sábado, 22 de janeiro de 2011

hoje como na enciclopédia

Todas as histórias têm um começo. O começo é indiferente, no caso, embora se trate da nossa.

Para Agambem há uma acepção do termo qualquer que perdeu o significado. Quodlibet, diz ele, não é o qualquer indiferente, mas um qualquer que corresponde a características que lhe são próprias e que pode partilhar com um conjunto. Não interessa quais, isso sim, é indiferente, mas aquele qualquer diz que são as que forem. Algumas. Aquelas. E interessam quais sejam para aquele objecto.

“We promised the world we’d tame it, what were we hoping for?”

É esse qualquer que, quando nos referimos a uma relação entre o caso particular e o colectivo, ou o conjunto de que esse caso pode fazer parte, responde a esta pergunta. Não sabemos a resposta ou, por outra, as utopias ou as distopias sabiam-na por inteiro. Nós não.

“We promised the world we’d tame it, what were we hoping for?”

A própria argumentação de Agambem passa pela primeira parte da música anterior. O bem, parece, existe na exacta medida em que cria um mal. Salvo seja. Qualquer relação dual impõe o sinal diferente. Assim como o sinal de pertença expõe, forçosamente, o seu oposto. Agora que sabemos isto, como é explícito na música, qual a saída?

(É esta visão dual que me causa urticária. Posto isto, peço desculpa por não ser Kant, mas o meu mundo é maior. O meu mundo, não eu. Segue-se Warburg e ainda estou longe.)

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