segunda-feira, 20 de setembro de 2010

acabou o verão. dizem-me que em berlim já tinha acabado há umas semanas. aqui em viseu não parece, mas pelo menos o fim astronómico está à vista, é hoje. o verão no interior sempre me marcou mais do que na praia. banhos de rio sempre me souberam melhor do que os de mar, as serras da beira alta guardam em si um enorme mistério que uma praia do algarve na sua ordinária clareza nunca sonhará ter. os passeios de bicicleta, as costas nas pedras quentes da margem de um riacho, os cafés de aldeia, as festas em agosto, as verdadeiras borracheiras de cerveja mal tirada. o realizador acertou: o meu querido mês de agosto, sempre demasiado curto, sempre incompleto, parece feito de oportunidades perdidas, de mais um verão em que não fiz o que devia ter feito, com quem deveria ter estado. quando já nos esquecemos como agosto é bom, ele volta a aparecer no horizonte, os projectos de um verão longínquo renascem. anualmente, por volta dessa altura, sou feliz.

2 comentários:

segismundo brota-almada-por-todos-os-poros disse...

já em Histoir du Portugal par Coeur, escrito quando o verdadeiro artista dos sete instrumentos estava em Paris lá para os anos de 1919, Almada tinha dito qualquer coisa como: o artista não pode viver sem a pátria. o mesmo seria, em higiene conceptual pós-nacionalista, falar do tal do sentimento telúrico do Torga, ah as fragas, uh a urze!. E digo-o, partilho contigo a estupidez de me enterrar em urbes no querido mês de agosto. os emigrantes sabem-na toda e por isso é que vêm em tunning piafora a toda a vitesse pela E80. Numa incursão breve e descontextualizada pelo Nicolau, que para além de nosso e de todos os tempos também era de Cusa,Ah a Douta Ignorância e a prevalência da sensação sobre a razão!! Ah!!!!

segismundo brota-erros-de-ortografia-que-não-é-brinquedo disse...

faltava um e.