segunda-feira, 31 de maio de 2010

decididamente, há polícias a mais em Portugal...

http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2010/05/andam_muito_ner.html

http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2010/05/terrorismo_ofic.html

5 comentários:

Anónimo disse...

Calma lá. Pode haver polícias a mais, mas nesse dia e naquele local havia apenas os suficientes. O que se passou foi uma provocação organizada e sistemática, cujo objectivo era marcar negativamente a mediatização da manifestação, introduzindo acções violentas infiltradas dentro da mesma. Como já todos sabíamos do plano, os tipos não conseguiram entrar na manif e tiveram que fazer a encenação noutro lado. A polícia aguentou de tudo. Durante duas horas foram insultados sem razão, agredidos, tendo até apanhado com várias garrafas de cerveja vazias na cabeça, e isto sempre sem responder. Depois, perante agressões mais directas, não tiveram hipótese senão responder e impôr alguma ordem. Eram cerca de 20 pessoas (numa manifestação de 300 000), e no entanto conseguiram o que queriam: falou-se mais deles do que das restantes 300 000.

Se repararem bem, nas imagens poderão ver as duas coisas mais graves: 1 - os actores/encenadores de conflitos decidiram levar, antecipadamente, bandeiras da CGTP e do sindicato da função pública para o meio da confusão, sendo que nenhum deles é sindicalizado em qualquer daquelas estruturas. 2 - no meio dos agitadores profissionais havia 2 deputados do Bloco.

Será assim que se puxa mais gente para a luta? Será que é assim que se consegue alargar a base de recusa das políticas actuais?

ze disse...

ninguém está a falar de recusa das políticas actuais. isso é outra discussão.

1. não me acredito que a polícia tenha sido insultada e agredida sem responder.

2. há imagens de televisão que ilustram o que se passou. como sempre, pessoas pelo chão a ser pontapeadas, polícias sem identificação a bater indiscriminadamente em quem passa. o corpo de intervenção foi chamado, o que convenhamos que é de uma prepotência enorme quando se trata de um desacato num café. uma pessoa foi imediatemente algemada sem ter tempo de dar qualquer explicação.

3. na semana anterior tinham sido espancadas várias pessoas no bairro alto. foram depois levadas para a esquadra e voltaram a ser espancadas. acho que se enquadra bastante bem num modus operandi.

4. eu não reconheço legitimidade à psp para algemar seja quem for. a psp é um bando de malfeitores, como tem sido demonstrado pelo headshot aplicado em várias perseguições nos últimos anos.

Não há provocação que justifique isto. Nem o facto de não pertencerem à cgtp o justifica, nem eu sei de que partido eram ou não eram, mas parece-me que se a manif tivesse causado disturbios tinha aparecido de certeza em mais jornais, porque é essa a lógica vigente. E tinha acelerado o processo para o qual todos queremos convergir: a queda do governo.

ze disse...

ou será que a violência tem dono?

Anónimo disse...

é que eu estive na esplanada em frente da casa do alentejo e vi tudo. não se trata de imagens de televisão. estive lá a tarde toda. e foi mesmo uma vergonha. eu não gosto de polícias, mas desta vez, até tive vontade de os acompanhar a malhar naqueles burros.

Anónimo disse...

As coisas não se resolvem num dia, e naquele dia não se ia fazer a revolução de 17. A verdade é que estamos numa fase de chamar mais pessoas à contestação, apelar a que venha, sem as assustar, e fazê-las aos poucos tomar consciência de que podem fazer mais do que lutar pelas suas condições de trabalho. No fundo, fazê-las sair aos poucos do "trade-unionismo" em direcção à tomada de consciência da função histórica, como dizia Lenine.

Nós sabemos que as coisas não iam resolver de um dia para o outro, muito menos naquele dia. No entanto, quando for preciso que se resolvam de um dia para o outro, cá estaremos, com sacrifícios e entrega de vidas humanas por uma causa, também sabendo que seremos os únicos a estar aí para as balas, e ainda sabendo que esses - os que andam a causar distúrbios despropositados e inconsequentes em manifestações, num claro serviço a quem se sente ameaçado pela contestação de massas - nesse dia estarão escondidos, protegidos, ou mesmo do outro lado.

É interessante, sobre estes assuntos, ir ver no Youtube alguns vídeos sobre os distúrbios nas recentes cimeiras do G8, nomeadamente a Italiana, onde se mostra que:
- os membros causadores de maiores distúrbios actuaram coordenados com o governo berlusconi;
- as polícias tinham ordens para nunca atacar os centros de distúrbios às horas e nos locais marcados com os provocadores;
- os causadores de distúrbios destruiam tudo o que queriam, e chegavam a dar ordens à polícias que, se estava de passagem, imediatamente obedecia afastando-se;

E isto aconteceu de forma consistente. São aliás conhecidas as relações financeiras do Blackbloc com alguns governos europeus.

Mas volto a afirmar: no dia em que seja mesmo preciso resolver e avançar as coisas num dia, numa revolução, esses tipos nunca estarão disponíveis para a luta a sério, para o sacrifício a sério, como nunca estiveram.

A cena deles é a TV.