sexta-feira, 27 de abril de 2012

então, até ao regresso II

para quê discorrer acerca do mito quando ele se materializa aqui e aqui e é formulado aqui?

ficam cumpridos todos os planos.
temos o mito, construído e formulado noutros lados, e escrito aqui sob o único termo que o pode conter: mudança.
poderíamos estendê-lo, formulando que não admite prescrições - o que era negar a sua forma desde logo. há, pelo menos, uma prescrição. assunto já discutido noutros postes e comentários.
também poderíamos tentar circunscrever as condições da mudança e se isso aponta para uma mudança constante. não interessa. é o que for.

e, mais importante, ficam os dois postes a suprir - ou a tentar fazê-lo - a despedida atabalhoada.

então, até ao regresso!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mais um. Aqui fica assinalado.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

actualização

e afinal estou com o Mélenchon

quinta-feira, 19 de abril de 2012

para quem não leu a minha posta no facebook, dizia eu que actualmente há dois poderes em portugal: o bastão e o capital.

domingo, 15 de abril de 2012

então, até ao regresso!

Que sucede quando alguns pintam animais nas paredes de grutas, quando outros fazem vibrar em cadência cordas retesadas ou o ar soprado nos tubos, quando outros ainda contam histórias numa língua especialmente trabalhada, reinventada? Sucede que se fazem proposições de sentido, sucede que alguns, pelo menos, sentem compreender ou experimentar que tais proposições são efectivamente as suas e que eles o não teriam sabido se elas não tivessem sido feitas.

Jean-Luc Nancy

Nas actuais “democracias”, que tendem a limitar-se à promoção de um sistema económico assente na competitividade, a arte – que desde sempre atesta o humano do homem, a sua capacidade de criar enquanto capacidade de ser singular e de viver em comum – é posta em perigo por um conjunto de mecanismos, os mesmos que são usados para forçar o consumo de qualquer tipo de mercadorias, nomeadamente, os da indiferenciação entre informação, propaganda e publicidade, sendo que estas últimas tendem a ser simples técnicas impositivas de comportamentos, criando elas próprias o ambiente propício para se tornarem cada vez mais poderosas. É assim que proliferam os chamados criativos e as “indústrias criativas” (...) O controlo dos indivíduos por um Estado “democrático”, através do qual o capital exerce o seu poder, não decorre de meios directos de controlo mas da cumplicidade entre a gestão centralizada de certos recursos e serviços e o poder do marketing detido pelos média, que são o principal veículo do entretenimento (...) o controlo é permanente: a formação de “públicos”, contínua e vinda de todos os lados, abole o silêncio e o espanto pela saturação do quotidiano por músicas, imagens, “notícias” e jogos que não só produzem identificações automáticas como introduzem compulsões ao exercício de poder, correspondentes a um tudo-é-possível-e-tudo-se-equivale. Estão em perigo o sentir e o pensar, motivo pelo qual a resposta singular que a arte convoca é rasurada pelas instituições que pretendem fazê-la render, moldá-la às circunstâncias, que se resumem ao lucro.

(...)

Nada se deve pedir à arte (...) .

Silvina Rodrigues Lopes

cerca de 24 horas depois - e sem hora marcada - o mito constrói-se

Mudou.

sábado, 14 de abril de 2012

A partir deste dia Segismundo Brotafrontes ganhará um cognome.

Doravante referir-se-á a si próprio como Segismundo Brotafrontes, um anarcodemocrata.

Alicerçando-se na ideia de que um mito político é uma determinação para agir, mais tarde - e sem hora marcada - regressará na tentativa de construir esse mito.

Antes disso, suprirá a a despedida atabalhoada no último encontro com o zé, dedicando-lhe dois postes a redigir. quem sabe, aí se encontrará o momento da primeira formulação do mito anarcodemocrata - e que melhor dedicatória haveria se tal sucedesse? no entanto não me comprometo. com nada do que está descrito acima, aliás.

formula-se assim a primeira premissa anarcodemocrata - o comprometimento com o passado é nulo, o que foi mais não é do que possível condição do que vem. - constituindo-se, assim, o seu oposto: o comprometimento com o futuro é nulo, o que será mais não é do que possível condição do que foi.

domingo, 1 de abril de 2012

e passo a explicar. Aqui há dias falava-se de um golpe de estado e tudo, já circulavam tanques em Pequim, tudo boatos. Na imprensa nada. Já ninguém está à espera de saber coisa alguma através da imprensa... E no entanto isto funciona. Os comboios andam a horas, os aviões aterram em segurança, a internet funciona (tirando o blogger, claro), come-se bem.

E da imprensa portuguesa, o que se pode dizer? A RAI 3 transmitia há dias um documentário que seria impensável ver na RTP (postei-o no facebook, outro que é inacessível daqui do burgo, mas eu tenho uns truques).

Num outro mundo, falava-se do Kony e de como o jovem que o fez famoso corria nu pelas ruas de San Diego. E de como o Ugandês comum se estava a borrifar para tal e para o respectivo panfleto. Disseram que já vinha tarde, que o Kony já nem morava ali. Teria sido tudo uma chalaça para o creative class (de novo a new media à mistura) ganhar umas massas.

Todo o crédito a tal teoria, mas há qualquer coisa nisto tudo que me cheira a podre. E não é nada tangível como os chineses ou o Kony ou a RAI 3. São os média (em geral como em particular, que bonito, não é?). É toda esta facilidade de espalhar boatos e campanhas com criancinhas aleijadas. E o ninguém filtrar, só uns likes acríticos. Gostar, gostar pode qualquer um.

Será que o Walter Benjamin tem alguma coisa sobre o assunto? Dava jeito, o homem está tão na moda!

a comida é óptima e o blogger não funciona

desculpem ser tão cócó, mas censura é mesmo uma merda.
de resto tem tudo, centros comerciais, chanel, pauzinhos e mercedes, confere!
1975

saí. e nem por isso estou mais esclarecido do que estava.

o nexo mantém-se o mesmo.

um música que falava do moço que devia abandonar a luta. estava derrotado.

outra de um outro que não entendia quem olhava o tempo em frente e apontava caxemira. o exótico em tempos pós-coloniais. fora de tempo, parece. mas é lá que mora a resposta. para lá do evidente.

outra que tenta demonstrar o que está para lá da notícia. não se trata só de olhar em frente. trata-se de congregar todos os momentos e atribuir-lhes um nexo. ideologia.

e a construção? o repetitivo? será isso mesmo um manifesto? vai daí a história é cíclica. 1975 e o pós-colonialismo e o questionar do modernismo, da tradição do novo, do progresso, da via única.

1975: kashmir e wake up. anacronia.