quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sem dúvida alguma vivemos um momento histórico. Entra-se numa fase de fecho de um ciclo histórico que porventura comecou em 1990, outros dirao 1989, nao interessa. Sem excepcao, somos todos culpados deste fracasso que foram os últimos de 20 anos no nosso mundo.

Foram 20 anos de avancos tecnológicos extraordinários que se saldaram em regressao social, maior desigualdade, pobreza e pessimismo. Os mesmo avancos que prometiam mais vida para alem do trabalho, mais familia e amigos, mais tempo para a comunidade, afinal trouxeram mais escassez, mais trabalho, mais stress. Para onde foram os avancos? O que é feito dos ganhos vindos da gestao eficientíssima de recursos?

Deixámos o mundo andar, preguicosamente, achámos que tudo ía no bom caminho, que nao valia a pena desconfiar. Os mercados, a forca positiva que faz mover o mundo, levar-nos-ia até Lá. Confesso que eu próprio acreditei ingénuo na quimera. Depois lembrei-me que os mercados sao pessoas, e que a melhor maneira de mudar este mundo composto de pessoas é falar com elas. Fazer-lhes perguntas. Desconfiar. Investigar. Perceber. E isso cansa.

Mas neste momento em que nos encontramos, acredito que voltámos a achar o caminho. Multiplicam-se assembleias, comissoes, movimentos e auditorias que exigem o poder de volta às suas maos. É preciso abracar este momento com toda a nossa forca.

é preciso deixar registado de que lado estamos. E se já estivemos do outro lado, aqui fica o registo, para que nao restem mais dúvidas. Do lado da democracia de bases, do lado do fim das desigualdades, do lado da redistribuicao, do lado do local contra o global, do lado do comunitário contra o proprietário.

Afinal eram mesmo estes amanhas que cantam que interessavam e nao os outros...

2 comentários:

Anónimo disse...

só não gosto do "somos todos culpados". eu não sou.

sb disse...

isso mesmo.

só discordo em três pontos:

1. os últimos vinte anos não foram um fracasso. tudo o que pode ter andado para trás do ponto de vista de organização política das comunidades, abandonada em favor dos mercados e, na base, da sobrevivência dos mais fortes, também criou as bases que permitem que hoje possa haver uma resposta à altura. como esta base, por exemplo. é por coisas dessas que apelido a teoria da arte desenvolvida a partir da perda de reaccionária :P até porque como o tempo e as persistências não são coisas lineares, aí estão pelo menos para as dizermos. o movimento é constante entre a palavra e o facto e entre o facto e a palavra.

2. fazer predominar o local em favor do global tem lógica numa base material, numa imaterial já não tanto. ou seja, esse movimento não pode ser tomado em geral. por exemplo, do ponto de vista da circulação de bens, em geral pode ser positivo, do ponto de vista da circulação de pessoas (e regista-se que aqui não se colocaram os bens e as pessoas num mesmo saco, o que nem sempre acontece), por exemplo, nem tanto.

3. fazer predominar o comunitário sobre o proprietário depende, essencialmente, destes 3 lados - 'Do lado da democracia de bases, do lado do fim das desigualdades, do lado da redistribuicao' - logo é bom apontar, mas não pode ser um fim em si mesmo esquecendo-se aqueles. ou seja, resulta deles. por outro lado, poder-se-ia dizer só comunitário sobre proprietário. bem, tens razão, por via das dúvidas, antes dizê-los todos!