quarta-feira, 13 de junho de 2012

acabou agora mesmo o the tree of life num canal qualquer.

a um passo de um grande filme?

transporta tudo aquilo que a crítica à convencionalidade do signo pode dizer. é o que é quando pode sê-lo.

neste sentido responde à montagem. cada signo é o que pode ser mediante o que antecede e o que o sucede.

noutro plano, não ultrapassa o do pó vieste e pó serás. o ashes to ashes, dust to dust de qualquer funeral.

o final é por demais explícito no que ao espaço entre as três últimas frases diz respeito - o pós-moderno?!?. quem entrega o filho veste de azul - cor do culto mariano - e tem cabelo ruivo - cor do cabelo de madalena, do raro, do desviante.

 e o sol? o sol? a importância do sol?

o moço que sai do edifício espelhado, da fachada que espelha o céu, mas não o é. o signo, meu deus, o signo. é o que é mediante o que o suporta.

quase no final, a ponte, que tapa o sol. impõe o humano ao sol.

e, mesmo no final, a acabar, uma porcaria qualquer como nuvem, aurora boreal ou tal e coiso, o fantasma.



felizmente, sou ateu. sorriria como o sean penn.

segunda-feira, 11 de junho de 2012


“The great threat to art and academy, we are told, comes from miscreant artists and tenured radicals; but subsidized reactionaries tell us so, and these ideologues of conservative foundations have done the real damage, as public faith in art and academy is eroded through such fantasms of the artist and the academic. This is hardly a state secret: thus far the right has dictated the culture wars and dominated the public imaging of art and academy, as the layman is led to associate the first with pornography, the second with indoctrination, and both with a waste of taxpayer money. Such are the deserts of the rightist campaign: while the left talked about the politicaI importance of culture, the right practiced it. Its philosophers have succeeded where readers of Marx have not - they have transformed the world, and it will take a great struggle to transform it otherwise.

It may be petty to worry about art and academic worlds when cooperative state and social contract alike are trashed. Yet important battles are waged here too: the attacks on affirmative action and multicultural initiatives, on public funding and political correctness (a classic instance of a leftist critique turned into a rightist weapon). The revolution of the rich also shows its true colors in these worlds, for our current rulers have revealed a new disregard not only for social compensation but for cultural support (at least the old rich had the good grace to be arriviste). Finally, however, there is this fundamental stake in art and academy: the preservation, in an administered, affirmative culture, of spaces for criticaI debate and alternative vision.”

Hal Foster, the return of the real, 1996

domingo, 10 de junho de 2012

ninguém duvida daquilo que foi brilhantemente exposto pelo zizek. mas agora vou armar-me em contra-poder do contra-poder e fazer uma daquelas destrinças que o poder bem gosta para simplificar tudo e falar de inevitabilidades: isso é uma questão de copo meio vazio ou copo meio cheio.

a tensão entre suspensão da democracia e o seu aprofundar, bem como a tensão entre burguesia e proletariado - formulação com a qual não concordo, mas que nos dá uma distinção entre uns e outros capaz de ser operacionalizada de modo simples - não são de hoje e nenhum dos pólos é um dado garantido.

e estes dois parágrafos servem apenas para introduzir duas ou três questões acerca da ue.

uma primeira parte da evidência que se a crise dos últimos anos demonstrou o real poder do eixo franco-alemão, também o expôs evidentemente perante todos.

a outra parte parte da evidência que, de um momento para o outro, todos os canais de informação ficaram pejados de dados sobre a política interna de diversos países da europa e houve um interesse real em discuti-los para lá da nota de rodapé papandreous ganhou as eleições na grécia.

a terceira é a evidência perante todos, embora isso fosse discutido há largos anos de modo mais restrito, que o euro carrega problemas e que a ue está a ser construída de cima para baixo.

uma das conclusões que se pode retirar é a de que estão agora a começar a estar reunidas mais condições para haver um real aprofundamento da democracia na europa, sendo a primeira, desde logo, o interesse que as populações têm que revelar pelos problemas europeus e a informação que obtêm sobre eles.

e a informação é insuficiente? é. e a discussão nos meios de comunicação está orientada? pode estar. e o discurso oficial não aponta nesse sentido? pois claro que não. mas não nos podemos esquecer que o próprio parlamento europeu envia várias mensagens para fora questionando as tomadas de decisões que não passam por lá.

concluindo: estas tensões existem, e no dia em que se aprofundar a democracia na ue e o euro deixar de exibir os problemas que estão à vista de todos - se algum dia isso for feito - continuarão a existir. e o nosso trabalho enquanto cidadãos terá que ser o mesmo.

e um deles passa por não deixar que a crise internacional, desmontada em crise europeia e depois em crises nacionais, o possa ser. o nosso trabalho é, por exemplo, continuamente lembrar o que levou à crise de 2008 e não deixar que o discurso feche a porta ao que foi. porque senão, lá teremos outro rajoy a dizer perante as câmaras, como hoje de manhã, que as famílias têm que fazer cortes, que as empresas têm que fazer cortes, que as administrações regionais têm que fazer cortes e toma lá entre 40 e 100 mil milhões para a banca.

e ninguém duvida que o número que apresentou - que as administrações regionais gastaram mais 90 mil milhões de euros - é um número perigoso. a ser verdade, é grave. e também ninguém dúvida do princípio de verdade, se quisermos, da sua premissa fundamental: não podemos gastar mais do que ganhamos. só existe um problema nesta formulação, é que no final da frase deveria estar: continuamente.

tudo o resto a história ensinou-nos. há alturas em que sim, alturas em que não e alturas em que talvez.

o que não se pode mesmo é comprometer quase 500 milhões de pessoas para safar o estapafúrdio de uns quantos mil. e aí, não há alturas em que sim ou alturas em que talvez.