospital, um amigo bestial, era o ze e enrolava charros)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

e para os amantes de musica e arquitectura, a Philharmonie, cheia de publico e da super-pop Berliner Philharmoniker.

as coisas ja estiveram piores....

Ja se vai estando bem 'a temperatura ambiente aqui em Berlim. A piscina do meu bairro:

segunda-feira, 23 de junho de 2008

ecological economics

Um dos fundamentos da economia ecologica sao as externalidades. O protocolo de quioto internaliza algumas no caso do petroleo, mas sobra muita coisa em que e' preciso pensar (da viquipedia):

Concerning these externalities, Paul Hawken argues that the only reason why goods produced unsustainably are usually cheaper than goods produced sustainably is due to a hidden subsidy, paid by the non monetarised human environment, community or future generations[18].

quinta-feira, 24 de abril de 2008


Esta imagem do Alvaro de Campos vinha hoje no Pubico. Derreto ao olhar para ela, como ele proprio diria, esmaguem-me contra esta parede, disparem-me, empurrem-me e espanquem-me ate eu escorrer pelo calcario.

Este painel da-me saudades de casa.

Quem mais pode sentir o que eu sinto quando leio a ode maritima? Ninguem!

Qual seria a versao contemporanea da ode triunfal? Ter o desejo obsceno de ser violado por um teclado, ser sugado por um aspirador, sentir a velocidade do zapping. Tristes correm os anos, higienicos e televisivos...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Estava a reler um post aqui colocado ha uns dias por um pequeno genio emigrado (eu) e lembrei-me de uma coisa engracada. Os funcionarios da PIDE, ou trabalhadores ou colaboradores, sei la, vestiam sempre uma casco tipo blazer com quadradinhos muito pequenos castanhos claros e castanhos escuros. OS quadrados sao de tal forma pequenos, que quando se avista um PIDE ao longe, nao se vem quadrados mas apenas uma massa castanha, nem escura nem clara (la esta'). E' um estilo que ja nao se usa, infelizmente.

pasquins abjectos

Estava aqui a matutar que revistas ou pasquins ou jornais haveria na paisagem editorial portuguesa que eu pudesse assinar enquanto estou por aqui em berlim. Pensei pensei e nao encontrei nenhuma. O publico de fim de semana custa a modica quantia de 400 eur por ano, o expresso, idem idem aspas aspas. A visao nem quero pensar nisso. Procurei entao na imprensa de maior periodo, o que e' o mesmo que dizer menor frequencia, como sabem. lembro-me que ate ha pouco tempo havia duas ou tres revistas que se podiam ler. Lembrei-me da atlantico, neo liberal, mas em principio nao alinhada com nenhum partido -- parece que acabou hoje. A manifesto vim a saber que acabou ha uns anos. A periferica desapareceu sem deixar rasto. Ate a Coloquio/Letras, editada pela gulbenkian nao sai ha 2 ou 3 anos.

Pergunto-me eu a mim mesmo, de mim para mim: o que se pode esperar de um pais que nao tem UMA UNICA publicacao nao generalista e que possa ser lida pelo publico em geral sobre politica ou arte ou literatura. NEM UMA! Minto, ha o le monde diplomatique. Mas so com o le monde diplomatique nao ha concorrencia e como todos sabemos o mercado sem concorrencia nao funciona, ate para os esquerdistas do le monde.

Sera que vou ter de assinar a the economist? Nao queria...