sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

o grau zero da escrita

nunca li. não sei qual é. mas vou deturpá-lo até ao mínimo. até ao zero. ao nada. até à radicalidade da transmissão subjectiva do indivíduo individualizado num mundo individualista.

vou utilizar a primeira pessoa do singular até à exaustão. vou escrever uma letra de uma canção nessa mesma pessoa e afirmar que foi essa pessoa que disse e aconteceu e contar a história na primeira pessoa e vou continuar com o que aquela pessoa disse. e quando toda a gente percebeu vou entrevistá-la e vai responder-me na primeira pessoa do singular. e vou continuar na primeira pessoa a dizer o que aquela pessoa disse na primeira pessoa. e depois disso passo a quem diga na primeira pessoa que alguém na primeira pessoa disse o que outra pessoa disse na primeira pessoa como separador para o tempo que é o estado do tempo da metereologia que todos sentimos na primeira pessoa e ouvimos na primeira pessoa que está frio e está quente também na primeira pessoa do acalorado que já não é a primeira pessoa.

moral da história: a primeira pessoa é sempre uma outra. de ser outra depende a primeira. ser a primeira depende de uma outra que é outra e já não é a primeira. ontologias. ou essências.

do grau zero da escrita ou da arte e da vã guarda em variação em mi menor.

a certeza de afirmar: o caralho!

está aqui.

já aqui se apelou, fê-lo o zé algures e continuou segismundo, à importância de afirmar: o caralho!

como isto é um blogue, e todos somos participantes em potência no combate, foi aqui que primeiramente se disse: afirmem o caralho! mas só quando se impuser.

assim sendo, não vamos armar-nos em unipoppers e dizer que desdenhamos, nem em arrastão e dizer que somos os maiores. dizemos, digo eu por todos ao jeito da iniciativa cidadã, que se alguém apelou ao caralho, fomos nós.

e o tempo? o caralho!®

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

da treta 1.2 (é também esta a segunda vez que se atribui o prémio margarida rebelo pinto neste blogue)

Uns são fraudes, outros são estudos que não deviam ter acontecido, pelo menos daquela forma. Quando a ciência não dá boa imagem de si.

acordou, pintou o cabelo, mas correu-lhe mal. foi obrigada a sair à rua. não deu boa imagem de si e toda a gente comentou, como aqui, porque é essa precisamente a primeira preocupação da ciência. dar boa imagem de si.

da treta 1.2 - ppc - portugal - grécia. a boa imagem de si.

da treta

ou de como agradar a todos à superfície, trocando-lhes os lugares e deixando tudo na mesma.

ou de como a regulação é bonita em palavras.

ou de como da paz, do pão, da habitação, da saúde e da educação, restará apenas a primeira por breves momentos.

aviso à população

Passado o período de nojo, relembro que a austeridade é cristã.

para contrapor um argumento fácil à inutilidade de alguma arte, relembro que esta é sempre útil porque é sempre, no mínimo, um veículo de algo. e depois é muitas outras coisas. uma delas, ao que parece, é ser cultura em andamento.

serve este conjunto de palavras inúteis, estas sim inúteis, para reformular uma frase. em tempos que se querem austeros, gostaria de lembrar que pode ser fácil tirar os portugueses do cristianismo, o problema é tirar o cristianismo dos portugueses.

ajoelhe-mo-nos, 'todos em conjunto', e rezemos pela salvação. os dias crescem.

de seguida, façamos da votação eucaristia. afinal, receber a hóstia é receber o corpo de cristo, legitimá-lo em nós e aceitar a submissão à sua ordem de pecados.

peço desculpa, falhei a ordem cronológica. isto aconteceu há uns tempos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sem dúvida alguma vivemos um momento histórico. Entra-se numa fase de fecho de um ciclo histórico que porventura comecou em 1990, outros dirao 1989, nao interessa. Sem excepcao, somos todos culpados deste fracasso que foram os últimos de 20 anos no nosso mundo.

Foram 20 anos de avancos tecnológicos extraordinários que se saldaram em regressao social, maior desigualdade, pobreza e pessimismo. Os mesmo avancos que prometiam mais vida para alem do trabalho, mais familia e amigos, mais tempo para a comunidade, afinal trouxeram mais escassez, mais trabalho, mais stress. Para onde foram os avancos? O que é feito dos ganhos vindos da gestao eficientíssima de recursos?

Deixámos o mundo andar, preguicosamente, achámos que tudo ía no bom caminho, que nao valia a pena desconfiar. Os mercados, a forca positiva que faz mover o mundo, levar-nos-ia até Lá. Confesso que eu próprio acreditei ingénuo na quimera. Depois lembrei-me que os mercados sao pessoas, e que a melhor maneira de mudar este mundo composto de pessoas é falar com elas. Fazer-lhes perguntas. Desconfiar. Investigar. Perceber. E isso cansa.

Mas neste momento em que nos encontramos, acredito que voltámos a achar o caminho. Multiplicam-se assembleias, comissoes, movimentos e auditorias que exigem o poder de volta às suas maos. É preciso abracar este momento com toda a nossa forca.

é preciso deixar registado de que lado estamos. E se já estivemos do outro lado, aqui fica o registo, para que nao restem mais dúvidas. Do lado da democracia de bases, do lado do fim das desigualdades, do lado da redistribuicao, do lado do local contra o global, do lado do comunitário contra o proprietário.

Afinal eram mesmo estes amanhas que cantam que interessavam e nao os outros...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

das leis do mercado

Merkel falou com Passos sobre benefícios da oferta da E.ON pela EDP; Banca ganha 20 anos de créditos fiscais por transferir pensões.

via ladroesdebicicletas.blogspot.com

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

mais mentiras

alguém se lembra das outras 9?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ppc tem apenas uma palavra para com os mais desfavorecidos

dizia o passos coelho: "E, finalmente, o terceiro tabuleiro, tao ou mais importante do que os outros dois: tornar o país mais justo. Nesta grande escassez de recursos os problemas da equidade e da justica social tornam-se ainda mais gritantes. Temos de ter a certeza de que aqueles que recebem o rendimento social de insercao sao mesmo os que mais precisam dele e nao pessoas com alternativas de trabalho, e que estao sentadas sobre essa prestacao que o estado lhes oferece e a complementam com um certo nível de economia informal"

como os arrumadores, esses malvados que causam um rombo às contas públicas ao receberem uma moedinha livre de IVA.

uma das dez mentiras do pós 25 de abril

"é preciso promover o investimento externo"

O investimento externo é um anacronismo, porque um agente externo ao investir em portugal está, por definição, a contar com a obtenção de lucro para o próprio. Claro que origina crescimento e postos de trabalho etc, mas então porque diabo é que em substituição ao investimento externo não estava lá já um investidor nacional em acção?

Na generalidade dos casos o investidor estrangeiro está no país a aproveitar condições particulares oferecidas pelo governo, de que se serve enquanto essas condições durarem. Em princípio está a contribuir para a degradação da protecção social do país de onde veio, num fenómeno chamado social dumping. Quando as condições vantajosas evoluirem para um cenário de normalidade, vende-se a fábrica e despede-se os trabalhadores (por esta ordem).

Claro que há investimento externo bom, mas esse não está habitualmente associado a medidas extraordinárias de atracção de investimento, mas sim com uma vantagem comparativa não relacionada com salários ou protecção social: uma economia de escala para um determinado produto já desenvolvida, uma particularidade geográfica, cultural, climática, que complementa certo tipo de produto.

sábado, 3 de dezembro de 2011

(na pausa)

ainda os dias que correm. sobre a pausa,

segue a apoteose e o fim e a necessidade de sangue e marcação de momento que daqui para a frente nada será igual porque daqui para trás tudo foi diferente e levanta-se e toma a cevada comprada quinze dias antes e marcada com encontro em fragmentação vidro cevada plástico no ponto de intersecção da sua dissociabilidade. E é esse presente logo projectado ao futuro e atirado ao passado. E fica o vazio.

Cheio de festas e paradas onde o riso alarve escorrega a lágrima.

E perde a sua geração atirada aos ares em FM agora com H também ao meio e por vezes sem F em cortes diacrónicos impostos por si ou a si porque esta é a idade. E chamam-no ao presente. Mas logo o atiram ao futuro e invocam-lhe o passado e dizem-lhe que traz o sinal consigo de um passado que não lhe pertence e que o excede, que este é o seu desígnio num futuro que insiste em manter-se à sua frente quando tudo o que lhe atiram é que o ultrapasse. Poruqe amanhã é assim, quero que inventes, agora, o depois de amanhã. E quando o fizeres, com as máquinas que te o mostram todos os dias no presente, vê o dia depois desse, e o outro. E eu, agora eu, que não o vejo, quero entrar em festas e paradas onde o riso alarve escorrega a lágrima e aí, lançado no meio de tudo isso que fui já com o modelo a seguir porque mesmo aí o código é esse, sei que esse fututo a escorregar a lágrima é o que me exigem. O êxtase, dizem, dura uma noite. A ressaca dois dias. E quando estiver a acordar, logo me pedem outro e outro. Porque os dias são os dos sentimentos fortes.
segundo a wikipedia o termo neoliberalismo foi cunhado em 1938. tem agora 81 anos?

veio tarde.

What an inheritance
The salt and the kleenex
Morbid self attention
Bending my pinky back
A little discipline
A donor by habit
A little discipline
Rent an opinion
Sense of security
Holding blunt instrument
I'm a perfectionist
And perfect is a skinned knee
YOU'RE PERFECT, YES, IT'S TRUE
BUT WITHOUT ME YOU'RE ONLY YOU