sexta-feira, 20 de novembro de 2009

comentário: realmente o grande benfica corrobora a ideia por detrás da ligação macro - microcosmos. já serviu para muitos exemplos e, se a moda pega, é caso para dizer que não só povo fica feliz e economia avança, como progride a construção de mais ou, reforçadamente, menos teoria e cálculo crítico.

é o cálculo crítico que aqui me traz.

crítica 1: estou farto de ouvir falar do deleuze e de o ler em inglês. estou farto do pós-modernismo e do pós-estruturalismo e de todos os pós qualquer coisa e estou também farto de gajos a dizer que o que se o que é não é. já a músiquinha do cais do sodré cantava qualquer coisa do género. estou com isto a querer esboçar em texto ou trabalho, o deleuze que decida, uma fervorosa inflamação intestinal que me dá sempre que ouço falar nesses avantes. arrêtte! cheira-me muitíssimo, dada a enorme inflamação, que andámos o século que passou inteiro a fazer uma revisão da matéria dada obcecado com a novidade. do que se retira, que o que me chateia não é bem o pós-estruturalismo, ora se o estruturalismo nasceu com o século, salvo óbvia imprecisão temporal, morreu com o seu pós. o que me dá febre é confundir esses pós e prés que se inserem num contentor maior em pausada movimentação que é a modernidade. também não estou a confundir modernismo com modernidade. ou então estou, e aí o pósmodernismo assume-se claramente. mas continua a dar-me brotoeja. é isso e o aqui tantas vezes referido fim de tudo e mais alguma coisa. (1+1+1+1 = 1)

crítica 2: acerca do fim de tudo e mais alguma coisa, continuo a ser inundado de denúncias de leituras erróneas do marxismo. o que em muito me agrada, porque sempre me cheirou que um gajo que se dá ao trabalho de escrever centenas, senão milhares, de páginas acerca do capital não estaria propriamente a pensar apenas em algo tão simples como: proletários de todo o mundo, uni-vos. por uma pequena razão, que tem as suas consequências óbvias e que vão de encontro ao que o próprio tentaria denunciar: é que atirar aos proletários o slogan que muitos nos move, em nada altera o seu estado. diria, aliás, que o adensa. e de forma ainda mais alienatória. a razão, e bem resolvida em todo o caso por todos os regimes ditos marxistas, é a da energia. ora então, dir-se-ia, há uma quantidade enorme de energia humana para gastar. e há um modo de uso que foi aprofundado ao longo de séculos. também se sabe que os regimes para lá da cortina de ferro se atiraram à educação dos seus cidadãos. mas como é ela mais alienatória se até, veja-se lá, foi conseguindo resolver estes problemas? é alienatória por se dar o caso simples de alterar um modo por outro mantendo aquilo que é resultado da história comum, a submissão a algo maior. por isso se pedem todos os proletários. et pluribus unum, para dar o exemplo benfiquista. alienatório, e disso se ressentiu lá p o fim do século, porque nem todos e nem um. (1+1=0)

crítica 3: ouvi hoje falar de distopia, que pelo que explicou a maria, embora não nestes moldes, é uma espécie (como tudo aquilo que é uma espécie é. exactamente uma espécie e portanto uma outra coisa e portanto ficamos na mesma e portanto podemos arrumar as galochas e ir dormir) de contrário de utopia. diria, e pela boca de onde saiu não estará muito longe da verdade, que é uma espécie (mais uma vez) de uma utopia em estado de depressão profunda. ou a ausência de utopias, demasiado boas para serem atingidas, porque afinal esta gente não vê mais do que aquilo que lhes é posto à frente dos olhos, a derivar para a morte lenta. 'deixa-me cá aninhar com a minha distopia e chorar ali para o canto que não há salvação' ou 'o mundo está do avesso e não acredito em nada porque houve uns gajos de desfizeram tudo aos pedaços (desgraçados dos relativistas e estruturalistas e niilistas e essa catrefada toda, que viraram isto do avesso e dos distopistas que desfizeram o mundo em mil pedaços e AI que morreram 6 milhões de judeus - aviso que só em portugal há 10 milhões de almas e somos uma ninharia - e AI que há tanta fome em áfrica e AI para que isto nos levou e AI que já não conseguimos reconstruir o mundo e ter certeza de nada e AI que vai ser da minha reforma e AI que fazer da arte que ninguém sabe o que é e ninguém a define e AI que são só interpretações e AI que não nos atiram outro marxismo higiénico para o colo e AI QUE ME DÓI A ALMA A MIM COM TANTOS AIS E NEM SEQUER TENHO UMA!)'. ou seja e em suma,vai-se a utopia e vem-se a distopia. desgraçados destes totaliteiros que nem vêm ser outra face da mesma moeda e que nem sequer é a que importa! o ideal, bom ou mau, e a totalidade foram-se. puff. caíram. venham as distopias para fazermos juízos de valor que são sempre muito bonitos, e também higiénicos. utopias? não! distopias, que utópico é deus e esse é um bem universal. AI! (1-1=1)

crítica 4: é à custa destas e de outras coisas que planeio colocar em saldos toda a minha reduzida biblioteca. nem um livro sobrará, nem um! estou a ficar sinceramente farto de argumentos e de prova de argumentos e de análise de argumentos e de organizações de discurso e de limpeza de discurso e dessa porcaria toda. porra! anda a faltar mais um murro na autorictas! é que a merda da limpeza do discurso só se suja porque temos que andar a explicar trinta vezes o que os outros já explicaram. tive outro dia uma aula sobre o ensaio e o senhor, a propósito parecendo um professor como há poucos - eu só conheci outro igual, afirmava que já não se pratica tanto. ora porquê? a merda da autorictas dá nisto! (1+1=2)

crítica 5: esta própria. tenho que me deitar a horas decentes. talvez aí a autorictas seja mais digerível. e dirigível. (1+1=X)

ah, e o contrário de estar vivo é estar morto. (1≠1)

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