segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Li com a atenção que me foi possível o pouste do Zé e os respectivos links.

Daquilo que me foi permitido entender retirei as seguintes conclusões:

“o PIB é a soma do consumo privado e do Estado, acrescido de investimentos e exportações, deduzido de importações (PIB = C + G + I + Exp –Imp).”

Não entendo porque deverá estar anexado ao bem-estar das populações um valor que depende, em grande parte, do consumo do Estado e privado. Sigo assim a crítica feita ao peso que o PIB assume na avaliação económica de cada país, até porque se torna demasiado óbvio que colocar a ênfase no consumo – presumindo-se que o facto de se encontrar em primeiro nos valores + da equação lhe atribuir uma maior importância, desde logo por serem valores sempre maiores que os dos investimentos ou exportações – obedece claramente à história das teorias económicas traçada no link wikipedia e, portanto, constatação de um modelo capitalista erigido de pedra e cal.

Daqui às agências de rating é um passo. Se ainda der, lá voltaremos.

Também não consegui perceber porque o Produto de um país é maioritariamente, seguindo a ordem acima esboçada, o seu consumo. Estranho que aquilo que não resulta efectivamente em algo materializável seja produto – claro que teríamos muito que discutir acerca do trabalho imaterial, mas esta relação favorece ainda mais a abstração capitalista. Ou seja, fazer passar que o fluxo de capitais, independentemento das trocas de que estejamos a falar, é o produto de um país.

Por outro lado, a questão do PIB colocada como o foi no Spectrum através do exemplo que contrapõe construcção de Estádios e de Escolas, causou-me sérias dúvidas. Porque tanto uns como outras podem entrar no consumo do Estado ou privado, embora a diferença de escala faça com que, obviamente, para contrpôr 18 estádios sejam necessárias, aproximandamente e numa estimativa sem qualquer fundo sério, 400 379 escolas. Depois porque tanto as escolas e os estádios podem ser consoderados investimentos. Ainda, ambos empregam pessoal e ambos têm condições para reduzir as importações a um mínimo, potenciado o valor positivp final do PIB. Tanto um como outro potenciam mais consumo: bilhetes, camisolas, minis nas barracas = livros, fatos-treino, Fás de morango. Nenhum dos dois dá qualquer indício de aumentar as exportações directamente – excluindo deste raciocínio, por exemplo, a criação de patentes por Institutos universitários. No final, prefiro as 400 379 escolas, se isso não implicar 300 milhões de professores a descer a avenida da liberdade porque na Biblioteca da Escola os míudos fazem muito barulho e assim não podem trabalhar. Ou porque, desgraçados, foram colocados numa escola a 300 km de casa (1:30h de viagem no TGV que também não querem. 2H30 no Alfa que querem tornar Ómega da ferrovia nacional).

Por último, cito uma outra frase do mesmo texto, que move a minha simpatia mas do qual duvido das conclusões.

“A estagnação ou mesmo o decrescimento do PIB em Portugal, neste momento, por exemplo, equivaleria a uma estagnação do progresso? Atente-se novamente na equação do PIB a cima e pense-se se não há margem para baixar certos consumos, certos gastos do Estado, certos investimentos, certas exportações e viver ainda melhor, com mais tempo, com menos poluição, mais saúde e mais igualdade e justiça social...”

Abanou uma campainha aqui dentro a gritar – O vinho dá pão a um milhão de portugueses. O que no blogue em questão seria paradoxal.

sobre este paradoxo haverá continuação. lá chegaremos, também com as agências de rating.

1 comentário:

Anónimo disse...

o vinho dá pão a um milhão de portugueses, mas dá felicidade a muitos mais!!