
Ontem demonizava-se em conversa privada as potências europeias (incluindo Portugal) acerca dos anos de colonização. Fui esclarecer-me e tentar sacudir a água do capote: parece que o conceito de colónia que hoje existe (explorar os negros até ao tutano) foi inventado na conferência de Berlim, ideia lançada por portugueses, mas que desde logo se revelou ser uma má ideia para estes nossos desajeitados trisavós. É que os tugas já lá estavam há séculos e nunca se tinham interessado por aquilo. E faltava pouco tempo para vir o Botas e dizer que Portugal afinal não tinha colónias, mas províncias ultramarinas, o que, aqui para nós, até faz bastante sentido, atendendo ao momento histórico em que lá se chegou.
A lógica é a seguinte: num mesmo período histórico, séc. XV, por exemplo, ainda nenhuma fronteira na europa estava definida. As fronteiras que agora consideramos imutáveis mudavam a cada ano. Neste contexto, tudo é válido para alargar um país. Se isso era válido na europa, porque não seria válido em África? Porque é que os portugueses não poderiam chegar, arrasar e astear uma bandeira? Tanto podiam que o fizeram. Poderá isto ser considerado uma colónia à luz do conceito que nos ensinaram na escola, que decorre directamente da formulação da conferência de Berlim? Penso que não. Esse conceito já integrava algumas ideias progressista de respeito pelo homem, negro ou branco, abolição total da escravatura, e, principalmente, a noção de que se está de facto a ocupar um local onde já existem populações, um ponto fraco da do conceito, que permitiu a gestação de um pequenino complexo de culpa pela ocupação, que mais tarde viria a ter como consequência a legitimação das lutas independentistas na ONU. Aí é que reside a resposta: quando os portugueses lá chegaram, a ideia era mesmo partir tudo. O erro é semântico: nunca se deveria ter chamado colónia a um território que naquele tempo era realmente português.
Continuem a dizer aos bifes que portugal vai do minho a timor, e angola será nossa outra vez!