sexta-feira, 14 de outubro de 2011

dedicatória

prosseguiria com a redução de feriados, criando um feriado nacional de duas jornas que substituísse todos os outros em memória do retrocesso social e da legitimação do programa político mais votados pelos portugueses nas últimas eleições legislativas.

gostaria, seguidamente, de o dedicar a todos os funcionários públicos apanhados na vertigem corporativa que encontraram no PSD e no CDS/PP um amigo.

3 comentários:

Anónimo disse...

da líbia ao afeganistão, tiradod o 5dias:

Rui Tavares, Miguel Portas e Marisa Matias, as mulheres líbias agradecem!
24 de Outubro de 2011 por Bruno Carvalho
Hoje, sai a notícia de que Kadafi pode ter sido sodomizado antes da execução. O presidente do Conselho Nacional de Transição rejeita qualquer investigação internacional e classifica-a como uma provocação. Uma organização de direitos humanos, daquelas que costumam atacar tudo o que cheire a socialismo, encontrou 53 cadáveres de simpatizantes pró-Kadafi num hotel em Sirte. E o novo regime anuncia que a sharia vai ser uma das bases do novo sistema legal. Tudo cheira a podre na mais recente colónia do imperialismo.

Quando ouço o silêncio envergonhado dos que, à esquerda, abriram o caminho a esta barbárie, lembro-me de quando abri as hostilidades, neste blogue, em Março, contra a aprovação no Parlamento Europeu da resolução sobre a Líbia. O Renato Teixeira juntou-se à denúncia e vários dirigentes e os eurodeputados do Bloco de Esquerda tiveram de responder à indignação que se gerou. Em ziguezague, tentaram lavar a imagem de uma posição indefensável.


Rui Tavares, então eurodeputado independente do Bloco de Esquerda, tinha aprovado toda a resolução e não teve qualquer pudor em defender a intervenção da NATO. Numa declaração conjunta, Miguel Portas e Marisa Matias tentaram aligeirar o papel do Bloco de Esquerda na construção da resolução: “existia uma razoável maioria no Parlamento Europeu para aprovar uma moção intervencionista a menos de 24 horas de um Conselho Europeu que iria decidir sobre o assunto (…) em face da concreta relação de forças na mesa de negociação, ou a esquerda se desinteressava do assunto – e o resultado mais do que provável seria um parágrafo imposto pelas forças mais à direita, neste caso com apoio dos verdes – ou procurava segurar e melhorar a versão proposta pelos socialistas”.

Na altura, escrevi isto: Esta negociação, como descrevem, implicava aprovarem na generalidade a resolução, a par da maioria de direita no Parlamento Europeu. Como contrapartida, ganharam um rebuçado: votar à parte o parágrafo que continha aquilo que os eurodeputados do BE consideravam uma vitória, dentro das circunstâncias, dando assim possibilidade à esquerda de votar contra. Contra aquilo que o BE considerava uma vitória? Sim, isso mesmo. Confuso? Talvez, mas Miguel Portas e Marisa Matias explicam que “com esta salvaguarda, a esquerda podia deixar bem clara a sua oposição à possibilidade de uma zona de exclusão aérea. (…) E foi porque o fizemos que pudemos, simultaneamente, dar um voto favorável a uma resolução que condicionava fortemente a possibilidade de uma medida desta natureza”.

Hoje, está mais do que claro que a postura dos eurodeputados do Bloco de Esquerda, ingénua ou não, foi errada. Serviu os interesses do imperialismo e abriu caminho a esta Líbia que já pensa em aprovar leis que retiram direitos às mulheres. Como no Afeganistão, onde as mulheres podem agradecer calorosamente os que, à esquerda, condenaram a intervenção da União Soviética a pedido do governo progressista e as lançaram para o abismo medieval em que vivem. Fica a pergunta: porque é que se abre caminho à entrada de forças militares estrangeiras na Líbia contra a vontade de um governo que preservava os direitos das mulheres e se condena a entrada de forças militares estrangeiras no Afeganistão a pedido de um governo que preservava os direitos das mulheres?

andré da silveira disse...

bem, continuamos na saga líbia. é fantástica a saga líbia.

dá para tudo, até para justificar ou não uma intervenção tendo em conta os direitos das mulheres.

fantástica a saga líbia.

serve até para comparar a bondade da intervenção da união soviética com outra movida por outro bloco qualquer dos muitos que sempre existiram e que, por acaso, agora é o prevalecente.

fantástica a saga líbia.

servirá para mais o quê? mhhhh, deixa cá ver, discutir a minha esquerda é melhor que a tua tendo em conta os resultados da revolta líbia.

fantástica a saga líbia, um autêntico microcosmos.

e mais, ainda consegue ou já conseguiu algures para trás, reanimar o debate república contra monarquia.

se não fosse só a líbia, diria que falamos do mundo inteiro num único cruzamento espaço-tempo. é muito contemporânea, a líbia.

e mais, toca a secção alcina lameiras, nós sabíamos que seria assim, diz a esquerda boa. pena para quem nega à partida uma ciência que não conhece.

mas não só. fora kadafi, com ou sem h e vários fff, uma senhora, poderia discorrer acerca da importância da legalização do aborto, não fora ele só sodomizado, mas possuído de outras formas. aliás, quem se lembrou da sodomização do homem? acrescenta estatuto ao estatuto de vítima? peninha pelo coitado violado enquanto acrescenta horror ao horror já normalmente associado ao agressor?

no mais, na verdade, kadafi devia ser um manso. a sua população alegre e rosada como nos cartazes maoístas ou da coreia do norte. o país, um país progressista, assim daqueles socialistas como o III reich.

e tem hidrocarbonetos a líbia. e há quem lute por eles e há quem tenha interesse no domínio daquele território.

há coisas fantásticas, não há? neste tempo todo, excepto ao falar-se da mulher líbia, nunca se falou do povo líbio.

fantástica, a saga líbia.

Anónimo disse...

mas aí está a frase correcta:

A Líbia é muito contemporânea.