quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

porque não podia passar a quadra

há falta de poustes que este blogue revela durante a quadra natalícia, põe-se aqui qualquer coisa para não parecer mal.

aberta à discussão fica

a. o que se acha da devolução do busto da Nefertiti ao Egipto, porque:

1. para a história do objecto conta já a estadia em Berlim
2. o seu estudo parece ser tão relevante na Alemnha como no Egipto
3. a escultura estará sempre descontextualizada no que concerne a qualquer noção de origem: no tempo, como é óbvio; no espaço porque nunca encontrará as mesmas condições de recepção
4. refazer ou remendar a história quando se age sob um contexto cultural diferente é simplesmente tentar actualizar o passado.

como se percebe, segismundo brotafrontes discorda do governo alemão mas apoia-o, principalmente por esperar o aprofundamento da vaga devolucionista que por aí anda.
Porque é que a nós não nos devolvem o Espinosa?

b. o que se pensa do debate quinzenal da assembleia da república:

1. é incrível a vacuidade do psd
2. é incrível o lançar achas para a fogueira do BE como com a OPA movida à Cimpor
3. é incrível o pragmatismo do PP (o que nunca é bom com a queda do PSD)
4. é incrível o PCP, a nitidez de algumas tomadas de posição só se pode comparar ao desfocar profundo de outras
5. é incrível o PS na falta de tacto na relação com a Presidência da República, é que lá que o senhor é odiável é, mas fica a sensação de um ataque preparado a cujo a reacção do PR retirou o sentido.
6. é incrível como a sucessão de governo parece possível se houver uma derrota interna de Sócrates e a subida a Secretário Geral de um qualquer sócio da agremiação da facção mais à esquerda do partido. o que nos aproximaria, perigosamente, da noção de partido único. claro está que a culpa só pode ser imputada à oposição.
7. é incrível o prolongamento da estação parva até ao natal, ameaça passagem de delírio sazonal a estado concomitante ao trabalho político nacional.

c. o que se pensa da estação:
1. está fresquinho
2. só chove à noite porque o pessoal quer secar a roupa durante o dia
3. o vento que se faz sentir promove a instabilidade do mercado de emissões de CO2
4. os picos de temperatura lembram-me copenhaga
5. copenhaga lembra-me as sessões sindicais no ministério da educação
6. as sessões sindicais no ministério da educação lembram-me as suspensões do jogadores do FCP
7. as suspensões dos jogadores do FCP lembram-me as suspensões de mandatos que deveria haver nos orgãos executivo e legislativo português
8. estes dois orgãos recordam-me porque o terceiro deveria ser independente (e de modo simples, porque basta-lhe ser o terceiro)
9. o terceiro era o andar onde devia morar para não correr o risco de secar a roupa no pêlo enquanto subo as escadas
10. as escadas serão lavadas no próximo mês entre o final do degrau do lanço que sobe e o final do degrau do lanço que desce
11. as escadas não são geridas enquanto colectivo e cada patamar ostenta a sua individualidade cromática
12. contra o racismo: ser branco não passa de uma individualidade cromática
13. a favor do racismo: para manter a individualidade cromática construímos uns palheiros que se desenvolveram até podermos afirmar tecnologicamente a superiodade da nossa individualidade cromática
14. ver episódio sobre os ruivos do South Park sobre a vertente religiosa da afirmação da individualidade cromática
15. o joão pinto do FCP, o que era defesa direito quando se iniciou a saga aterradora, tinha uma individualidade cromática muito ao seu género (ou sui generis, se preferirem estrangeirismos. sim, porque o que já foi é estranho e se é estranho é estrangeiro e isto sem qualquer pesquisa etimológica, portanto não faço ideia se é assim)
16. e pluribus unum: fiquei outro dia a saber que o dizer do símbolo do benfica foi originariamente usado (com tudo o que as coisas escritas têm de originário) por um antigo qualquer que não recordo - arriscava plínio, mas acho que não - numa receita de culinária
17. a comida é o luxo do povo, por isso o SLB é um clube de multidões
18. com forte implementação no Alentejo onde se faz um belo gaspacho
19. em ho chi min também se faz um belo gaspacho na única tasca portugues num raio de 350 km. a concorrência entre tascas e portanto a valorização do produto está dependente da concorrência, e nestes estabelecimentos ela termina a 250km onde há auto-estradas
20. o gaspacho é servido frio, podia bem ser comido aos 467km
21. está fresquinho

Sem comentários: