segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Por um acaso, enquanto acendia o pensativo cigarro de antes de ir para cama, surgiram-me duas coisas:

A primeira, aparentemente de pouca importância, explicou-me porque tanta gente fuma mesmo com os programas de sensibilização nas escolas. Referir o pensativo cigarro como exemplo num exercício corta a base de qualquer campanha. Especialmente, o que é até bastante provável, se o professor for fumador.

A segunda, aparentemente de muita importância, tem como objecto a discussão do problema de geração ou de classe que vem sendo referida. Antes de mais, uma geração é uma classe e nem implica económica ou socialmente, como a mariana referiu, uma classe homogénea. Esta é, claro, uma objecção que não objecta nada.
No entanto, a classe – social ou económica? política – podendo ser mais abrangente, implicar mais consequências no mapeamento do problema que se lhe coloca – eco nómico, mas também social e, acima de tudo, político – parece que não nos resolve o problema de base.
Há duas histórias, ou teses como urge chamar-se em calão: uma defende que este é um problema de geração porque a anterior suga os recursos da seguinte – para a qual, afinal, confluem em grande parte os orçamentos da geração mais velha. A outra afirma que há uma classe – social, económica, cultural, mas acima de tudo política e homogénea – que beneficia da exploração de uma outra classe – também social, também económica, também cultural, política e não-homogénea (neste caso, o facto de se discutir se é um problema de geração ou de classe, é explícito).

O que lhes é comum, e não é pouco, é o facto de afirmarem sempre uma cisão. Ambas servem para acusar um outro. Nós que apontamos o dedo a outros com mais ou menos retórica. Efectivamente, seja qual for a noção de classe a que cheguemos pela construção do raciocínio, falamos sempre de um processo de discussão, mais ou menos açulado, que se deve resolver no âmbito da disputa política. É esta a minha preocupação. Estou demasiado farto de ouvir falar de economia. Não porque não é importante, antes fosse, ou porque não resolva problemas, antes resolvesse. Mas porque a discussão, na esfera pública, parece excessivamente centrada na solução de um problema económico. E este não é económico. É político.

3 comentários:

Zé Miguel disse...

boa questão, já tenho resposta, cá regressarei

Mariana Felismina disse...

queremos ouvir

Anónimo disse...

exactamente. a questão é política, porque a economia é sempre política. não se conhece qualquer economia que não seja política. Mesmo quando uma linha económica se assume como anti-política, como por exemplo o livre mercado, está a fazer uma opção política em si.

Só a política pode tomar opções. Ainda que quem toma as opções seja, muitas vezes um economista - como o nosso ministro das finanças -, as suas opções são sempre apenas opções, linhas políticas, tomadas com uma legitimidade que os cidadãos políticos lhe atribuiram por via constitucional, e nunca decisões científicas ou caminhos únicos.