sábado, 3 de abril de 2010

eu que até adoro futebol

enquanto espero que jesus não seja peseiro, sinto-me quase obrigado a vir aqui expôe as seguintes palavras pelo número 159 mil e qualquer coisa de um cartão vermelho que trago na carteira quando trago a dita, cartão que explica o que vem a seguir a S a L e a B.

espero com isto que algo se explique daquele ar das coisas que andam por certos sítios e em certos tempos, mais longos ou mais curtos. há, nas palavras que se seguem, um não sei o quê que fazia falta ao parlamento nacional e outros - tanto parlamentos como insituições.

disse, na ressaca da luta peregrina que teve no lugar no relvado da catedral - cuja cripta tem sido e muito falada - o holandês do liverpool que se viu expulso qualquer coisa como isto: talvez a expulsão tenha sido exagerada, mas também é verdade que cometi um erro.

com estas sábias palavras de um gajo que ganha a vida a chutar na bola - convém recordar, apesar do gozo a que estes gajos que dão chutos na bola estão sujeitos por isso mesmo, que é sempre melhor ganhar milhões a chutar na bola que a comprar submarinos para os outros - ficou tudo dito: ele se calhar errou, mas eu também e portanto não me vou pôr aqui a dizer que ele é que é parvo e incompetente porque eu não lhe fiquei muito atrás.

ora, se falássemos da cripta da luz, também não ficaria mal aos senhores que rasgaram a tela à entrada assumir a coisa nestes moldes. e dizer: o castigo ao givanildo foi se calhar estúpido, mas era o que estava mais ou menos na lei (porque nas leis as coisas estão sempre mais ou menos, esta consideração era dispensável. fica para que não haja dúvidas). se calhar o gajo que a interpretou não estava totalmente correcto. se calhar os gajos do recurso também não. mas eu, ou nós, antes de isto tudo, também não estivemos.

e depois aquele país, ou aqueles países - de onde vem o holandês e de onde vem o liverpool - parecem mais evoluídos (mesmo que eventualmente não o sejam em toda a plenitude. aliás, discutir a evolução deles era coisa que tão pouco pareceria passível de ser feita por um canudo qualquer e chegar a uma resposta próxima daquilo que é e ninguém sabe ou saberá).

os senhores que atiraram os petardos na dita partida de futebol também podiam ser desculpados por um: o gajo não tá alia a fazer nada, não viu um penalti, não indicou um amarelo, e sei lá mais o quê. mas antes de tudo, o que interessa, é que aqueles gajos que atiraram o petardo cometeram um erro. e depois disso não há sequer um se ou um porque ou um foi. estupidez dos que cometeram o acto. mais nada.

transparência, de todas as partes, é o que se vai sempre pedindo. e alguma honestidade - como falamos de futebol - mais ou menos intelectual. o mais ou menos advém do facto do miguel sousa tavares também escrever livros e crónicas e entrevistar pessoas.

no parlamento ajudava, por exemplo, se sócrates dissesse sobre a tvi: menti, não o deveria ter feito. provavelmente as perguntas também não deveriam ter sido feitas em favor de um aproveitamento político qualquer. e resolvia-se a questão sem os dramas das comissões de isto e de aquilo. mentiu, porque se calhar tinha que mentir. perguntou e se calhar não tinha que perguntar. mas isso não interessa. interessa que foi e que tinha que ser esclarecido. seria fácil. mas não é.

na política, como no futebol. por isso gosto tt dos dois e por isso mm abomino, as mais das vezes, a prática dos dois.

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