quarta-feira, 4 de novembro de 2009

uma dobrada fria

Hoje serviram-me duas refeições distintas. A primeira, a que lá chegarei eventualmente noutro poste, consistiu na pomposa atribuição de um honoris causa a um lorde, Nicholas Stern. Por muito que despreze títulos nobiliárquicos, o economista que hostenta este não é nada parvo. É o autor do Stern Review, para quem não conhece, um relatório publicado há um ou dois anos sobre o impacto económico das alterações climáticas. Para além de ser um bom economista, pertence ao pequeno grupo dos que pensa em ética e escolhas fundamentais antes de dar números às coisas. Pertence então àquela classe criada por Caines (ninquém perceberá esta piada, porque ninguém lê este blogue) de ingénuos que apesar de terem a possibilidade de enriquecer facilmente nos mercados financeiros, se dedicaram a policy making. Por isso lá estive na sua Climate Lecture na universidade técnica de berlim, esse exemplar caixote de lixo da história da arquitectura.

Mas o que me aqui traz neste momento de indisposição corporal e cerebral, é a mixórdia requentada que me serviram ao final do dia, sob a forma de um Hamlet. Cortaram texto e inventaram passagens não existentes no original. A fronteira entre o deixado pelo escritor e o que foi introduzido a posteriori não eram evidentes para o público. Porque é que me apresentam um Hamlet e não um Joaquim, príncipe da dinamarca? Porque é que o autor era Shakespeare e não o iluminado do encenador? Regra geral, quando reparamos mais vezes na encenação do que nas palavras ditas, já houve asneira.

e andavam tão sujos em palco...

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