sábado, 6 de junho de 2015

massamá

destilo ódio à urbanidade raivosa de guerreiro.
tudo o que escreves está aqui, em massamá, onde sou polícia sinaleiro na margem norte.
o resto é ilusão onde não há facto, só momento. 
e marx e benjamin e warburg e blanchot escreveriam sobre isso.
com um erro de paralaxe evidente, caro guerreiro, nenhum escrevia de massamá.
como também não o faço excepto quando inscrevo como pretendo inscrever: comum os tomates.
é aqui que reside toda a diferença. não se trata de urbanidade raivosa, mas sim de uma raiva urbana.



há algo na passagem dos séculos. a raiva do fim da história.

sublime

a discussão é larga, longa, teórica, rigorosa, analítica até e a contragosto. o vídeo seguinte encaixa-a.
como se escreveu aqui um dia, mais ou menos nestes termos: evidente como a fome, não necessita de elaboração teórica.


mas podemos fugir, refugiar-nos, ir para um ponto ainda mais longe. abrigar-nos sob uma viga. esperar que não chegue aqui. confundir o urbano com a metrópole. sobrepor a racionalização à irracionalidade da guerra. certo, joguemos em tabuleiros separados. analiticamente, diria.

mas fazê-lo era dobrar, sobre si, mais uma vez, e voltar a dobrar, e regressar ao início.

não se trata de afinamento filosófico - afinamento esse que decorre, só, de uma história; afinamento que mais não é do que a procura de uma genealogia que recusa a origem procurando-a. afastar a origem, o acto original, é disso que se trata.

o sublime não está na ofensiva de 2003 sobre o iraque. não está, tão pouco, no algures na arábia saudita de 1991. não se encontra nos massacres de 61-74, ou naqueles outros 93-95, ou nos de 2015.

o sublime está na racionalização. todo o texto, escrito de fora, sobre o que ali passa é, também ele, um pedaço de sublime. o discurso oficial da união europeia sobre a grécia, também ele, é apenas possível a partir do afastamento que o sublime implica. e que não posso compreender senão a partir daqui.

tudo o resto? tudo resto. tudo resto é entulho na galeria. aqui gunter grass acertou: o que dizer sobre o indizível? o indizível de que o próprio foi engrenagem? cala-se, sem esquecer. escreve-se depois. refere-se, não se recusa. aponta-se. discute-se, não se oblitera. racionaliza-se, não se sistematiza. observa-se, não se vive. é este o nosso ponto de vista: de fora.

a agitação surge quando o sublime está demasiado próximo. vivas ao precariado de butler. mas falta uma coisa: assumi-lo. vê-lo de dentro. senti-lo, vivê-lo. estar nele. tudo o resto é comentário. e do comentário não se espera mais do que comiseração.