sexta-feira, 27 de agosto de 2010

a ditadura dos sorrisos

ouvi dizer que há de alguns anos para cá uma ditadura de sorrisos se apoderou dos EUA. Desacraliza-se o local de trabalho e a relação patrão empregador com boa disposição e retirando o senhor doutor à relação. O mais importante fica lá, que é a relação encoberta com sorrisos de chefe para empregado. Somos todos bons rapazes, por isso para quê sindicalizarmo-nos e entrarmos em guerras laborais quando o trabalho é já quase a nossa família e o patrão um compincha? Os sindicatos, o associativismo saiu de moda, porque é chato ir a plenários, aturar os broncos dos camaradas e pia fora. No entanto, o poder de despedir é mais do que nunca intocável. O poder de subir rendas de casa sem apelo nem agravo é cada vez mais indiscutível. O poder dos horários de 45, 50 ou 60 horas semanais é uma evidência. É óbvio que depois de trabalhar tanto ninguém tem paciência para ir ao sindicato, ainda para mais falar mal do chefe, que até é um porreiro. Nada disto está conforme com a modernidade ou pós-pós-modernidade e com a sua vida limpa e a cores. E no entanto... não vou julgar o Francisco Lopes só porque ele tem cara de mau. vou esperar para ver.

PS a nossa vida não é limpa

7 comentários:

segismundo brota-pois-brota disse...

e como somos todos hóspedes uns dos outros e eu nesta altura do almada, já o senhor dizia, a alegria é das coisas mais sérias que há no mundo.

eventualmente pelo que lhe escreveu Pessoa quando ainda era jovem. mas não sou psicólogo e tão pouco gosto de ir por esses caminhos.

e por uma simples razão, em estilo breve e directo: o mário machado é uma besta e nem quero saber se é porque levou porrada quando era puto ou porque foi assaltado por uns pretos à esquina ou porque tem uma pila pequena. é uma besta e pronto.

segismundo brota-e-é-só disse...

sobre o candidato do PCP nada sei, também. exceptuando que anda nestas lutas desde a primavera marcelista, atravessou o mítico PREC e depois andou pelos corredores do partido em escritórios cada vez menos austeros. sei que é electricista ou mecânico ou qualquer coisa e funcionário do partido.

funcionário do partido.

funcionário do partido.

funcionário do partido.

e se for O funcionário público, que é o que o PR deve ser, também acumula funções como funcionário do partido?

Já vejo o currículo.

Francisco Lopes. Nascido em Anadia em 1954 (a título de exemplo). Presidente da República Portuguesa. Funcionário do Partido.

Assim como assim, todos os outros o vão sendo. Atente-se, Partido. Não especifica qual.

E este candidato, ao menos, deve virar o discurso para o que interessa neste momento.

Anónimo disse...

Ser funcionário do partido nunca acumula financeiramente com o cargo de eleito por uma simples razão: o PCP é o único partido português em que os eleitos para cargos remunerados recebem tanto quanto recebiam na sua profissão antes de serem eleitos. É um princípio simples e universal no partido: não prejudicar, não beneficiar.

Exemplo simples: se um electricista que ganha 700 euros for eleito presidente de câmara, deputado ou presidente da república (e no PCP há vários casos destes para os primeiros dois cargos), continua a auferir exactamente a mesma quantia mensal. É a forma que o partido tem de garantir que ninguém se candidata a cargos públicos por interesse privado ou financeiro e que ninguém vai para o partido à procura de tachos. Simples, eficaz e, acima de tudo, honesto.

Francisco Lopes, e sobre as virtudes ou defeitos deste candidato poder-se-á falar noutros comentários (não tenho agora tempo…), é funcionário do partido. Como tal tem um salário estipulado pelo partido, salário esse que tem que ver com as suas funções ou as suas responsabilidade dentro do mesmo. Se for eleito Presidente da República (e isto talvez fosse a melhor coisa que poderia acontecer a Portugal) vai continuar a ganhar exactamente o mesmo.

Resumindo, todos os eleitores podem ter uma garantia: no PCP todos os eleitos trabalham por pelo interesse colectivo do país, e nunca por interesse pessoal ou financeiro. Quem quis ganhar um cêntimo mais do que ganhava antes, teve que sair do Partido ou forçar a saída. Casos destes há muitos, e a saída dos mesmos é o melhor exemplo de como esta regra interna é um bom filtro de caracteres: basta pensar em Narciso Miranda, Luísa Mesquita, Pina Moura ou Zita Seabra!…

Anónimo disse...

Vale a pena dar uma olhadela no documentário referido neste post do arrastão:

http://arrastao.org/liberdade/uma-na-bravo-outra-na-ditadura/#comments

e vale a pena por uma razão: é uma merda, mas é uma merda bem típica de um certo tipo de gajos que andam para aí agora. Deixei no post uns comentários sobre o filme, sob o pseudónimo de j.

joão pedro

segismundo brota-resposta disse...

João, quando reforcei funcionário do partido, quatro vezes, e disse que era electricista, o que menos me interessava era, desde logo, se era electricista ou advogado da Mota Engil.

Ainda menos pensei no salário.

A reflexão que se pretendia era esta: quererei eu como Presidente da República, o sumo Funcionário da Res Publica, um Funcionário do Partido?

Por exemplo, o actual já largas vezes esboçou algo como ser Funcionário do Partido, do dele. E de todas as razões para o abominar, essa foi a maior, embora posterior à eleição.

De resto, disse até que Francisco Lopes poderia ter um papel muito importante enquanto PR ou, pelo menos, enquanto candidato, esperando que venha a colocar a tónica do discurso no ponto que interessa: o povo que não aparece no tal documentário que apontas.

Mas, estará o funcionário do partido a trabalhar em favor do colectivo ou do partido? Será isso garantido à partida pelos deputados, presidentes de câmara ou quaisquer outros eleitos pelo PCP em quaisquer outros cargos?

Por vezes tenho dúvidas, como deves imaginar.
É que um dia o Zé disse-me, há já longos anos, que havia quem tivesse definido que a diferença entre a esquerda e a direita era a confiança ou não no ser humano. Na altura acho que anui. Agora duvido.

Para ser breve dou apenas duas razões: nem esquerda ou direita; nem crença num radical bom ou radical mau ser humano.


Se a questão dos ordenados no PC é honesta, não sei. Até pode ser superficial.
Como não sou militante tão pouco me importa uma vez que esse dinheiro nem fica no erário público.

Ah, comentei o teu comentário. Como duvido que apareça, uma vez que não contribui "para o diálogo ou raio que o parta que se quer estabelecido no blogue", reproduzo-o aqui:

clap clap clap. encore. clap clap clap. bis bis bis!

segismundo brotafrontes disse...

peço desculpa. uma correcção: anuí.

um esclarecimento, o comentaário comentado era o comentário ao post do arrastão onde se falava do documentário que teve comentário comentado.

Anónimo disse...

e agora sou eu que comento o comentário comentado!

Acho que tens razão na parte em que afirmas que o candidato Francisco Lopes levará o partido para a Presidência da República, caso seja eleito. Como candidato do PCP, ele nunca se representará a si próprio numa eleição, mas estará sempre em representação do colectivo partidário. Não haja dúvidas sobre isso. O PCP deixa isso muito claro em todas as eleições.
Julgo que seria muito saudável se todos os candidatos deixassem claro ao que vão e que interesses representam.

Os interesses do candidato do PCP são, portanto, os interesses do PCP, e estão comprometidos com uma proposta política que é pública, tal como acontece ou deveria acontecer em todos os partidos.

Resta saber, então, se essas propostas políticas do PCP são, na perspectiva de cada eleitor, benéficas para o país. Isto depende da leitura de cada eleitor e de cada cidadão, mas há algo que o PCP pode afirmar e garantir, devidamente suportado na experiência que tem demonstrado ao longo dos últimos 35 anos em cargos públicos: os interesses do PCP são apenas e só aqueles inscritos nas suas propostas e programas políticos. O que está escrito é para cumprir, e não haverá surpresas em situação alguma. Não haverá actuações em proveito próprio, seja em prol do individual eleito, seja para beneficiar o colectivo PCP face aos outros partidos.