sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

o grau zero da escrita

nunca li. não sei qual é. mas vou deturpá-lo até ao mínimo. até ao zero. ao nada. até à radicalidade da transmissão subjectiva do indivíduo individualizado num mundo individualista.

vou utilizar a primeira pessoa do singular até à exaustão. vou escrever uma letra de uma canção nessa mesma pessoa e afirmar que foi essa pessoa que disse e aconteceu e contar a história na primeira pessoa e vou continuar com o que aquela pessoa disse. e quando toda a gente percebeu vou entrevistá-la e vai responder-me na primeira pessoa do singular. e vou continuar na primeira pessoa a dizer o que aquela pessoa disse na primeira pessoa. e depois disso passo a quem diga na primeira pessoa que alguém na primeira pessoa disse o que outra pessoa disse na primeira pessoa como separador para o tempo que é o estado do tempo da metereologia que todos sentimos na primeira pessoa e ouvimos na primeira pessoa que está frio e está quente também na primeira pessoa do acalorado que já não é a primeira pessoa.

moral da história: a primeira pessoa é sempre uma outra. de ser outra depende a primeira. ser a primeira depende de uma outra que é outra e já não é a primeira. ontologias. ou essências.

do grau zero da escrita ou da arte e da vã guarda em variação em mi menor.

a certeza de afirmar: o caralho!

está aqui.

já aqui se apelou, fê-lo o zé algures e continuou segismundo, à importância de afirmar: o caralho!

como isto é um blogue, e todos somos participantes em potência no combate, foi aqui que primeiramente se disse: afirmem o caralho! mas só quando se impuser.

assim sendo, não vamos armar-nos em unipoppers e dizer que desdenhamos, nem em arrastão e dizer que somos os maiores. dizemos, digo eu por todos ao jeito da iniciativa cidadã, que se alguém apelou ao caralho, fomos nós.

e o tempo? o caralho!®

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

da treta 1.2 (é também esta a segunda vez que se atribui o prémio margarida rebelo pinto neste blogue)

Uns são fraudes, outros são estudos que não deviam ter acontecido, pelo menos daquela forma. Quando a ciência não dá boa imagem de si.

acordou, pintou o cabelo, mas correu-lhe mal. foi obrigada a sair à rua. não deu boa imagem de si e toda a gente comentou, como aqui, porque é essa precisamente a primeira preocupação da ciência. dar boa imagem de si.

da treta 1.2 - ppc - portugal - grécia. a boa imagem de si.

da treta

ou de como agradar a todos à superfície, trocando-lhes os lugares e deixando tudo na mesma.

ou de como a regulação é bonita em palavras.

ou de como da paz, do pão, da habitação, da saúde e da educação, restará apenas a primeira por breves momentos.

aviso à população

Passado o período de nojo, relembro que a austeridade é cristã.

para contrapor um argumento fácil à inutilidade de alguma arte, relembro que esta é sempre útil porque é sempre, no mínimo, um veículo de algo. e depois é muitas outras coisas. uma delas, ao que parece, é ser cultura em andamento.

serve este conjunto de palavras inúteis, estas sim inúteis, para reformular uma frase. em tempos que se querem austeros, gostaria de lembrar que pode ser fácil tirar os portugueses do cristianismo, o problema é tirar o cristianismo dos portugueses.

ajoelhe-mo-nos, 'todos em conjunto', e rezemos pela salvação. os dias crescem.

de seguida, façamos da votação eucaristia. afinal, receber a hóstia é receber o corpo de cristo, legitimá-lo em nós e aceitar a submissão à sua ordem de pecados.

peço desculpa, falhei a ordem cronológica. isto aconteceu há uns tempos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sem dúvida alguma vivemos um momento histórico. Entra-se numa fase de fecho de um ciclo histórico que porventura comecou em 1990, outros dirao 1989, nao interessa. Sem excepcao, somos todos culpados deste fracasso que foram os últimos de 20 anos no nosso mundo.

Foram 20 anos de avancos tecnológicos extraordinários que se saldaram em regressao social, maior desigualdade, pobreza e pessimismo. Os mesmo avancos que prometiam mais vida para alem do trabalho, mais familia e amigos, mais tempo para a comunidade, afinal trouxeram mais escassez, mais trabalho, mais stress. Para onde foram os avancos? O que é feito dos ganhos vindos da gestao eficientíssima de recursos?

Deixámos o mundo andar, preguicosamente, achámos que tudo ía no bom caminho, que nao valia a pena desconfiar. Os mercados, a forca positiva que faz mover o mundo, levar-nos-ia até Lá. Confesso que eu próprio acreditei ingénuo na quimera. Depois lembrei-me que os mercados sao pessoas, e que a melhor maneira de mudar este mundo composto de pessoas é falar com elas. Fazer-lhes perguntas. Desconfiar. Investigar. Perceber. E isso cansa.

Mas neste momento em que nos encontramos, acredito que voltámos a achar o caminho. Multiplicam-se assembleias, comissoes, movimentos e auditorias que exigem o poder de volta às suas maos. É preciso abracar este momento com toda a nossa forca.

é preciso deixar registado de que lado estamos. E se já estivemos do outro lado, aqui fica o registo, para que nao restem mais dúvidas. Do lado da democracia de bases, do lado do fim das desigualdades, do lado da redistribuicao, do lado do local contra o global, do lado do comunitário contra o proprietário.

Afinal eram mesmo estes amanhas que cantam que interessavam e nao os outros...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

das leis do mercado

Merkel falou com Passos sobre benefícios da oferta da E.ON pela EDP; Banca ganha 20 anos de créditos fiscais por transferir pensões.

via ladroesdebicicletas.blogspot.com

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

mais mentiras

alguém se lembra das outras 9?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ppc tem apenas uma palavra para com os mais desfavorecidos

dizia o passos coelho: "E, finalmente, o terceiro tabuleiro, tao ou mais importante do que os outros dois: tornar o país mais justo. Nesta grande escassez de recursos os problemas da equidade e da justica social tornam-se ainda mais gritantes. Temos de ter a certeza de que aqueles que recebem o rendimento social de insercao sao mesmo os que mais precisam dele e nao pessoas com alternativas de trabalho, e que estao sentadas sobre essa prestacao que o estado lhes oferece e a complementam com um certo nível de economia informal"

como os arrumadores, esses malvados que causam um rombo às contas públicas ao receberem uma moedinha livre de IVA.

uma das dez mentiras do pós 25 de abril

"é preciso promover o investimento externo"

O investimento externo é um anacronismo, porque um agente externo ao investir em portugal está, por definição, a contar com a obtenção de lucro para o próprio. Claro que origina crescimento e postos de trabalho etc, mas então porque diabo é que em substituição ao investimento externo não estava lá já um investidor nacional em acção?

Na generalidade dos casos o investidor estrangeiro está no país a aproveitar condições particulares oferecidas pelo governo, de que se serve enquanto essas condições durarem. Em princípio está a contribuir para a degradação da protecção social do país de onde veio, num fenómeno chamado social dumping. Quando as condições vantajosas evoluirem para um cenário de normalidade, vende-se a fábrica e despede-se os trabalhadores (por esta ordem).

Claro que há investimento externo bom, mas esse não está habitualmente associado a medidas extraordinárias de atracção de investimento, mas sim com uma vantagem comparativa não relacionada com salários ou protecção social: uma economia de escala para um determinado produto já desenvolvida, uma particularidade geográfica, cultural, climática, que complementa certo tipo de produto.

sábado, 3 de dezembro de 2011

(na pausa)

ainda os dias que correm. sobre a pausa,

segue a apoteose e o fim e a necessidade de sangue e marcação de momento que daqui para a frente nada será igual porque daqui para trás tudo foi diferente e levanta-se e toma a cevada comprada quinze dias antes e marcada com encontro em fragmentação vidro cevada plástico no ponto de intersecção da sua dissociabilidade. E é esse presente logo projectado ao futuro e atirado ao passado. E fica o vazio.

Cheio de festas e paradas onde o riso alarve escorrega a lágrima.

E perde a sua geração atirada aos ares em FM agora com H também ao meio e por vezes sem F em cortes diacrónicos impostos por si ou a si porque esta é a idade. E chamam-no ao presente. Mas logo o atiram ao futuro e invocam-lhe o passado e dizem-lhe que traz o sinal consigo de um passado que não lhe pertence e que o excede, que este é o seu desígnio num futuro que insiste em manter-se à sua frente quando tudo o que lhe atiram é que o ultrapasse. Poruqe amanhã é assim, quero que inventes, agora, o depois de amanhã. E quando o fizeres, com as máquinas que te o mostram todos os dias no presente, vê o dia depois desse, e o outro. E eu, agora eu, que não o vejo, quero entrar em festas e paradas onde o riso alarve escorrega a lágrima e aí, lançado no meio de tudo isso que fui já com o modelo a seguir porque mesmo aí o código é esse, sei que esse fututo a escorregar a lágrima é o que me exigem. O êxtase, dizem, dura uma noite. A ressaca dois dias. E quando estiver a acordar, logo me pedem outro e outro. Porque os dias são os dos sentimentos fortes.
segundo a wikipedia o termo neoliberalismo foi cunhado em 1938. tem agora 81 anos?

veio tarde.

What an inheritance
The salt and the kleenex
Morbid self attention
Bending my pinky back
A little discipline
A donor by habit
A little discipline
Rent an opinion
Sense of security
Holding blunt instrument
I'm a perfectionist
And perfect is a skinned knee
YOU'RE PERFECT, YES, IT'S TRUE
BUT WITHOUT ME YOU'RE ONLY YOU

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

memento mori (furando a pausa)

recrudesce a impossibilidade da palavra perante o escudo humano que circunda a assembleia. afirma o escudo humano, ao obedecer a uma ordem, que aquele não é o nosso lugar. nem um degrau do mosteiro. que o seu primeiro degrau afunde a escadaria da assembleia, é torná-lo local de iniciados, é torná-lo a impossibilidade da palavra.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

(pausa)

a impossibilidade da palavra.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

onde estão os jornais portugueses?
se um duque o pensa no continente, um barão o faz nalgum arquipélago.


digamos que praticamente tudo o que se lê naquela notícia justifica a dissolução imediata do parlamento da madeira e revogação da dita coisa.

ah! e, já agora, um comunicado do presidente da república em anexo.

sábado, 19 de novembro de 2011

este homem está louco. ler mais aqui. sem dúvida, o facto de este tipo de discurso ser actualmente aceite sem grande escandalo é um sinal dos tempos. Em circunstancias normais nao seria preciso sequer comentar um texto deste nível, ele fala por si. Mas nos últimos anos houve um avanco deste tipo de ideias: ouvimos multiplicarem-se os apelos a "suspender a democracia", a governos de "salvacao nacional", a ministros e comissoes de "técnicos" e a "pacotes de ajuda" que deslocalizem as decisoes para longe de onde o povinho possa chatear (berlim e bruxelas). Urge acabar de vez com este avanco e rebater sem dó nem piedade os seus argumentos. Com a pressa de nos libertarmos da "crise" esquecemo-nos que a democracia e a liberdade nao sao apenas um meio para atingir um fim de bem estar generalizado. sao também um fim em si. Nem conselhos de sábios nem ditadores iluminados conseguem identificar as nossas necessidades ou os nossos reais problemas: somos nós que os transmitimos, através de cadeias de informacao livres, que permitem aos "homens públicos" chegarem aos "homens privados". o argumento de que para melhorar a relacao entre dois países se justifica por travoes na liberdade de imprensa revela uma visao muito limitada do mundo e da história. o ditadorzeco local em angola ou noutro qualquer lugar sabe que a imprensa é livre noutros locais. nao lhe passa pela cabeca pedir ao david cameron para censurar a bbc de modo a prosseguir com os seus negocios. Se lhe passa pela cabeca pedir ao passos coelho semelhante coisa, o pedido apenas revela o estado da liberdade de imprensa no nosso país: que é "de jure", mas com jeitinho até se consegue evitar esta ou outra notícia. por isso é que nesta e noutras questoes, a mais absoluta intransigencia é necessária. e até onde é que iríamos com esta excepcao? proibir-se-ia toda a crítica à troika ou à uniao europeia, porque isso prejudica a imagem de portugal lá fora? será que somos mesmo o "bom povo portugues"?

recta e pura

assunção


(é uma errata. a outra ligação devia ser esta. mas é por causa desta que a outra existe, parte da série: o x que veio do futuro. outra forma de afirmar o retrocesso. mas aqui não se acredita em finalidades. apenas em tempos e espaços. - já agora, e a coisa da folha A4 a lembrar a pherreira leite?)

adriana (vara) lima

recupera-se comentário de 24 de abril. 24.

'antes do estado social, desfez-se o estado de direito. mas isso, em portugal, já todos sabíamos.'

o título é para conquistar visitas, ao jeito do vídeo do portas com as meninas da jp. ou outras igualmente rectas e puras.

evidências



portugal e o mundo

vamos lá dialectizar isto
isso pressupõe que a arte cria necessariamente memória, o que não tem sido verdade ao longo dos tempos. foi-o por vezes, noutra foi formalizada utilitariamente (deixará de ser arte por isso), e como tal sem posteridade. - anónimo


disse ao anónimo que tinha chegado exactamente onde se queria.

não tinha assimilado a última frase, embora nos postes posteriores se entenda a direcção da coisa.

portanto, sem posteridade? porquê?

o que vemos são obras formalizadas utilitariamente e com posteridade. aliás, arriscar-me-ia a dizer que não conheço uma peça/obra/manifestação/expressão/materialização que não seja utilitária.

devia ter escrito: uma obra formalizada utilitariamente a devir posteridade. entretanto sequei as lágrimas de riso.

o ministro que veio do futuro?

será que o santos pereira foi ao charco? e é borges o novo sebastião?

nenhum dos novos tem nome próprio.

e o colonialista sou eu?

???

(não, não assino sb. assino rebelo serra tavares.)

a música que veio do futuro

'the Puerto-Rico show'

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ora, ora

há quem chame a isto reprodução dos meios de produção.

depois há cristãos e pessoas com pena.

(nota: o gajo que deixa sempre um quilo de arroz de atum às recolhas do banco alimentar. nem sempre podemos ser coerentes. quem o for atire a primeira pedra, que eu guardo-a, junto-a a um quilo de couves, um chouriço, orelha de passos, língua de merkel, 500 grs de massa pevide e, já se vê, ofereço uma sopa de pedra ao banco alimentar.)
"(...) o intelectual do Pingo Doce, António Barreto (...)" Bravo joão rodrigues!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

os editores do público já tiveram melhores dias

Vara correspondeu com alheiras aos robalos de Godinho

mais uma do público

"Gaspar acusa PCP e BE de eventual fracasso do programa de assistência"

perdão? o programa de assistência? será que ainda não perceberam? Há dois anos que o país está oficialmente a saque pelo capital internacional e há dois anos que se sabe que a reestruturação é inevitável. Ao adia-la este governo e o anterior só estão a transferir ainda mais riqueza para o estrangeiro, na forma de emigrantes e capital. Estão à espera de uma governo de salvação nacional de carácter "técnico", para declarar bancarrota e abrir a loja ao assalto final dos credores.

notas de berdamerda

toda a arte é a materialização do fugaz = performance, happening

toda a é a materialização do fugaz = desenho - a origem

toda a arte...???

não há toda a arte. aliás, não todo alguma coisa.

se acreditarmos na primeira premissa e acreditarmos na história da origem do desenho, toda a arte é a mesma estrutura reaccionária. e toda a arte é resistência. dizem.

resistência ao novo? resistência à mudança?

toda a arte? caralho, impõe-se, toda a arte, se for resistência a alguma coisa ou manutenção do que for, é o que seja.

não se impõem limites à curiosidade ou à imaginação - como se disse um dia aqui imaginação = pôr em imagens.

não se impõem limites. ponto.

toda a arte é. preposição que impõe limites. os elitistas gostam. eu adoro o cheiro a lareira da beira alta natal. toda a arte é. um conjunto de sensações. e de raciocínios. toda a arte é? toda? arte? é?

toda a arte é a próxima severa. strauss ensinou. era aquilo. estava errado?


notas da narrativa maior. em maiúsculas. notas da narrativa maior. a finalidade.

notas para a narrativa maior - um xanax, por favor 2.1

dos 13 nomes apontados no cartaz um é mulher.

todos, senão me engano, são brancos.

todos, posso estar enganados, são parte da burguesia - como nós somos ou fomos*.

11, no mínimo, fizeram a sua carreira a partir de paris.

+não vou discutir o proletariado imaterial por agora. é um escape, diga-se.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

notas para a narrativa maior - um xanax, por favor

(aqui deveria surgir o cartaz publicitário - o das paragens de autocarro - da exposição na gulbenkian: a perspectiva das coisas, natureza-morta. não o consegui encontrar. fica o apontamento.)

quem quer fazer parte da constituinte?

"é preciso fazer uma nova constituição, fotocopiá-la, promovê-la em blogs, na net, nos jornais, em revistas, pronunciá-la, proclamá-la à revelia e unilateralmente (como a de 1820) numa praça qualquer (do porto, de preferência - é preciso que as constituições voltem a ser proclamadas no porto!), para depois formar uma guerrilha que se legitime nela e lute por ela."

o fim está próximo

Vara admite ter recebido robalos e pão-de-ló de Godinho

notas para a narrativa maior - um xanax, por favor

a arte é a materialização do fugaz. o desenho baseia-se na perda.

é um grande passo, este. o da memória para a perda.
um dia negro para a democracia. Mais um governo em pedaços, mais um governo de salvação nacional, infeliz eufemismo para um governo de supervisão da entrega do país ao capitalismo internacional. O papel do estado mediador entre o mercado global selvagem e o cidadão indefeso parece estar a cair.

E depois a imprensa ainda tenta emprestar racionalidade aos "mercados": "Juros da Itália passam 7% apesar da saída de Berlusconi"

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

os comentários merecem-me um novo poste.

Em primeiro lugar, também sou um descrente desta "democracia". Vou votar porque sim. Depois de votar sinto aquela amargura de ter votado em coisa nenhuma, de não ter abraçado nenhum projecto, de o meu voto ter ficado cativo de futuras trocas de favores entre partidos para aprovar o orçamento de estado. Mas vou votar na mesma, nunca se sabe... (é um bocado aquela coisa de um gajo ir à igreja sendo ateu). O que não significa que não seja absolutamente contra esta "democracia".

Haverá eventualmente um partido, que por definição propõe outro tipo de democracia, no qual valerá a pena votar. Eventualmente. Mas isso são outras discussões. Neste momento a Grécia está numa situação aonde chegou através desta "democracia". E o que se propõe agora é um referendo.

da relevância do referendo

Quanto à relevância da ferramenta em si, é discutível. Agora, se há momento relevante, daqueles em que a soberania do país está em causa, este é um deles. Não conheço a constituição grega, mas imagino-a feita em frangalhos. O que se propõe agora é a continuação e aprofundamento da perda de soberania a troco de um "perdão" de uma dívida cuja maior fatia não foi contraida pelo povo grego. A soberania não será entregue a funcionários europeus. É pior do que isso. Ao povo grego (e ao português) está-se a administrar uma terapia de choque de privatizações e liberalização da economia. O problema é que isto está a ser feito a pretexto da "ajuda externa". É um momento em que há uma pressão exterior imensa para inserir limites de défice na constituição. Não me lembro de que os gregos tenham votado nisso nas anteriores eleições. É um avanço sem precedentes na europa de políticas não desejadas e não escrutinadas pelo povo a pretexto de uma crise. Isto é um tema da maior relevância, que justifica obviamente um referendo. No Chile não tiveram esta opção.

Se é uma jogada política do Papandreou ou não, pouco me interessa. Na verdade, se fôr uma jogada, revela que pelo menos é uma jogada decente, porque põe nas mãos do povo o seu futuro. Haveria alternativas muito piores...

da relevância do momento

Claro que o referendo já deveria ter sido feito há mais tempo. Mas também não vejo porque é que deveria ter sido feito há um ano ou dois. Ou tinha sido feito na assinatura do tratado de nice e de tratado de lisboa (ou dos que vieram no meio, menos famosos, mas com mais consequências no que diz respeito a esta crise), ou então em qualquer outra altura. No que diz respeito à probabilidade de o referendo ter um resultado negativo para os neoliberais, parece-me que este é o momento alto. A chantagem europeia está ao máximo, um "não" no referendo iria ter consequências profundas na forma como o povos olham para o seu poder. Seria um redondo não na cara da europa burguesa: um default controlado pelo devedor, em que quem decide quem recebe dinheiro é a grécia e não a europa. Uma inversão total da situação a favor da grécia.

Não me lembro de ter havido queixas quando os islandeses votaram contra a intervenção externa do FMI. O processo foi idêntico e o que estava em jogo era uma perda de soberania muito menor. Não tenhamos ilusões, a europa é muito pior do que o FMI. Estão a tentar travar uma crise sistémica de TODA a zona euro à custa do povo grego. Se no início da crise isto ainda não era claro para todos, agora é uma evidência e não há mais razões para não lançar esta discussão para as mãos do povo.

outras razões

É também necessário aproveitar o momentum da discussão sobre a dívida pública para avançar com um programa de esquerda revolucionário. Este momentum pode ser catalizado com o referendo, pode ser até um pretexto para haver um referendo idêntico em portugal. Imaginem o que seria ver uma mobilização como a vista para o referendo ao aborto, mas multiplicada por muitos. Seria um referendo a todo o sistema político, porque o que estamos a ver hoje é apenas o que vimos nos últimos 30 anos, só que a cores. Este foi o momento em que caiu a máscara aos sem vergonha que nos governaram, que nos mandam emigrar para não os chatearmos. Este foi o momento em que, com os nervos à flôr da pele, os líderes políticos desta europa revelaram os seus instintos mais profundos. E o povo viu isso a cores. É este o momento para o referendo, porque, desenganem-se os políticos, estamos TODOS com os nervos à flor da pele e se pudermos incendiar umas ruas a caminho de pôr uma cruz num quadradinho onde se esconda finalmente uma decisão que só pode ser nossa, vamo-nos alegrar, ai vamos, porque estamos FARTOS de votar só em mentiras.

É arriscado abraçar correntes que não estão inteiramente definidas ainda, mas, tirando o marxismo e o libertarianismo de direita, não há mais nada na política que esteja definido. Por isso eu inclino-me para a democracia directa e participativa, com mais referendos pelos assuntos mais espúrios, porque isso promove a discussão e aproximas as pessoas umas das outras. É o que vem neste momento ao encontro das minhas fantasias mais molhadas de um modelo social. Desculpem lá...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um potencial momento histórico não pode deixar de ser aqui assinalado. Finalmente um referendo na Grécia! Dêem-se alvíssaras, o povo vai poder decidir livremente o seu destino e o dos seus netos. Finalmente!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

dedicatória

prosseguiria com a redução de feriados, criando um feriado nacional de duas jornas que substituísse todos os outros em memória do retrocesso social e da legitimação do programa político mais votados pelos portugueses nas últimas eleições legislativas.

gostaria, seguidamente, de o dedicar a todos os funcionários públicos apanhados na vertigem corporativa que encontraram no PSD e no CDS/PP um amigo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

recordações da casa dos mortos

estive ontem a ver esta encenação notável do patrice chereau. Trata-se de uma adaptação de um livro autobiográfico do dostoievski. É notável o final do primeiro acto e o início do segundo. A entrada em cena dos prisioneiros no segundo acto é um momento de cenografia perfeito, principalmente depois do choque ao minuto 7:40.



A encenação foi muito boa, por momentos parecia bailado contemporâneo, mas sem as paneleirices do costume. E nem os cantores nem os figurantes tiveram de mostrar a verga ao público (estou a roubar a designação ao Roberto Bolaño) -- uma raridade nos dias que correm.

a propósito de alterações climáticas

...e de dúvidas relativamente a isto

Nenhum modelo de circulação global (ou modelos de circulação atmosférica e oceânica que modelam o clima) "prevê" nada, é impossível prever o que quer que seja. Há cerca de 20 modelos "fiáveis" em todo o mundo. Pus entre aspas, porque alguns são menos fiáveis do que outros... Ninguém se acredita nos resultados locais e particulares dos modelos enquanto tal. Normalmente usam-se ensembles dos 20 modelos diferentes para retirar conclusões. E essas conclusões necessariamente estatísticas: há x% de probabilidade da temperatura média aumentar se porventura houver um aumento y na concentração de CO2. Logo à partida, estimar a temperatura média à superfície envolve erros. Depois, estimar a concentração de CO2 envolve ainda mais erros. Desenhar cenários para o futuro ainda mais: os cenários têm associadas probabilidades de ocorrência, mas é impossível prever o que quer que seja com segurança: desde há uns anos utiliza-se muito o cenário A1B, com o qual eu não concordo, porque prevê um mundo convergente em termos económicos. Eu vejo o futuro de outra forma, mais como o cenário A2. A forma como as relações políticas entre países e regiões se desenvolvem influencia muito a concentração de co2. Vejo a questão de co2 atmosférico como um clássico problema de baldios (sobre o que, a propósito dos 92 postes de 2011, já tinha escrito aqui)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

com este poste chegámos aos 92 postes no ano de 2011.

superámos, ao que parece, todos os anos para lá do ano inaugural.

zé, precisamos de um blog wordpress com um nome comestível - ainda que este não seja menos adequado - para participarmos no combate de blogs.

adoro combates e os de blogs divertem-me especialmente.

melhor vamos fazer um blog que é um combate de blogs.

blog é o som quando faço muita força sentado num pedaço de porcelana com água no fundo.

quero mesmo um combate de blogs. força zé, dá-lhe com a plataforma wordpress.

vamos fazer um combate só nosso e chamar outros amigos que estes escrevem pouco.

chamar-se-á roca. o que está igualmente próximo do pedaço de porcelana e do combate de blogs.

há aliás uma aventura do astérix onde a roca é um elemento central da primeira parte da história. chama-se o filho de césar. e a roca é o seu brinquedo favorito.

outro dia no combate de blogs a roca eram os sindicatos. estavam lá dois moços muito entretidos a dar as voltas à roca. eram ambos filhos de césar. estavam à direita do moderador. à direita dele, não à direita de nós a olharmos para ele. os outros à nossa direita, estavam à esquerda.

dá-lhe zé,
eu também quero uma roca para fazer blog como eles!

mas, pensando bem, para combate de blogs, este serve perfeitamente.

eu, pelo menos, não tenho feito outra coisa.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

concurso

Passos Coelho e José Seguro reuniram-se duas horas a discutir os problemas do país.



ganha o primeiro leitor que leia esta a frase e não for buscar um cobertor, estendê-lo no chão e rebolar a rir sobre ele.

domingo, 25 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

mais sobre o mesmo ou detesto feudos e ainda mais jardins-zoológicos

'a rationalizantion of the exercise of power does not necessarily happen through an increase in repression; on the contrary. repression has cost too much politically, and it runs the risk of costing even more in the current climate, with all these movements running through society. so it's much more interesting to try to make people accept the rate of hyperunemployment they've been facing and will so for years and years to come, rather than to piss everyone off by hunting down homossexuals in nightclubs and in the bushes. we've known this for a long time, but it has become clearer now. power costs something. the exercise of power does not have a clear-cut benefit. everytime we commit an act that is an exercise of power, it has a cost, and not only a economic one.'

foucault

terça-feira, 6 de setembro de 2011

duas notícias que até podiam ser três, ou quatro, ou...
uma só?


bancos portugueses nunca emprestaram tão pouco às famílias.

a bolsa de lisboa fecha a perder 2.8% num dia negro para os mercados europeus.





(pergunta inocente: mas afinal a bolsa perdeu 2.8% de quê? de linhas de código binário?)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

amândio, o homem que partiu do futuro

- Amândio, quando chegaste ao brasil?

- Atraquei em São Salvador em 1903, pela graça de deus.

- E onde vivias?

- Vossa mercê tem cada uma?! Abalei de Goios!

josivalter, o homem que veio do futuro

- Josivalter, quando chegaste a portugal?

- Bem, tomei o avião do Rio para Lisboa faz quatro anos.

- E antes disso onde vivias?

- Ué? Na Rocinha!

para além de agora, sim, entendermos, estamos cada vez mais sabedores.

só fica uma pergunta, mas alguém tinha dúvidas disto antes das últimas eleições?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

olha, queres lá ver que o problema não é só da pátria?

quem diria?

(o percurso europeu do primeiro-ministro de portugal reforça a necessidade de um tratado. um ponto de partida inócuo: mas há uns meses atrás os problemas económicos nacionais não terminavam na fronteira? ponto de chegada igualmente inócuo: a união europeia é constituída por portugal, espanha, alemanha e frança. força amigos, todos a caminho da americanização da europa! e o que é feito da latinização?)

ahh! agora, sim, entendemos!

Pedro Passos Coelho, no seu jeito de quem não diz mais do que quatro palavras seguidas, esclareceu os portugueses, aqueles que têm que ser esclarecidos mesmo que o faça a partir da alemanha (o percurso europeu de ppc merecia um tratado).


Declarou PPC, do alto da tribuna a franzir o sobrolho, que o maior corte na despesa pública portuguesa dos últimos 50 anos corresponde ao regresso do orçamento de estado a valores próximos de 2007. Ficámos, assim, a saber que o aumento de impostos, a redução das prestações sociais, as privatizações, servem para cobrir um orçamento que já era deficitário mas que parecia controlado antes de 2008, ou seja, antes da crise do subprime (oops, disse ricardo salgado) e antes da crise da dívida soberana (ooohhhh, coitadinhos, afirmou de seguida).



A primeira conclusão de quem não entende puto disto é: se basicamente o 'bolo' é o mesmo de antes da crise que se iniciou em 2008 e o governo psd/cds - com a anuência do ps, o desdém do pcp e do be e o apoio impositivo das entidades europeias - cortou nas gorduras do estado, alguém estará a crescer para os lados. Só para tentar situar-me: E os gastos do estado aumentaram porquê? eh pá! E quem está a pagar esse aumento? Eh lá ôh! E quem vai perder com a sua diminuição histórica, nos dizeres de ppc? AHAHAHAHAH!



nota: espero não voltar a usar estes termos no futuro. a propensão de ppc para o uso de termos como gordura ou bolo só faz crer que a sua leitura mais vivificante enquanto jovem foi uma versão reduzida do pantagruel. todas as outras terão criado o que se vê.

segunda nota: tentei partir o discurso em grupos de 3 ou 4 palavras, só para brincar aos discursos à pedro passos coelho. por alguma razão não funcionou.

terceira nota: continuo a olhar para os pés do primeiro-ministro de portugal e a ver o número 86. mas agora usa luvas brancas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

o espectro e a sua análise certeira.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

à lareira, com bagaço, dino meira

a austeridade é cristã. e eu sou cristão por acaso, como os pescadores da póvoa. depois disso sou ateu.

aqui há tempos tive um diálogo com deus. o que se afigurava impossível. mas o sujeito recriminava-me.

tentei responder-lhe usando o argumento da origem e do original. dizia-lhe que não me sentia abandonado por aqui. que não precisava de o entender ou de perceber como aqui vim parar.

esqueces o passado?

não, não. quero-o sempre presente, sem que me esmague. é desnecessário responder por ele.

achas-te liberto de mim? o que procuras?

sempre apontaste a liberdade como um excesso meu. é-o de facto. mas é essa a obra.
apenas o desprendimento.



(há uma conferência de james elkins em que o mesmo afirma que uma obra que critique a religião é caminho directo para a fama, normalmente muito fugaz. todos têm direito à sua campbell.)

sobre a dissolução da união europeia e ainda sobre o grande senhor amorim

"os operários não têm patria. não se lhes pode tirar o que não têm."
manifesto do partido comunista

ou em português corrente:

"a pátria é uma cena que não lhes assiste".

usando da retórica de taberna: não se lhes poderá devolver aquilo que nunca possuíram.

mais ainda, o que é a pátria? uns senhores de pé descalço, sem qualquer uso de argumentos elaborados, definiram-na muito exactamente a um rei português. (o zé já descreveu essa história algures para trás). era vila do conde ou a póvoa, como podia ser a nazaré. ou armamar. a pátria é um acaso, portanto. e que tem isto a ver com o grande senhor amorim? ele não o é.

(deixa-se a nota: não, amorim não é burguês. burguês sou eu, e eu, e eu e eu. amorim é outra coisa.)

ao grande senhor que é amorim

"História Exemplar

Entrei.
- Tire o chapéu - disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
- Sente-se - determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
- O que deseja? - investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
Saí."

Mário Henrique Leiria, Contos do Gin-tonic.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

o meu amigo john matthews entrevistou o jared diamond (autor de por exemplo "Collapse"). aqui fica um excerto.

terça-feira, 16 de agosto de 2011




geography = war
1991 | alfredo jaar

fotografia de parte da instalação.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

'E quando nos últimos dias muitas vozes se ouviram a reclamar cortes na despesa do Estado, Passos Coelho respondeu que o Governo está a reduzir despesa “todos os dias” e que o corte de despesa que foi solicitado a todos os ministros, a toda a administração do Estado, “não tem paralelo nos últimos 50 anos”.' público

façamos contas. em que ano estávamos há 50 anos atrás?

nesse ano começou, oficialmente, a guerra colonial. por essa altura o número de emigrantes registou um aumento avassalador. há uns tempos o mm ppc afirmou que queria estancar a saida dos portugueses para o exterior. e agora diz isto.

BRAVO! ENCORE!

(e quando olho para os pés do senhor vejo um número 86)

domingo, 14 de agosto de 2011

o hípercluster, daba diba diba dum

Depois do relatório híper pseudo mercado livre do hípercluster da economia do mar ter sido publicado, ficou claro o posicionamento de certas e determinadas pessoas quanto ao património cultural, ambiental e humano que a pesca representa e representa para portugal (nomeadamente José de Mello, EDP, BCP, Espírito Santo, Galp, PT, Somague, Mota Engil e pia fora).

Como de costume defende-se um incremento à competitividade no sentido de mercado (mais concorrência, mais mercado), por outro, o caminho para lá chegar é obviamente através da abertura de canais priviligiados de contacto entre a burguesia do costume e o estado (de que o relatório em questão é um exemplo). O joão já tinha referido um ou dois pontos importantes, como a privatização dos recursos como forma de racionalizar o seu consumo (por outras palavras, limitar o seu consumo a quem tem dinheiro) e variantes de projectos PINs. Não é que a racionalização da pesca seja por si negativa. Falha no entanto o ponto essencial, que é a razão pela qual os stocks de peixe estão em queda acentuada.

Vai ficando claro com as notícias que saem que os grandes culpados não são a pesca tradicional, que se quer agora destruir com o tal hípercluster, mas como sempre a capitalização do sector, com grandes armadores do norte da europa a capturarem a maior parcela de peixe, a maioria do qual é utilizado para rações de animais e fertilizantes. A greenpeace pode ter uma mão cheia de acções nos supermercados para o seu directo no telejornal, mas como já disse há uns tempos, a revolução não vai acontecer na prateleira, mas sim na rua. Apesar de apontar os alvos errados, o problema é pelo menos trazido à televisão, o que já é melhor que nada.

Para quando uma resposta a mais uma ameaça à deslocalização da produção nacional e à privatização de recursos naturais de TODOS?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

e por falar em hurras à cultura pop, e que tal este filme fraquinho?


coincidências das coincidências, e não ligando à solução final bastante higiénica - no sentido nacional-socialista do termo até ao final da II grande guerra e também no sentido social social-democrata do após a mesma, em que a resolução dos problemas reside no regresso dos bósnios a casa e na dedicação dos ingleses à sua família inglesa - é em londres e há um moço que ganha a vida (ou a perde, ahh...!) a gamar um recém aberto atelier de arquitectura numa zona degradada. recordei-me depois de ler um dos posts de hoje no spectrum.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

e por acaso, não vos vem à cabeça de forma insistente o 28 dias depois? hurras à cultura pop.
ah! como era bom estar em londres, mais ou menos ruborizadas, as cores da noite dão um brilho à cidade!

neste momento há 16 000 polícias em volta do ponto 51º32' N 0º5' W








'y asi, por la primera vez en la historia con un sueldo de mierda podrias vivir de puta madre'

o outro lado do post anterior, a sul, mas também a este.


e aí para baixo fazemo-vos o mesmo que ainda gostam mais da bola que nós!

Dado que os níveis de desigualdade em Portugal são semelhantes aos do Reino Unido e que temos vindo a optar pelo mesmo rumo de compressão dos direitos laborais e sociais, redução dos serviços públicos, fomento do desespero e destruição do tecido social, faremos bem em reflectir sobre isto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Curioso como em itália foi a burguesia a pôr as agências de rating em tribunal. Em portugal, a burguesia é mansa e anda ao sabor dos tempos. Teve de vir esquerda fazer as honras da casa e proteger o interesse nacional.

domingo, 31 de julho de 2011

a propósito de materialidades,

sexta-feira, 29 de julho de 2011




'A obra de arte é, na sua materialidade, o objecto de estudo da disciplina e, neste sentido, toda a investigação em História da Arte deve proceder primeiramente do objecto e não de dados externos. Criticando, deste modo, uma aproximação ao fenómeno artístico pelo lado da hermenêutica, onde identifica um grande afastamento em relação às obras de arte, não deixa de salvaguardar que a arte não é teleológica e que é aí, nos próprios fundamentos da disciplina se remontarmos a Vasari, mas também no determinismo hegeliano, por exemplo, que se pode identificar a dificuldade da prática historiográfica em tratar os movimentos de continuidade e ruptura fora de uma lógica cíclica.'


quinta-feira, 21 de julho de 2011

pedaço de poesia da caixa de comentários do 5dias.net

Filho d´Ólhão says:
20 de Julho de 2011 at 21:32

Ele não foi preso por roubar materiais de construção. Este manguelas tinha uma padaria em Olhão, com os filhos iam a padarias em locais isolados à noite roubavam as máquinas, sob a ameaça de armas. Assim conseguiram montar a melhor padaria do Algarve.
Demorou anos a serem apanhados. Os mau maus eram mais conhecidos que o corvo do chocalho, espalharam o terror de um extremo ao outro do Algarve. Toda a gente sabia o que eles eram, menos as autoridades. Autêntico.
Responder

*
ana cristina leonardo says:
21 de Julho de 2011 at 1:39

Tudo em olhão é autêntico. Heidegger ter-se-ia sentido ali nas sete quintas

segunda-feira, 11 de julho de 2011

da merda

um dos meus maiores desgostos é não poder tomar banho nos rios das cidades de que mais gosto... a poluição interiorizou-se de tal maneira na vida das pessoas que já nem é uma inevitabilidade, é um facto inabalável, uma constante da vida, uma coisa que já lá estava. é uma daquelas evidências que têm de ser quebradas à força: como a Sunita Narain dizia, e é bom relembrar, nós defecamos, puxamos o autoclismo e não pensamos mais nisso. É preciso aproximar de novo a merda das pessoas, para elas deixarem de pensar em inevitabilidades. Em suma, "flush but do not forget".


Mas pronto, já não hei-de morrer sem tomar banho no tejo (já tomei, mesmo ali à frente dos Jerónimos, perdoem-me os puristas). Mas para quando ir de toalha ao ombro para o terreiro do paço?
eu diria que o problema não é bem bem das agências de rating, mas de quem as reconhece como avaliador oficial do risco de transações financeiras, tal como está explicado abaixo.

Isto ou isto é portanto uma contradição enorme, do tamanho da do cavaco. esta gente devia ouvir-se daqui a uns anos...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

não foi nisto que acabou o caso bragaparques?

http://www.publico.pt/Pol%EDtica/alemaes-acusados-na-venda-de-submarinos-evitarao-pena-se-estado-deixar-cair-caso_1501981?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29&utm_content=Google+Feedfetcher

quarta-feira, 6 de julho de 2011

a grécia

lia hoje no sueddeutschezeitung a admiração de um economista, que se perguntava como é que um governo pode reduzir salários na função pública, aumentar impostos e cortar na despesa pública, sem melhorar os serviços prestados pelo estado, sem reforçar os hospitais públicos, a assistência social. Porque é isso que seria de esperar quando se poupa: que os recursos porventura redundantes que são poupados (duvido que sejam redundantes, a avaliar pela distribuição dos custos da austeridade que foi feita), possam ser aplicados no estado social, em medidas que compensem os déficites sociais do país.

Pelo contrário, aos cortes sucederam-se privatizações, encarecimento dos serviços de saúde, o que já se manifestou na redução da esperança média de vida. Que governo é este que põe os interesses dos bancos à frente dos interesses do país? Que tipo de cleptocracia é que estamos a viver todos?

Esta democracia não nos serve.

em 2007 a união europeia aderiu aos princípios dos acordos de Basel, que estipulam que as agências de rating são a medida do risco de incumprimento dos bancos europeus. Na prática já eram antes, mas sem legitimidade política: só 3 países da moeda única estavam entre os signatários dos acordos. Com a crescente transferência de soberania para as instituições europeias -- mas sem o correspondente reforço do poder de escrutínio directo e inequívoco das políticas europeis por parte do povo -- com a tal transferência de soberania, dizia eu, chegámos ao ponto de portugal, grécia e restantes países da moeda única, assinaram os mesmos acordos de basel por procuração. Na prática, sem ninguém perguntar nada aos portugueses, assinou-se um acordo que legitimou politicamente as agências de rating e as suas avaliações (na realidade houve várias eleições desde então).

Quem assinou acordos que compromentem o país, quem escondeu ou ignorou as consequências dos seus actos? Quem assinou os tratados de nice, maastricht, de adesão à CEE sem me ter perguntado? Esta democracia não me serve.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

o que se passa hoje na grécia é uma chantagem inadmissível. Condenar um povo à miséria para manter o status quo dos ricos da europa.

eu sou contra mais um plano de austeridade grego. espero sinceramente que hoje aconteça uma desgraça para esta europa. é inadmissível que não haja uma manifestação de solidariedade, uma porra de um cartaz nas paredes sobre o que se passa hoje em atenas. a atitude acrítica dos povos da europa para com as consequências do seu bem estar roça o estado de coisas do colonialismo do século XIX.

hoje decide-se tudo, não no parlamento grego, mas na praça sintagma. tudo tem de cair hoje.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

a bebedeira dos números continua... 15% a 3 anos, y% a 10, 2 anos depois, como é que ainda ninguém percebeu que a brincadeira já devia ter acabado há muito tempo?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

lamento defraudá-lo, caro senhor primeiro-ministro

“Conto com todos para fazer desta situação difícil uma grande oportunidade, que vamos a tempo de agarrar, para transformar as dificuldades em aventuras. E os tempos terríveis que deixámos para trás, substituí-los pela esperança de podermos vir a ter dias mais felizes que vamos celebrar, nesse dia, todos em conjunto.”

Pedro Passos Coelho, no discurso após a vitória nas eleições de 5 de Junho de 2011


e assim, de mansinho, foi-nos prometido o futuro do futuro. nada que não se tenha já postado neste pasquim como um traço dos momentos que correm, no presente que é já só o futuro projectado a trinta anos.

há algo de messiânico nestas palavras de ppc. efectivamente, o que nos é oferecida é a salvação. não sem a alusão, algures no discurso por inteiro, ao que há de comum a todas as religiões e que o próprio termo religião expõe: o retorno a um momento qualquer em que o sentido de totalidade ou de unidade se expressa pelo peito aberto de quem é dono do seu destino por ter presente o ponto de partida. o ponto de partida, esse, é o momento qualquer, incógnito, em que o peito estava aberto, em que o ar entrava às golfadas, em que a união entre o sujeito e o que o rodeava era, mais que simbiose, uma perfeita unidade.

seria fácil partir daqui e fazer equivaler os cavaleiros do apocalipse ao fmi, ao feef, ao bce ou à ue. fácil seria, também, colocar-lhes a cartola e o colarinho branco, o charuto e a barriga ou o cifrão em alfinete de gravata. fácil seria, portanto, encontrar responsáveis pelo presente que não posso saber se apenas é o passado do futuro a quinze anos no meu presente. (preferiria pensar no que aqui há não de presente, futuro ou passado, mas de eterno. ou, pelo menos, de um eterno limitado pelo humano.) fácil seria acreditar que, identificado o mal, o caminho da salvação estaria à minha frente. fácil seria, também, fazer coincidir o programa político mais votado pelos portugueses com qualquer um daqueles cavaleiros. eventualmente, ao fazê-lo, largaria outros tantos.
mas contando apenas com aquilo que conheço do meu presente:

lamento defraudá-lo, caro senhor primeiro-ministro, conte com todos, mas não conte comigo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

não só em portugal as baratas correm em círculos

junto de um dos nossos morrem pessoas infectadas por um agente qualquer que reage com um outro que existe dentro de nós sem nos matar e sem ser cristo, libertando uma toxina que, veja-se, é acicatada pela medicina convencional que atira com antibióticos para cima de qualquer coisa. um mimo da ciência ao nível da sofisticação do meu furador com vários tamanhos. vá, um pouco acima, concedo. mas para falar sobre ciência há aqui gente mais capaz do que eu.

também deixaria uma palavra às vítimas, mas como receio não chegar a tempo, explico porque me dei ao trabalho de me ligar aqui e escrever isto.

vejamos as reacções, que confirmam a esplendorosa relação que a Áustria sempre teve com a Alemanha. Vêm os alemães e dizem: alto lá! isto é de origem alimentar e vem dos produtos da agricultura espanhola! Chegam os austríacos e respondem: Mais, vem da agricultura biológica espanhola! Se eu fosse, sei lá, português do alentejo e plantador de tomate, diria: Mais, da agricultura biológica espanhola andaluza e já começa a afectar a agricultura intensiva, essencialmente das plantações de tomate! Mas nós cá não temos nada disso!



Recentemente surgiu a tese que defende que a peste negra não foi, ou muito provavelmente não foi, transmitida por ratos. mas eles já não se livram dessa. logo eles, que são tão fofinhos.

domingo, 29 de maio de 2011

auditoria

só escrevi isto para não me esquecer. se calhar nem faz sentido...

auditoria é muito bonito, mas se ninguém a fizer nunca será feita. com isto em mente, porque não começar uma wiki onde se faça uma auditoria popular e participada por todos às contas públicas dos últimos 20 anos?

A experiência aponta para um nível de rigor bastante alto neste tipo de projectos, veja-se a identificação de plágio na tese de doutoramento de um ministro alemão ou doutras figuras públicas. em pouco tempo identificaram-se centenas de páginas copiadas de fontes que nem sequer estavam online.

penso que poderá ser a forma mais aberta e democrática para uma auditoria. envolve riscos, dada a complexidade de orçamentos. por outro lado o anonimato permitirá a divulgação de contratos que de outro modo nunca iriam chegar ao domínio público.

fica a ideia para quem a quiser apanhar. aposto que há por aí muito ratinho de computador (incluindo eu) ansioso por começar uma coisa destas.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Para os que emigraram ou que estão temporariamente nos eua, pode-se seguir a assembleia popular do rossio no 5dias.net, com gravações vídeo e imagens virtuais em caso de fora de jogo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

explicação aos pássaros

o euro é a única moeda forte do mundo em que se ganha juros a 13% com garantia! com o dólar ninguém pode brincar com a emissão da dívida dos estados federais (ou mesmo com os bundesländer), porque existe o Fed ou o Bundesbank a emitir dívida por eles e a transferir a massa de seguida.

é óbvio que os especuladores estão todos contentes! nem nos sonhos mais molhados alguma vez lhes passou pela cabeça um investimento tão lucrativo e sem risco! e andamos nós a chorar por isto...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

assinalar a morte

de alguém que não teve direito a julgamento.

Assim se assinala também a farsa que é o império. Depois da segunda guerra mundial, os responsáveis morais por crimes de guerra foram julgados antes de serem executados -- de certo porque os judeus mortos não eram americanos.

domingo, 24 de abril de 2011

nunca havia assinalado aqui a morte de ninguém, só mesmo a vivência meta-física de sb, o próprio.

mas depois de ler um pedaço de uma entrevista, que inclusivamente fala do ranço modernista - esta era uma bela discussão, o ranço modernista - achei por bem deixar aqui o link.

Não conhecia Paulo Reis antes de ter morrido, mas conhecia a programação da Carpe Diem. Ter também trazido a Lisboa Hans Belting ou Michael Hardt é um bom cartão de visita. Mas este poste está aqui porque a entrevista vai na sequência do que dizia o amigo brasileiro do Zé ou do que escreveu o Pessoa com o despejo aos mandarins da europa e por aí fora.

http://www.storm-magazine.com/novodb/arqmais.php?id=139&sec=&secn=

sábado, 16 de abril de 2011

ora nem mais!

e regresso aqui por que isto, sim, é uma frase que se diga:

"Quem tem morcelas não precisa da OMC."

estava num comentário algures para baixo.
posto aquilo,

adiante com a crise!

venha essa precária botar faladura!

viva o souto moura e os milhões que ganhou na derrapagem do estádio do braga!

viva o brasil!

viva! e viva também o verão!

e viva também a europa do sul que os outros são todos uns macambúzios cheios de si!

e viva latinização do país! quem a dera!

e viva a Europa que nos dá títulos e vende jornais!

e viva o alentejo e venha outra reforma agrária que estou farto dos tomates de espanha!

e acima de tudo, viva nós que vamos cá estar na próxima intervenção externa!

viva caraças, que se isto fosse na suécia andavam suicidar-se aos montes!



este vídeo foi aqui colocado porque:

1. remete para o congresso do PS

2. lembra a solução única do FMI/FEEF

3. é uma alusão da falta de pluralidade de opiniões na comunicação social que uma petição pública contesta

4. foi gravado pouco antes de uma outra intervenção do FMI

5. demonstra que uma crítica institucional é possível dentro da própria instituição

6. tem uma piada do caraças

7. faça favor de adiantar outra hipótese

terça-feira, 12 de abril de 2011

falava aqui há tempos com um amigo brasileiro que sugeria que mudássemos a capital para o rio de janeiro.

as finanças púbicas ficavam sanadas num instante.

sábado, 2 de abril de 2011

e outra

ainda aí uma ex-precária que quer escrever aqui!

é característica delas a despachadez e prontidão de resposta, faça favor de comparecer ao ponto senhora B. que a gente cria-lhe um posto aqui no tacho.

mais uma...

...recomendação ao senhor souto de moura:

obrigada por nos recomendar (a nós arquitectos) a emigrarmos.
recomendo-lhe a si de empregar as pessoas por mérito e não os filhos dos seus empreiteiros, faça como o siza e talvez ainda ganhe outro pritzker na vida!
O siza ganhou o pritzker há mais tempo por ser esperto, isto é: por empregar pessoas boas que fazem trabalho bom e não preguiçosos filhinhos do papá e da mamã.

beijocas senhor arquitecto
até ao meu regresso (que infelizmente está para não acontecer pelos vistos)

"o meu primo"

Há tempos falei com uma webdesigner/precária muito simpática que estava determinada e de malas feitas para voltar a portugal: chamava-se Marta.
Falámos de um problema que nos atinge a todos, dessa forma fatal, como nos atinge o ódio a ira o amor e a paixão: as familias grandes e as solidariedades.

vou explicar a problemática do "primo":

Esta designer contou-me que a grande chatice de arranjar trabalho pago sempre foi a solidariedade e entreajuda nas famílias que têm todos os tipos de profissões consigo. Conseguir criar um logotipo para o site da empresa de alguém até é tarefa fácil, sugerir a remuneração...ah isso já nao sei: "o meu primo tem muito jeito para as artes, ele faz uns esboços bem bons ou melhores que os teus; lá na escola primaria ele até desenhava muito bem, era o melhor - agora gere uma agência funerária em Travassós de Cima".

Pobre Marta, não consegue convencer ninguém de que estudou e que está qualificada para a função, de que tem capacidade de analisar a empresa e sugerir um logotipo, que até se poderia transformar num sucesso de vendas e gerar colaborações futuras, um novo site, um quiosque, pontos de vendas mais atractivos, etc.
A Marta já esta em Lisboa, decidida a ser paga e a trabalhar para todos: família e desconhecidos. Nao se esqueçam de lhe dar razão. Paguem-lhe! (E contratem-na) O fiado já era.

quinta-feira, 31 de março de 2011

"O QUE TU QUERES É FESTA"...foi-me dito

"TODAS AS NOITES"...pensei eu!

e porque este blogue também não deve ser só feito de conversas intelectuais sobre economia e politica acho que me cabe a mim o papel de anunciar uma bela festa:
será o anual 15 de agosto, que se celebra religiosamente todos os anos no último dia da primeira quinzena do supra citado mês, com o tema de "FESTA DO EMIGRANTE" na bonita aldeia da Granja de Penedono, na região da Beira Alta.
Esta festa foi criada com o intuito de receber os emigrantes da vaga dos anos sessenta que partiu para as franças e suíças com a sua mala de cartão. Vamos revitalizar este evento e adaptá-lo aos novos emigrantes: os do canudo. Para que as duas gerações convivam em alegria e comunhão de espíritos.
--
Nota-se que há aqui um certo espirito visionário, ou uma tentaviva miserável de o ter. Portugal não podia estar pior, ou é impressão nossa? A páginas tantas... esta é a melhor altura para se regressar! Nem que seja para pegar na sachola.

Alerta máximo para os do canudo: é bom que estes não voltem com as inspirações ou aspirações arquitectónicas daquelas que nós já sabemos e vimos com total vergonha pelas nossas estradas e ruelas...

(a título pessoal e plural também e mais que não seja para apimentar a coisa ou ajudar à popularidade do evento (já é sabido que é receita de sucesso) queria anunciar que haverá raparigas solteiras e casadoiras (eu incluída). Como nos tempos antigos, a festa do emigrante seria uma boa ocasião para encontrar futuras consumações, isto se eu e as minhas amigas não tivermos tempo de ir ao Santo Antonio de Lisboa acender uma velinha este ano. Felizmente que estas coisas acontecem anualmente, há sempre uma esperança, se nao for desta, é para a próxima! Estamos também dispostas para requisitações de fotografia) Desculpem tentar fazer deste blogue um mini matefinder, foi só um pequeno aparte de quem já esta muito londrino/citadino.


Em alternativa, anuncio também outra festarola muito boa: Festival da Broa em Santa Cruz da Trapa, 11 de Agosto de 2011 (por confirmar). A acompanhar com o Andanças está claro.






sexta-feira, 25 de março de 2011

A esquerda a que eu me referi é muito simples de definir: socialista, liberal e empenhada em tornar um projecto europeu num projecto realmente democrático, que faça tudo o que possa para garantir a manutenção de modelo social. Refiro-me à esquerda como apontada por Rui Tavares, quando recentemente (peço desculpa por ter perdido o link) lembrou a se refere o acrónimo LEFT.

Como é bem claro, afirmei o meu espanto em relação a todos, repito todos, os que se sentam no parlamento. O terceiro estado português que todos conhecemos, e que no PREC foi bem definido como o estado a que isto chegou, resulta da actuação miserável de todos - e repito, todos - os agentes políticos nacionais ao longo dos últimos anos.

Partilho, claramente, o teu comentário Zé, A figurinha de Sócrates na Alemanha foi miserável. Vale-lhe ter sido alguma coisa, mas foi miserável. Como tem sido dito e reforçado - e muito bem - em muitos sítios por esse mundo fora, a única saída possível deste problema - nacional e europeu - é com uma posição forte de todos os países periféricos, dos PIGG’s, ou do que se quiser chamar. Até porque com a insolvência portuguesa, e como bem dizes, a banca entra em histeria. A Espanha é o país com mais interesses comerciais em Portugal, se não me engano, e quando esta não receber, o resto da Europa vem por arrasto. É preciso meter-lhes medo a todos, tens inteiramente razão.

Mas, então, se tanto o BE como o PCP apenas são anti-esta-europa - por minha parte suspeito bem que a posição anti-europeia de antes de 1989 tenha constituído um chão bem mais difícil de limpar do que o que dizes, ou seja, que já está limpo - pergunto-me porque, em todas as intervenções que ouvi, repito todas (das que ouvi, o universo está bem delimitado), a referência ao problema europeu é 0. Repito, 0. A discussão política a que tenho assistido por parte dos avençados da Assmbleia tem residido em: o PEC é mau ou este PEC é mau, na definição da numeração romana atrás do PEC, se é o quarto ou o quinto, se é PEC ou não. E continua, se o governo está bem ou mal, se a oposição está bem ou mal, se raio que os parta. Ou seja, e lembro-me agora de outro comentário acerca do debate do sporting em horário nobre na RTPN, tudo, menos o que interessa. Como se diz em Medicina, estar a discutir o PEC é estar a discutir o sintoma. E voltamos à razão que tinhas sobre a figurinha do Sócrates.

Mas, e era esse o objectivo do meu baralha, volta a dar e tudo na mesma, as eleições antecipadas não resolvem nada, o mais provável, aliás, é que piorem. A não ser que, e por isso a ideia da coligação de esquerda, haja uma posição forte acerca da Europa na discussão política que aí vem e se assuma que qualquer coligação PS-BE-PCP tem que passar pela afirmação clara da posição de Portugal no contexto Europeu e fora da lógica do bom aluno. E aí, se finalmente BE e PCP decidirem que também têm que contar quando se pensa na constituição de um governo, talvez possamos fazer alguma coisa.

Mais uma vez, já sabemos que isto não vai acontecer. Embora eu já saiba em quem vou votar, e já o sabia antes, e vou dar força a um dos partidos mais à esquerda na esperança de que não haja maioria PSD e PP e de que isto obrigue a esquerda a juntar-se. E mais, não será o mesmo em que voto para as Europeias, já que o Rui Tavares se tem revelado como a maior sorte que o BE teve na lista de independentes e que o Miguel Portas é uma mais-valia do partido. É pena que estejam arredados para lá.

reestruturação a bem da nação

http://www.openeurope.org.uk/media-centre/summary.aspx?id=2564
continuo a insistir: declarar bancarrota (ou insolvência, ou lá como essa merda se chama), não deixar entrar nem FMIs nem derivados e arrastar a europa connosco até ao fundo. Devia-se circular esta ideia. Aposto que os bancos alemães iam começar a tremer e deixavam-se de rodriguinhos.

É uma decisão fundamental e política, que já vem sendo arrastada há meses, e que é justificável: afinal, não foi de um momento para o outro que o défice português disparou para os dois dígitos. Antes da crise deles, estava abaixo dos 3 por cento. Em última análise, só chegamos aonde chegamos por causa das receitas de austeridade, agências de rating e recessão generalizada na europa.

Como país pequeno que somos, a única arma que nos resta é ameaçar fazer afundar o barco.

mhhhhhhh

se o problema português é a dívida externa e se o nosso maior desequilíbrio é o energético, será q se poupavam uns milhões a desligar candeeiro sim/não? e por aí fora, que há uma série de medidas do género que já foram postas em prática vastas vezes. sei lá, impedir, do dia p a noite, a circulação de automóveis ligeiros entre as x e as y, durante o dia...etc, etc, etc, etc, etc. já nem digo que deviamos comer presunto e queijo dos açores ao almoço e jantar e umas azeitoninhas ao lanche. isto pq outro desiquilibrio importante é o alimentar.

foi só mais um achismo,mas deve ser bem mais espertalhaço que aumentar iva.

quarta-feira, 23 de março de 2011

baralha, volta dar e sai macete na mesma

há um par de horas atrás, e espero não estar enganado, o ps não começou a ganhar as eleições. mas o psd começou a perdê-las, que é realmente a única coisa que pode mover alguém a dirigir-se às urnas no próximo dia qualquer coisa. o psd e o pp perderem-nas.

claro que voltamos ao mesmo. o pcp e o be são anti-europeístas mas não se assumem. ambos preferem a oposição do que assumir despesas a governar e, obviamente, ambos não se coligam nunca com um ps liderado por sócrates. e para o outro lado da bancada..bem, os últimos dois, três anos são bem explícitos. era imaginá-lo elevado a qualquer coisa, menos 0.

agora, só me fica uma pergunta, para quê esta merda se daqui por seis meses estamos na mesma? fico sempre espantado com toda a gente que se senta no parlamento, ou quase toda, mas fico ainda mais com os sorrisos de vitória dos opositores do governo. será que não perceberam que não vão ganhar merda nenhuma, pois se tudo ficar razoavelmente na mesma (ou pior, o psd e o pp têm maioria coligados! ai que eu choro!)? ou então, a esquerda coliga-se toda, cai-me o queixo ao chão e peço desculpa por tudo o que aqui disse.

segunda-feira, 14 de março de 2011

não sei é consequência do passado dia 12, mas finalmente uma greve como deve ser.

espero que dure duas ou três semanas. pelo menos eu amanhã - ou pensando melhor, depois de amanhã, mas estarei a tempo - vou abastecer a dispensa a pensar que bom será se não houver comida nos supermercados daqui por três semanas. se não houver combustível nos postos de abastecimento. e outros.

http://aeiou.expresso.pt/camionistas-vao-parar-as-0000-de-segunda-feira-por-tempo-indeterminado=f637333

quarta-feira, 9 de março de 2011

rendida

Fiquei rendida a esta menina... leiam este post, que ela escreveu sobre os portugueses a explorar o mundo.

http://www.saritamoreira.com/2011/01/os-portugueses-em-timor/

parva

já vi e ouvi a tal música que fez revolução, ontem pela primeira vez.

n1:
fiquei surpreendida, tem um tom romântico, estava à espera que fosse uma espécie de carvalhesa, mais activante, ou um "que força é essa" do sérgio godinho

n2: a letra faz todo o sentido, já ouvi comentários maus, mas eles escrevem dos amigos que conhecem e do que eles enfrentam...eu também tenho amigas que estão parvas.

n3: conheci a ana bacalhau, que para além de ser uma simpática, também se safa bem no palco em inglês.

n4: um brasileiro disse-me - essa coisa do fado no brasiu é negócio de salazar prá gente, mas esses aí são bem diferente...

(n5 um deles é muita giro)

afinal qual deles é que escreve as letras dos deolinda?

terça-feira, 8 de março de 2011

avaliações, livros, cursos, reuniões...

se tivesse um iphone com internet xpto até postava...

sábado, 5 de março de 2011

e a propósito de guerras e financiamento de guerras, uma conversa que eu fui ouvir e uns filmes muito bons que por lá se mostraram. sobre a guiné-bissau, a luta do PAIGC e o envolvimento das mulheres crianças, etc.

Não cheguei a ver o filme, mas "Guns for Banta" de 1970 de Sarah Maldoror deve ser bom. E triste, e outras coisas que aqui nunca direi mas que com o tempo se começarão a falar em portugal.
Têm a ver com a geração dos nossos pais que teve que enfrentar uma realidade bem difícil: a de fugir...ou lutar. Ou fugir e lutar.


http://www.gasworks.org.uk/exhibitions/detail.php?id=613
...alguém me chateou muito por eu dizer neo-colonislistas porque era muito pejorativo nesta discussão do encontro com o outro continente a sul de nós.

Não vou dizer mais nada. ah, vou só dizer: o que é que anda a mota engil a fazer em angola (malawi e etc.)? a ganhar dinheiro... como?! lá já há classe média está certo e muita gente a viver miserável, nos musseques, ou a ser deslocada para onde der mais jeito a quem dinheiro tem. bom enfim. eles lá das empresas são honestos como nós todos, mas não sei como fazem tanto dinheiro. ok ok não vou usar esse termo, porque não é correcto.

...

Agora, a propósito de outras gentes, outras gerações e outros exploradores, li há tempos um livro muito bom do recém aclamado Valter Hugo Mãe, chamado : "O apocalipse dos trabalhadores". O valter ganhou o prémio literário José Saramago em 2007 com o "Remorso de Baltazar Serapião" que deve ser muito bom de se ler.

Este livro (o apocalipse) fala da vaga dos trabalhadores do leste que invadiram portugal já há uns largos anos à procura de um trabalho na construção civil e nas limpezas. (Por aqui por londres temos falado muito de empregadas de limpezas do leste, não com elas, porque infelizmente ainda não dominam a língua, mas sobre os seus afazeres.) ...Fala do encontro com as portuguesas e da saudade que sentem ao deixarem a sua terra, à qual parece que nunca mais vão voltar. ...Fala da dificuldade que é ser emigrante.

...Amor e tentações às quais ninguém resiste...mulheres portuguesas que eles do leste acham baixas e gordinhas (!)
E como a este bom blogue convém, está escrito no estilo mais ordinário que se possa imaginar. Cheio de referências sexuais, explícitas, implícitas e escancaradas!

É muito bom, recomenda-se! Valter é e será um grande escritor.
Editora Quidnovi

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Por um acaso, enquanto acendia o pensativo cigarro de antes de ir para cama, surgiram-me duas coisas:

A primeira, aparentemente de pouca importância, explicou-me porque tanta gente fuma mesmo com os programas de sensibilização nas escolas. Referir o pensativo cigarro como exemplo num exercício corta a base de qualquer campanha. Especialmente, o que é até bastante provável, se o professor for fumador.

A segunda, aparentemente de muita importância, tem como objecto a discussão do problema de geração ou de classe que vem sendo referida. Antes de mais, uma geração é uma classe e nem implica económica ou socialmente, como a mariana referiu, uma classe homogénea. Esta é, claro, uma objecção que não objecta nada.
No entanto, a classe – social ou económica? política – podendo ser mais abrangente, implicar mais consequências no mapeamento do problema que se lhe coloca – eco nómico, mas também social e, acima de tudo, político – parece que não nos resolve o problema de base.
Há duas histórias, ou teses como urge chamar-se em calão: uma defende que este é um problema de geração porque a anterior suga os recursos da seguinte – para a qual, afinal, confluem em grande parte os orçamentos da geração mais velha. A outra afirma que há uma classe – social, económica, cultural, mas acima de tudo política e homogénea – que beneficia da exploração de uma outra classe – também social, também económica, também cultural, política e não-homogénea (neste caso, o facto de se discutir se é um problema de geração ou de classe, é explícito).

O que lhes é comum, e não é pouco, é o facto de afirmarem sempre uma cisão. Ambas servem para acusar um outro. Nós que apontamos o dedo a outros com mais ou menos retórica. Efectivamente, seja qual for a noção de classe a que cheguemos pela construção do raciocínio, falamos sempre de um processo de discussão, mais ou menos açulado, que se deve resolver no âmbito da disputa política. É esta a minha preocupação. Estou demasiado farto de ouvir falar de economia. Não porque não é importante, antes fosse, ou porque não resolva problemas, antes resolvesse. Mas porque a discussão, na esfera pública, parece excessivamente centrada na solução de um problema económico. E este não é económico. É político.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

essa confusão da geração e classe claro que é gerada pelas diferentes experiências vividas. ainda não ouvi a tal música dos deolinda. estou à espera de a ouvir ao vivo e a cores!

ora os tais que se queixam do carro para pagar e de ter que viver em casa dos pais são os que optaram por ficar por portugal: por preguiça, por amor, por conveniência ou porque sim...

os outros que puderam sair, ou que nem tiveram hipóteses porque os pais optaram por si mesmos, têm problemas também.

há uma imagem muito interessante nas páginas do cristianismo que é um pássaro a arrancar bocados de si para dar aos filhos. vi uma pequenina esculpida numa coluna da sé da guarda, mas não tenho aqui fotografia. quando tiver desenvolvo mais sobre o assunto. e é um bocado disso que nós somos feitos em portugal: autofágicos.


porém atenção: não se iludam com esses modelos ideiais sociais democráticos das suécias e etc.!! não vale a pena ir copiar já já essa juventude sem os perceber. eles são muito independentes, fazem tudo...mas dependem do governo, que por sua vez depende e se alia às empresas de sucesso como a volvo, a skanska, a hasselblad, a astrazeneka etc. que por sua vez começaram bem porque numa certa altura de uma guerra, a suécia andou a vender ferro a uns certos senhores alemães e a permitir-lhes o acesso à rússia...ajudava uns (era neutra) e outros e lucrou com isso. E MUITO! por isso somos todos mauzões.


os suecos há uns anos atrás não passavam de pobres camponeses. tenhamos menos ciúmes. mandemos menos exploradores para fora, conquistar o mundo e esbanjar tudo como dantes e já agora acho bem que se tenha acabado com essa coisa um bocado estúpida que andou a ser o inov-arte. foi o mesmo nos descobrimentos. esbanjar os nossos recursos para nos mandar para fora e depois não dar condições para nos voltar a receber. e perder tudo...


seremos eternos exploradores do mundo? por isso é que eu digo: neo-colonialistas.
mas desta vez com respeito e sem racismos.
Tenho que deixar as boas vindas!

Alvíssaras, há mais movimento no escrotínio,
Seja bem aparecida!

Para já, não estou capaz de contribuir, mas tentarei.

Até breve.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vale a pena ler isto, a propósito da confusao que aí anda entre geracao e classe

receita

porque nada vem do nada e nada na vida se faz sem comida... aqui vai um hit muito popular nos anos oitenta, felisminas!

ingredientes:
250 gramas de açucar
250 gramas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
3 ovos
1 chávena de leite
100 gramas de manteiga (derretida)

açucar e canela para polvilhar em cima

Misturar a farinha, os ovos e o leite. Mexer bem.
Juntar o açucar e o fermento em pó e no fim juntar a manteiga derretida. Mexer com convicção

30 minutos no forno pré-aquecido. Deve-se colocar a massa numa forma rectangular e larga para se obter uma espécie de rectângulo com cerca de 4 cm de altura.

Quando o preparado estiver pronto, cortar aos quadradinhos. Misturar o açucar e canela e polvilhar em cima das felisminas.
Bom apetite. (melhor ainda se for saboreado a ouvir músicas do Sérgio Godinho)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

pessoal

fujam de portugal
neo-colonialismo é o que está a dar.
onde estão as regras do novo acordo ortográfico? afixadas nas ruas em placards?

post não autorizado

Não foi conseguida uma autorização oficial a tempo para poder publicar este post, mas tendo tanta graça, estando tão bem escrito optámos por o fazer. Foi escrito há sete anos atrás, aliás dactilografado. (os blogues eram assim).

"Um imbecil de um seropositivo aborda-me, vangloriando-se de que eu até já o conhecia - a conversa é sempre a mesma. Como sabes, não abunda em mim paciência para imbecis, muito menos seropositivos. E este já me fez das boas, pediu-me 5 cêntimos numa estação de metro e foi gastá-los num snickers. Respondo-lhe que a ele, em particular, não lhe dou nada, precisamente por causa deste episódio. E explico: com o euro que gasta na máquina pode ir a uma padaria, frutaria ou até pastelaria; pode gastá-lo num pão, uma fatia de fiambre e uma fatia de queijo. Mas ele tem uma carta na mão e responde, não fosse ele um idiota chapado (por isso é que é mendigo), que até nem é esse o costume dele, devia ser de noite quando eu o vi, porque ele até costuma comer snickers em pacotes de 3, compra-se na mercearia. Aí enervo-me e insulto-o, ele defende-se, até nem é toxicodependente, não bebe, não fuma, o único prazer que tem na vida é o chocolate snickers; e vai-se embora.
Chamo-o de novo, espera aí não te vás, estou muito arrependido, tu até és esperto, tens de tentar perceber. Agora me apercebo o bando de inergúmenos que estava comigo, gente esperta e de boas famílias, está com medo ou vergonha; insistentemente me pedem para o deixar ir, que ele não vai ligar ao que eu digo nem sequer se vai lembrar do que disse. Discuti um pouco com eles, passado meia hora não tinham mudado de opinião. Uma colega de medicina argumentou inclusivé que um snickers é mais nutritivo que uma sopa, o que eu nem quero discutir...Será que são teimosos ou realmente não percebem? Eram pessoas tão inteligentes...

(...) Tudo o que contei é verdade, mas podia não ter acontecido."

autor Zé, deste blogue

Ouvi falar do protesto da geração à rasca, através dessa plataforma a que somos obrigados agora a comparecer, que é o facebook.

Já tinha pensado nisso, porque bem cedo nos tempos de faculdade vi que um dia mais tarde...me iria ver à rasca.

Na minha humilde opinião de pessoa com paizinhos medianamente abonados, um dos problemas foi que os nossos pais, há uma ou duas décadas atrás, para terem sucesso nos seus escritórios e atelieres, arranjaram estagiários. Porém, para terem sucesso nas suas famílias (as poderem levar de férias e passear no carro grande) tiveram que fazer contas à bolsa e criaram esta moda de não pagar aos estagiários. Faziam-nos acreditar de que estavam a começar por baixo, para um dia chegarem ao topo. A moda entretanto pegou.

Ora a geração dos meus (filhos dos tais pais) foi depois viajar e estudar para fora, aculturar-se, aprender novas línguas, estender os horizontes. Viu muito e gostou de tudo. Quando um dia quis voltar, percebeu que não podia. Os chefes eram os paizinhos que chefiavam tudo com um olho no seu ofício e duas mãos nas suas contas bancárias.

E isto é a história dos meninos privilegiados, porque dos outros nem consigo falar.

pois...um amigo meu disse-me: quoeficiente de maluqueira. não de inteligência.

uma outra crise é possível

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

quem terá sido o génio a inventar as ETTs?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

na verdade estive a pensar e acho que deveriamos era partir para um blogue de comentarios culinarios. Eu gosto de comer como uma pessoa grande. Voces, pessoas grandes, gostam de comer como gente normal...sera' que poderiamos partilhar as nossas diferentes experiencias gastronomicas com o mundo atraves deste lugar?

como esta menina simpa'tica: http://www.flagrantedelicia.com/

se calhar iriamos engordar muito com isso...ela come os bolos todos que faz?
Ja' li.
Aqui ha tempos andei a gozar com uns amigos sobre as suas segundas adolescencias. Isto pareceu-me que era claro que ha' pessoas que vivem um forte adolescencia e depois assentam e outras que nao a vivem e teem que a viver mais tarde na vida. So' que se calhar com cada um e' diferente. Todos que me abrem o seus livros mostram coisas muito distintas.

Entretanto encontrei este livro do Keil do Amaral (que foi um homem prolifico) chamado "Humor de Arquitecto". La' no livro tinha uma tirada sobre as idades da vida que me pareceu uma visao muito boa sobre o assunto. Ele desprezou a classificacao das fases da vida em infancia, adolescencia, maturidade e velhice, mas criou um sistema que era o da "infancia. adolescencia, efervescencia, incandescencia, suficiencia e decadencia". Nao vou falar delas todas, so' de duas que sao bem engracadas:

"a suficiencia":
e' a fase "em que nos convencemos de que os nosos paizinhos, ou os nossos chefes de reparticao, sao umas bestas, culturalmente inferiores e sem ao menos se terem apercebido de que o mundo dera, ultimamente, um grande passo em frente..."
logo a seguir "a eficiencia":
a fase "em que nos tornamos em fervorosos admiradores das nossas proprias capacidades" e achamos que "se faltarmos uns dias ao escritorio, ou ao consultorio, ou 'a reparticao, os negocios param, os doentes morrem e a burocracia entra em crise." Interessante?!

bom...nao resisto e conto-vos a "decadencia":
a fase em que "tendo acumulado ao longo dos anos uma vasta e profunda experiencia da vida e das coisas verificamos que (...) ja' para pouco nos serve sem a imaginacao criadora, o arrojo, a irreverencia forca fisica, o prazer do risco, que se gastaram em fases anteriores."

Esta devera' ser a impotencia! Mas isso eu nao sei que sou mulher.
Desculpem la' a ultima, mas isto e um blogue que surge da ordinarice.

Keil do Amaral. Humor de Arquitecto Compilacao, introducao e notas de Pitum Keil do Amaral. Editora Argumentum

sábado, 19 de fevereiro de 2011

como sabemos, e nós ainda melhor do que eles, o rumo pode ser dado em função do destino final, mas também pode ser dado pelo caminho e o caminho é tudo. é a velha questão dos meios e dos fins. mas, sejamos rigorosos, relativamente a fins poucos têm certezas, os meios é o que nos interessa, e já contava kant que devemos fazer dos meios fins -- e assim seremos felizes.

e à segunda semana de berlinale viu-se cinema. é engraçado como passados 100 anos esta arte se consiga reinventar a cada sessão. sem o típico corte com a tradição, ou o choque despropositado, mas a surpresa no seu travo mais doce. vai-se ao cinema e vê-se literatura

este filme é um romance. um novo caminho para o cinema. a primeira exploração do sonho, da video-arte e do cinema clássico de uma forma perfeitamente equilibrada. a narrativa interlaçada com a reflexão, o road-movie em forma intimista. nada disto seria novidade se não o fosse e tudo em simultâneo. é ver é ver

o mais engraçado é que o actor principal era um andré silveira americano, que por coincidência era topógrafo. ele há coisas...

"here", de braden king
Barclays pagou impostos equivalentes a 1% dos lucros
eh...este fundo preto e mesmo preciso? E' um bocado agressivo aos olhos...O preto ja passou de moda. Branco ficava melhor. okok....vou ler.
ora boas.
Finalmente decidi aceitar o convite feito ha ja muito tempo por um homem nascido na russia, convite que na altura me pareceu muito simpatico, mas ao qual nao consegui dar seguimento porque andava muito atarefada na vida. Vou agora tentar comecar, devagarinho, a ver no que isto da. Desde ja muitos parabens ao segismundo brutamontes. Nao sei quem ele e mas suspeito quem seja, talvez um homem de la de gradiz - "a terra que deus nao quis" (...deixar dizem os populares). E de vos todos o mais prolifico, contribuidor e ate poetico. Parabens.
O Ze tambem e muito bom: breve, sempre subtil... mas mordaz! So que ja andava aqui a faltar uma vozinha feminina nao?

Isto foi um comeco muito familiar, eu sei que nao convem porque ate estou a pensar convidar mais gente para animar isto e eles ainda ficam inibidos de nos ler. Era so para entrar simpatica e agradavel...

Acho que nao vou usar o novo acordo ortografico, porque para ja nao me apetece. Quanto aos acentos, peco desculpa mas estou a teclar num teclado internacional e isto e complicado. Mas atencao, olhem que eu sou sempre acusada de ser uma "ceptica" o que nao e verdade pois eu sou pragmatica. Qual e o rumo deste blogue? E matar saudades uns dos outros? E falar de Politica? De arte? De Arquitectura? de Hidrologia e do Vietname? Ou jabardice? temos que dar um rumo concreto a isto. Pensem nisso meus amigos!

Agora vou ver se me ponho a ler um livro, ir a uma exposicao ou ler o jornal para poder mandar uma farpa inteligente e cativadora.

Ate breve, vamos a ver se desta vez eu...consigo. ...Convosco, Mariana

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

como se de um blogue a sério se tratasse (em si uma aguda contradição), damos as boas vindas a uma nova participação neste actualíssimo e influente pasquim

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

e como não podia deixar de ser, até deixaria uma nota sobre a recente moção de censura de Francisco Louçã (torna-se, agora e depois das demissões no Bloco, tão óbvio fulanizar o BE em Louçã como o o foi Fulanizar o PS em Sócrates). Mas não vale a pena juntar-me às bofetadas que já cairam de todos os lados, esquerda, direita, liberais, conservadores, os de fora e os de dentro. de qualquer forma, se sabendo-se como tudo começou, também não admira.
afinal a revolução no egipto sempre foi para a frente.

não vale a pena juntar muitas mais considerações a tudo o que já foi dito e escrito por esse mundo fora, sempre com a tónica em que uma parte difícil já está concluída. resta ver como corre o que aí vem e se realmente cria, para os egípcios, um local onde se revejam, com um sistema político e, consequentemente, económico e social que os satisfaça.

esperemos que sirva, em segundo lugar, um outro propósito. que todo o mundo árabe deixe de ser encarado como o é, as mais das vezes, mitificando a importância que a religião tem para aqueles lados. tanto quanto me é dado saber, ao longo de toda a história sempre serviu como um óptimo argumento, mas raras vezes resolveu alguma coisa. basta olhar para a história do continente europeu.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

o jmfernandes escreveu um textinho sobre o modelo de desenvolvimento português que agora muito circula por feicebuques e afins. esqueceu-se de um ou dois pontos. nem dá para acreditar na falta de honestidade. vou esclarecer

JMF omite descaradamente as principais causas para o endividamento, que foram

1. o crédito barato, propositadamente barato para o consumo crescer em contenção salarial. Isto não é culpa dos portugueses, em última análise apenas é culpa deles por não terem acordado mais cedo para a balbúrdia que se passava na altas esferas do poder e da finança. Este texto serve apenas e só para fragilizar a luta actual contra a ainda maior precarização das condições de trabalho, contra uma política de contenção salarial e desinvestimento, em suma, a austeridade, num período de contra ciclo. Isto é populismo do mais puro.

2. Os desequilíbrios no orçamento de estado devem-se quase exclusivamente às brincadeiras de adolescente de quem detinha o capital. Os mesmos que eram os braços direitos de antigos governantes, que chegaram aonde chegaram não por mérito próprio mas por relações de nacional-porreirismo. Quem paga o buraco BPN, ou o buraco das cajas em espanha, ou o buraco dos bancos irlandeses, ou o buraco dos bancos ingleses, ou dos bancos alemães, ou dos bancos franceses? Paga o POVO, directa ou indirectamente, quer através de austeridade, quer através de taxas de juros de usura sobre a dívida soberana. Porque as instituições financeiras chegaram agora à conclusão que precisam de mais cuidado quando emprestam, porque têm ainda o seu próprio buraco para tapar. O problema é que estão a emprestar para o estado tapar o buraco das mesmas instituições financeiras! Too big to fail! é a vida...

Para quem leu o dito textinho, não fomos "nós" que espoliámos esta geração. Foi, pura e simplesmente uma política que permitiu o crescimento económico assimétrico, os ricos a ficarem cada vez mais ricos e o resto na mesma. Realmente fomos "nós" que permitimos que tudo acontecesse, mas não pelas razões do JMF. Realmente é fácil acusar a humanidade inteira pelos erros de uns tantos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

uma geração parida abaixo de zero...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

De Oeste, nada de novo

http://english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/02/20112171917741164.html

este artigo traz-me uma vaga lembrança da américa do sul da segunda metade do século passado.

nota: não faço puto de ideia quem é o gajo que escreve, portanto, para mim funciona como uma advertência. a posição anti-americana até pode estar a ser levada longe de mais. em última análise, as cautelas da administração americana sobre a possível existência de um vazio de poder podem sempre ser justificadas com o receio da chegada do fundamentalismo islâmico ao poder. Se a Irmandade Muçulmana o representa no Egipto? Não sei.

e já agora:
http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/01/201112792728200271.html

domingo, 23 de janeiro de 2011

Até em Setúbal! porra, que dia mais triste...

sábado, 22 de janeiro de 2011

hoje como na enciclopédia

Todas as histórias têm um começo. O começo é indiferente, no caso, embora se trate da nossa.

Para Agambem há uma acepção do termo qualquer que perdeu o significado. Quodlibet, diz ele, não é o qualquer indiferente, mas um qualquer que corresponde a características que lhe são próprias e que pode partilhar com um conjunto. Não interessa quais, isso sim, é indiferente, mas aquele qualquer diz que são as que forem. Algumas. Aquelas. E interessam quais sejam para aquele objecto.

“We promised the world we’d tame it, what were we hoping for?”

É esse qualquer que, quando nos referimos a uma relação entre o caso particular e o colectivo, ou o conjunto de que esse caso pode fazer parte, responde a esta pergunta. Não sabemos a resposta ou, por outra, as utopias ou as distopias sabiam-na por inteiro. Nós não.

“We promised the world we’d tame it, what were we hoping for?”

A própria argumentação de Agambem passa pela primeira parte da música anterior. O bem, parece, existe na exacta medida em que cria um mal. Salvo seja. Qualquer relação dual impõe o sinal diferente. Assim como o sinal de pertença expõe, forçosamente, o seu oposto. Agora que sabemos isto, como é explícito na música, qual a saída?

(É esta visão dual que me causa urticária. Posto isto, peço desculpa por não ser Kant, mas o meu mundo é maior. O meu mundo, não eu. Segue-se Warburg e ainda estou longe.)


The Pioneers

If it can be broke then it can be fixed, if it can be fused then it can be split
It's all under control
If it can be lost then it can be won, if it can be touched then it can be turned
All you need is time
We promised the world we'd tame it, what were we hoping for?
A sense of purpose and a sense of skill, a sense of function but a disregard
We will not be the first, we won't
You said you were going to conquer new frontiers,
Go stick your bloody head in the jaws of the beast
We promised the world, we'd tame it, what were we hoping for?
Breath in, breath out
So here we are reinventing the wheel
I'm shaking hands with a hurricane
It's a colour that I can't describe,
It's a language I can't understand
Ambition, tearing out the heart of you
Carving lines into you
Dripping down the sides of you
We will not be the last.


basicamente só interessa a primeira metade.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

sempre me custou não saber fazer uma açorda em condições. Idem quanto às migas e cuscos. Desde o advento do arroz, batata e massa, como acompanhamentos dominantes -- e já o facto de lhes chamarmos acompanhamentos diz muito da forma como tratamos o potencial destes ingredientes -- que se perdeu na cozinha quotidiana o gosto pelo pão recesso. A própria imaginação da cozinha popular se perde entre bifes, bitoques e peixes grelhados, sempre acompanhados pelos invariáveis arrozes e batatas.

Ora, neste de dia de reflexão, eu saio à rua e digo basta!

É hora de aprender. Há alguém que me possa ensinar?