sexta-feira, 25 de novembro de 2011

memento mori (furando a pausa)

recrudesce a impossibilidade da palavra perante o escudo humano que circunda a assembleia. afirma o escudo humano, ao obedecer a uma ordem, que aquele não é o nosso lugar. nem um degrau do mosteiro. que o seu primeiro degrau afunde a escadaria da assembleia, é torná-lo local de iniciados, é torná-lo a impossibilidade da palavra.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

(pausa)

a impossibilidade da palavra.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

onde estão os jornais portugueses?
se um duque o pensa no continente, um barão o faz nalgum arquipélago.


digamos que praticamente tudo o que se lê naquela notícia justifica a dissolução imediata do parlamento da madeira e revogação da dita coisa.

ah! e, já agora, um comunicado do presidente da república em anexo.

sábado, 19 de novembro de 2011

este homem está louco. ler mais aqui. sem dúvida, o facto de este tipo de discurso ser actualmente aceite sem grande escandalo é um sinal dos tempos. Em circunstancias normais nao seria preciso sequer comentar um texto deste nível, ele fala por si. Mas nos últimos anos houve um avanco deste tipo de ideias: ouvimos multiplicarem-se os apelos a "suspender a democracia", a governos de "salvacao nacional", a ministros e comissoes de "técnicos" e a "pacotes de ajuda" que deslocalizem as decisoes para longe de onde o povinho possa chatear (berlim e bruxelas). Urge acabar de vez com este avanco e rebater sem dó nem piedade os seus argumentos. Com a pressa de nos libertarmos da "crise" esquecemo-nos que a democracia e a liberdade nao sao apenas um meio para atingir um fim de bem estar generalizado. sao também um fim em si. Nem conselhos de sábios nem ditadores iluminados conseguem identificar as nossas necessidades ou os nossos reais problemas: somos nós que os transmitimos, através de cadeias de informacao livres, que permitem aos "homens públicos" chegarem aos "homens privados". o argumento de que para melhorar a relacao entre dois países se justifica por travoes na liberdade de imprensa revela uma visao muito limitada do mundo e da história. o ditadorzeco local em angola ou noutro qualquer lugar sabe que a imprensa é livre noutros locais. nao lhe passa pela cabeca pedir ao david cameron para censurar a bbc de modo a prosseguir com os seus negocios. Se lhe passa pela cabeca pedir ao passos coelho semelhante coisa, o pedido apenas revela o estado da liberdade de imprensa no nosso país: que é "de jure", mas com jeitinho até se consegue evitar esta ou outra notícia. por isso é que nesta e noutras questoes, a mais absoluta intransigencia é necessária. e até onde é que iríamos com esta excepcao? proibir-se-ia toda a crítica à troika ou à uniao europeia, porque isso prejudica a imagem de portugal lá fora? será que somos mesmo o "bom povo portugues"?

recta e pura

assunção


(é uma errata. a outra ligação devia ser esta. mas é por causa desta que a outra existe, parte da série: o x que veio do futuro. outra forma de afirmar o retrocesso. mas aqui não se acredita em finalidades. apenas em tempos e espaços. - já agora, e a coisa da folha A4 a lembrar a pherreira leite?)

adriana (vara) lima

recupera-se comentário de 24 de abril. 24.

'antes do estado social, desfez-se o estado de direito. mas isso, em portugal, já todos sabíamos.'

o título é para conquistar visitas, ao jeito do vídeo do portas com as meninas da jp. ou outras igualmente rectas e puras.

evidências



portugal e o mundo

vamos lá dialectizar isto
isso pressupõe que a arte cria necessariamente memória, o que não tem sido verdade ao longo dos tempos. foi-o por vezes, noutra foi formalizada utilitariamente (deixará de ser arte por isso), e como tal sem posteridade. - anónimo


disse ao anónimo que tinha chegado exactamente onde se queria.

não tinha assimilado a última frase, embora nos postes posteriores se entenda a direcção da coisa.

portanto, sem posteridade? porquê?

o que vemos são obras formalizadas utilitariamente e com posteridade. aliás, arriscar-me-ia a dizer que não conheço uma peça/obra/manifestação/expressão/materialização que não seja utilitária.

devia ter escrito: uma obra formalizada utilitariamente a devir posteridade. entretanto sequei as lágrimas de riso.

o ministro que veio do futuro?

será que o santos pereira foi ao charco? e é borges o novo sebastião?

nenhum dos novos tem nome próprio.

e o colonialista sou eu?

???

(não, não assino sb. assino rebelo serra tavares.)

a música que veio do futuro

'the Puerto-Rico show'

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ora, ora

há quem chame a isto reprodução dos meios de produção.

depois há cristãos e pessoas com pena.

(nota: o gajo que deixa sempre um quilo de arroz de atum às recolhas do banco alimentar. nem sempre podemos ser coerentes. quem o for atire a primeira pedra, que eu guardo-a, junto-a a um quilo de couves, um chouriço, orelha de passos, língua de merkel, 500 grs de massa pevide e, já se vê, ofereço uma sopa de pedra ao banco alimentar.)
"(...) o intelectual do Pingo Doce, António Barreto (...)" Bravo joão rodrigues!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

os editores do público já tiveram melhores dias

Vara correspondeu com alheiras aos robalos de Godinho

mais uma do público

"Gaspar acusa PCP e BE de eventual fracasso do programa de assistência"

perdão? o programa de assistência? será que ainda não perceberam? Há dois anos que o país está oficialmente a saque pelo capital internacional e há dois anos que se sabe que a reestruturação é inevitável. Ao adia-la este governo e o anterior só estão a transferir ainda mais riqueza para o estrangeiro, na forma de emigrantes e capital. Estão à espera de uma governo de salvação nacional de carácter "técnico", para declarar bancarrota e abrir a loja ao assalto final dos credores.

notas de berdamerda

toda a arte é a materialização do fugaz = performance, happening

toda a é a materialização do fugaz = desenho - a origem

toda a arte...???

não há toda a arte. aliás, não todo alguma coisa.

se acreditarmos na primeira premissa e acreditarmos na história da origem do desenho, toda a arte é a mesma estrutura reaccionária. e toda a arte é resistência. dizem.

resistência ao novo? resistência à mudança?

toda a arte? caralho, impõe-se, toda a arte, se for resistência a alguma coisa ou manutenção do que for, é o que seja.

não se impõem limites à curiosidade ou à imaginação - como se disse um dia aqui imaginação = pôr em imagens.

não se impõem limites. ponto.

toda a arte é. preposição que impõe limites. os elitistas gostam. eu adoro o cheiro a lareira da beira alta natal. toda a arte é. um conjunto de sensações. e de raciocínios. toda a arte é? toda? arte? é?

toda a arte é a próxima severa. strauss ensinou. era aquilo. estava errado?


notas da narrativa maior. em maiúsculas. notas da narrativa maior. a finalidade.

notas para a narrativa maior - um xanax, por favor 2.1

dos 13 nomes apontados no cartaz um é mulher.

todos, senão me engano, são brancos.

todos, posso estar enganados, são parte da burguesia - como nós somos ou fomos*.

11, no mínimo, fizeram a sua carreira a partir de paris.

+não vou discutir o proletariado imaterial por agora. é um escape, diga-se.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

notas para a narrativa maior - um xanax, por favor

(aqui deveria surgir o cartaz publicitário - o das paragens de autocarro - da exposição na gulbenkian: a perspectiva das coisas, natureza-morta. não o consegui encontrar. fica o apontamento.)

quem quer fazer parte da constituinte?

"é preciso fazer uma nova constituição, fotocopiá-la, promovê-la em blogs, na net, nos jornais, em revistas, pronunciá-la, proclamá-la à revelia e unilateralmente (como a de 1820) numa praça qualquer (do porto, de preferência - é preciso que as constituições voltem a ser proclamadas no porto!), para depois formar uma guerrilha que se legitime nela e lute por ela."

o fim está próximo

Vara admite ter recebido robalos e pão-de-ló de Godinho

notas para a narrativa maior - um xanax, por favor

a arte é a materialização do fugaz. o desenho baseia-se na perda.

é um grande passo, este. o da memória para a perda.
um dia negro para a democracia. Mais um governo em pedaços, mais um governo de salvação nacional, infeliz eufemismo para um governo de supervisão da entrega do país ao capitalismo internacional. O papel do estado mediador entre o mercado global selvagem e o cidadão indefeso parece estar a cair.

E depois a imprensa ainda tenta emprestar racionalidade aos "mercados": "Juros da Itália passam 7% apesar da saída de Berlusconi"

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

os comentários merecem-me um novo poste.

Em primeiro lugar, também sou um descrente desta "democracia". Vou votar porque sim. Depois de votar sinto aquela amargura de ter votado em coisa nenhuma, de não ter abraçado nenhum projecto, de o meu voto ter ficado cativo de futuras trocas de favores entre partidos para aprovar o orçamento de estado. Mas vou votar na mesma, nunca se sabe... (é um bocado aquela coisa de um gajo ir à igreja sendo ateu). O que não significa que não seja absolutamente contra esta "democracia".

Haverá eventualmente um partido, que por definição propõe outro tipo de democracia, no qual valerá a pena votar. Eventualmente. Mas isso são outras discussões. Neste momento a Grécia está numa situação aonde chegou através desta "democracia". E o que se propõe agora é um referendo.

da relevância do referendo

Quanto à relevância da ferramenta em si, é discutível. Agora, se há momento relevante, daqueles em que a soberania do país está em causa, este é um deles. Não conheço a constituição grega, mas imagino-a feita em frangalhos. O que se propõe agora é a continuação e aprofundamento da perda de soberania a troco de um "perdão" de uma dívida cuja maior fatia não foi contraida pelo povo grego. A soberania não será entregue a funcionários europeus. É pior do que isso. Ao povo grego (e ao português) está-se a administrar uma terapia de choque de privatizações e liberalização da economia. O problema é que isto está a ser feito a pretexto da "ajuda externa". É um momento em que há uma pressão exterior imensa para inserir limites de défice na constituição. Não me lembro de que os gregos tenham votado nisso nas anteriores eleições. É um avanço sem precedentes na europa de políticas não desejadas e não escrutinadas pelo povo a pretexto de uma crise. Isto é um tema da maior relevância, que justifica obviamente um referendo. No Chile não tiveram esta opção.

Se é uma jogada política do Papandreou ou não, pouco me interessa. Na verdade, se fôr uma jogada, revela que pelo menos é uma jogada decente, porque põe nas mãos do povo o seu futuro. Haveria alternativas muito piores...

da relevância do momento

Claro que o referendo já deveria ter sido feito há mais tempo. Mas também não vejo porque é que deveria ter sido feito há um ano ou dois. Ou tinha sido feito na assinatura do tratado de nice e de tratado de lisboa (ou dos que vieram no meio, menos famosos, mas com mais consequências no que diz respeito a esta crise), ou então em qualquer outra altura. No que diz respeito à probabilidade de o referendo ter um resultado negativo para os neoliberais, parece-me que este é o momento alto. A chantagem europeia está ao máximo, um "não" no referendo iria ter consequências profundas na forma como o povos olham para o seu poder. Seria um redondo não na cara da europa burguesa: um default controlado pelo devedor, em que quem decide quem recebe dinheiro é a grécia e não a europa. Uma inversão total da situação a favor da grécia.

Não me lembro de ter havido queixas quando os islandeses votaram contra a intervenção externa do FMI. O processo foi idêntico e o que estava em jogo era uma perda de soberania muito menor. Não tenhamos ilusões, a europa é muito pior do que o FMI. Estão a tentar travar uma crise sistémica de TODA a zona euro à custa do povo grego. Se no início da crise isto ainda não era claro para todos, agora é uma evidência e não há mais razões para não lançar esta discussão para as mãos do povo.

outras razões

É também necessário aproveitar o momentum da discussão sobre a dívida pública para avançar com um programa de esquerda revolucionário. Este momentum pode ser catalizado com o referendo, pode ser até um pretexto para haver um referendo idêntico em portugal. Imaginem o que seria ver uma mobilização como a vista para o referendo ao aborto, mas multiplicada por muitos. Seria um referendo a todo o sistema político, porque o que estamos a ver hoje é apenas o que vimos nos últimos 30 anos, só que a cores. Este foi o momento em que caiu a máscara aos sem vergonha que nos governaram, que nos mandam emigrar para não os chatearmos. Este foi o momento em que, com os nervos à flôr da pele, os líderes políticos desta europa revelaram os seus instintos mais profundos. E o povo viu isso a cores. É este o momento para o referendo, porque, desenganem-se os políticos, estamos TODOS com os nervos à flor da pele e se pudermos incendiar umas ruas a caminho de pôr uma cruz num quadradinho onde se esconda finalmente uma decisão que só pode ser nossa, vamo-nos alegrar, ai vamos, porque estamos FARTOS de votar só em mentiras.

É arriscado abraçar correntes que não estão inteiramente definidas ainda, mas, tirando o marxismo e o libertarianismo de direita, não há mais nada na política que esteja definido. Por isso eu inclino-me para a democracia directa e participativa, com mais referendos pelos assuntos mais espúrios, porque isso promove a discussão e aproximas as pessoas umas das outras. É o que vem neste momento ao encontro das minhas fantasias mais molhadas de um modelo social. Desculpem lá...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um potencial momento histórico não pode deixar de ser aqui assinalado. Finalmente um referendo na Grécia! Dêem-se alvíssaras, o povo vai poder decidir livremente o seu destino e o dos seus netos. Finalmente!