domingo, 4 de outubro de 2009

tudo é negociável

aproveito a deixa do irritante Guido Westerwelle, líder do FDP e provavelmente o próximo ministro dos negócios estrangeiros alemao, que, depois de conhecidos os resultados das eleiçoes e referindo-se à coligaçao com a CDU, defendeu que o seu programa eleitoral é negociável, o programa da CDU é negociável, e tudo o resto é negociável. Um elemento do seu partido chegou mesmo a questionar-se se existiria algo neste mundo que nao fosse negociável -- pergunta idiota que para já fica sem resposta.

É um bom contraponto à situaçao que se vive neste momento em Portugal: muitos princípios, muitos princípios, mas depois esquecem-se que há um país para governar. O que nos leva a outra questao: estando o país sem governo efectivo há largos meses (entre campanha eleitoral, précampanha e governo de gestao), pergunto-me se já nao nos fazia falta um governo que nao fizesse reformas (eu seeeei, isto é uma barbaridade, mas o que querem?), que só deixasse as coisas andar, sem construir, sem legislar, o que iria em parte ao encontro da neste século já velha teoria malthusiana aplicada à macroeconomia dos limites do crescimento económico, por seu turno aplicada à ciência política. Um caro co-fundador deste pasquim indignava-se e bem com a resposta que um famoso ou menos famoso político dava a um problema x arbitrário: "legisla-se!". É a ecologia da fotocópia.

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