sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cálculo crítico

Quanto ao tema abordado num post anterior, ao primeiro parágrafo nada posso acrescentar, já que nunca li deleuze nem tenciono ler (a primeira tentativa que fiz foi quando era estudante de engenharia, o que tornou as coisas ainda mais difíceis).

Quanto ao fim das coisas, e a Marx, estou a ler finalmente o fim da história e a reparar numa série de pecados cometidos pelo autor. Primeiro, o livro é de um etnocentrismo aterrador. Fica-se com a impressão que o ocidente é todo constituído pelos seus tipos tradicionais (ou aqueles que nos quiseram fazer crer como tradicionais). Depois de se ler das virtudes das democracias liberais, fica-se com a impressão que as sociedades ocidentais são socialmente móveis, e ao mesmo tempo culturalmente estáveis. O autor pega por assim dizer numa sociedade, digamos, os franceses, e trata-os como se tivessem todos baguetes debaixo do braço a tocar concertina. Para o autor, tal como para o modelo que ele defende, não há descontentamento, migrações e exclusão social. Por isso é que história podia acabar.

Nos anos noventa ainda se vivia uma certa cegueira social, que só o terrorismo veio resolver.

De qualquer maneira, o livro tem um bom fundo, que é o de ridicularizar o caminho em direcção ao fim da história que é representado por um certo tipo de comunismo.

Ainda tenho explicar aquilo do Chostakovich. Para já fica a música.

1 comentário:

Anónimo disse...

penso que o comunismo não se pode deixar levar por essa tentação, precisamente, de antever o fim da história nas suas crenças. penso aliás, como Marx, que o comunismo não deve fazer previsões de futuro, antes lutar por ele. senão corre o risco de entrar no pecado do neo-liberalismo utópico.