domingo, 25 de abril de 2010

vintecincodabrilsempre!

Estava quase a acontecer, mas não aconteceu. Fica aqui e por mim em nome de todos assinalado para a posteridade. Porque é a data mais difícil de digerir do calendário emigrante, mesmo quando há sol lá fora e as ruas estão cheias de jovens descabelados. Mas que percebem eles, se nunca tiveram um 25 de Abril?

8 comentários:

andré disse...

pois zé, mas como diria um saudoso dos tempos do PREC, nós também não o vimos. já são muitos os que não o viram e que sentiram o que estava antes. vamos lá ver o que faz a rapaziada "que anda aí a passear pelas docas".

ze disse...

sempre há o denominado "espírito de abril", que tão importante é para a identificação pátria

andre disse...

desde que não seja o espírito do hegel a colocar a racionalidade do estado à frente de tudo o que é individual e subjectivo - com o que se viu no momento entre guerras e, nalguns sítios, até outros vinte e cincos - espero que que exista e que também eu seja um seu contentor - assim como sujeito, substância capaz de ser cheia por alguma coisa.

no dia depois, um debate semelhante ao de hoje: como ter um Estado Forte, sem ter um estado facho ou uma muralha de aço?

ze disse...

a fatia do espírito de abril que eu normalmente escolho é a das liberdades individuais, não a do estado forte. o estado novo também era forte e isso só por si não chegou, como ficou visto.

liberdade liberdade liberdade

não gosto especialmente da palavra forte, porque infelizmente ela já foi deturpada pelo discurso neoliberal.

andré disse...

bem, então adoptemos outra terminologia. Há duas coisas que tem que ser :) Ágil e dinâmico, para permitir a liberdade individual. ora depois disto, fui ao priberam. sinónimos de forte que me saltaram à vista: possante (que remete em certo sentido para o dinamismo), poderoso (mas aí pode ser conotado com o lado negro do poder), conveniente (mas que também pode relacionar-se com o neo-liberalismo na ideia de uma estado suficiente).

assim num minuto foi o que deu.

Anónimo disse...

Estado útil, cuja acção colectiva permita suprir todas as necessidades básicas dos cidadãos. Só a partir do momento em que isto acontece é que o individual passa a ter a capacidade de exercer a sua potencial liberdade em plenitude.

Quem se preocupa exclusivamente em pagar o médico, pagar a escola, pagar os medicamentos, pagar o aquecimento do próximo inverno e ter dinheiro para os transportes/portagens não terá qualquer vislumbre de liberdade, por mais democrático (aliás, eleitoral) que seja o regime político.

A pessoa que cito no comentário a seguir não tem qualquer liberdade, por mais que vote de 4 em 4 anos, e só um estado de interesse verdadeiramente colectivo poderá resolver o problema dela e dos milhões de iguais:

Anónimo disse...

“o dia correu com normalidade…
depois de um serão a preparar roupas e comidas para o dia de hoje, acordei às 6h com o despertador a gritar nos meus ouvidos e pulei da cama, já é automático… sinto sempre a tentação de ficar mais 5 minutinhos, mas é impossível: a máquina do tempo nunca pára em meu proveito… Liguei a luz, porque àquelas horas o sol ainda não deu “o ar da sua graça” e apressei-me para a casa de banho, ainda meio estremunhada. Higiene concluída, começou a rotina diária… acordei os miúdos, que como sempre, apesar de já terem 6 anos, demoraram uma eternidade e dei-lhes o pequeno almoço. Enfiei-os debaixo do guarda-chuva e despedi-me deles à entrada da porta de casa, na esperança que tivessem um bom dia (gostaria de deixá-los na escola, de carro, quentinhos, mas mais uma vez, a realidade não o permitiu…). Preparei o pequeno almoço do António e fui a correr acordá-lo, ele trabalha na Auto-Europa, e depois de uns dias de lay-off foi chamado novamente. Ainda bem que foi hoje finalmente, já não aguentava o seu mau humor! Depois de tudo isto já olhei o relógio e marcavam 7h30. Saí de casa às 7h35 para apanhar o comboio das 7h45… não foi fácil, a essa hora somos muitos trabalhadores dos subúrbios e normalmente atropelamo-nos uns aos outros (parecemos os vagões de multidão a caminho dos campos de concentração…) Porra! Hoje cheguei a ter a mão de um desconhecido a tocar-me no seio! Fui trabalhar para o meu lugar habitual no call-center, a ouvir gente de todo o lado, reclamações, gente mal educada, até me doerem as costas e a cabeça e pedir à minha chefe uma pausa (já que a bexiga não aguentava mais e essa não espera…) que me foi negada, porque havia muita gente a ligar nesse momento. Claro que não pude reclamar, aguentei sujeita a uma infecção urinária e enfiei um pacote de açúcar na boca para não ter uma quebra de tensão, já que já lá vão 4 horas sem comer.. foi assim o dia todo, tirando o tempinho para o almoço…Hum… soube-me mesmo bem aquele bacalhau de ontem… Caos instalado nestes dias de chuva, fui buscar os miúdos a casa da minha mãe (felizmente ela ainda pode ficar com eles…) e cheguei a casa às 19h30… Mais uma rotina: fazer o jantar, arrumar a cozinha e preparar as roupas e comidas do dia seguinte… chamam a isto a dupla jornada, aqueles que se dizem seres pensantes. Eu não sei se é este o nome, mas sei que quando vou dormir o cansaço é tanto que perco a vontade de fazer amor e sinto os anos a passarem pelo corpo e pela mente, essa que já não trabalha sem a ajuda de um prozac. Estou cansada.
.
Anónima que pode ser tantas outras, operadora de call-center ou quiçá a empregada de limpeza que nos varre o chão.
[...]
Pois é, não serão concerteza o Santana Lopes ou o António Costa que irão alterar estas e outras realidades diárias. Também não será concerteza este sistema em que vivemos. Muito menos uma pseudo-vanguarda que esgota a sua intervenção na net!
É preciso que se perceba que a tomada de poder por forças com algumas políticas mais à esquerda é progressista (eu não sou adepta da teoria do quanto pior melhor…), mas isso nunca será suficiente. Só quando estes anónimos tomarem consciência do seu papel histórico haverá uma reviravolta. E esta não é uma ladainha, é uma constatação feita por seres muito mais pensantes que nós e que chegaram já lá vai um tempinho… A reacção diz que estão velhos,a realidade objectiva mostra que estão cada vez mais actuais. Por isso, até podem vir muitos Costas em vez de Santanas, mas na realidade destes anónimos quase nada se alterará, a não ser possivelmente um banco mais confortável no transporte público no caminho de casa.”

Nenhum país tem futuro desta forma.

Anónimo disse...

ou melhor, tem, caso os tais "anónimos" tomem "consciência do seu papel histórico".