sexta-feira, 23 de outubro de 2009

peço desculpa pelo raciocínio miserável, mas n foi possível mais

nada mais aqui me trouxe senão a ausência de posts desde a última experiência do zé.



como tal, e mesmo depois de conhecido o novo executivo que nos governará durante um certo e determinado tempo que ninguém conhece, dada a quantidade de variáveis mais ou menos escrutináveis por todos, sigo ao sabor do teclado da ode proposta pelo mesmo zé vai uns posts.



por outra, e dado o histórico do blog, já aqui um dia se falou de hiperfeudalismo. este termo é, que se saiba, inédito.



passarei a uma argumentação rápida e pouco reflectida na tentativa de o definir.



há dois almoços atrás, grosso modo, falava com o russo, companheiro de boas conversas, suaves pelo descomprometimento, quando me assomou qualquer coisa tasqueira como o tasco moderno onde nos encontrávamos. algo como isto e sem tanto palavrão como o que aqui vai ser reproduzido.



'mas que caralho. pouco antes de andarmos a mandar abaixo o feudalismo (que diz que é específico de um certo e determinado território agora francês mas que peneirado finamente não pode ser passado a outros locais da velha europa como portugal), e portanto o poder nas mãos da família, do tráfico de influências e coisas que tais, apareceram uns santinhos que deram a volta ao hermetismo estatal (salvo o anacronismo) e permitiam que determinada quantidade de dinheiro fosse trocada por um papel e se levantasse noutro lado qualquer na rede privada que se havia constituído. assim se erigiu, fruto do comércio, mas acima de tudo do capital, uma burguesia que atirou ao charco com o enésimo luís a monarquia à antigo regime. esta burguesia andou para cá e para lá e, ao mesmo tempo, formou umas quantas pessoas gerando um movimento que defendia a felicidade de todos ou lá o que fosse possível, e a boa vivência de todos e o ócio com dignidade para todos, no fundo. nesta trama sem desfecho conclusivo, andámos a chamar ao estado um papel imparcial que tratasse todos como um só ou, dito de outra forma, todos como se fossem iguais não se lhes exigindo igualdade. mais tarde, fruto do exacerbamento das coisas que sempre prolifera, exigiu-se que todos fossem iguais salvo aquela meia-dúzia que governava os iguais. mas, como se isso não bastasse, continuámos na senda de um estado que se queria público pelo povo com paz, pão, habitação, saúde e educação a que se deve adicionar, claro está e daí a datação muito anterior do que vinha sendo defendido já na segunda metade do século XX, energia. depois de todo este arraial, bloco para aqui e bloco para ali, placas tectónicas em folhas de papel com um dia estupidamente quiseram explicar-me, há uns santos a exigir a nacionalização de tudo (não fora o exemplo do poder todo nas mãos de um a imagem do monarca absoluto, mas que ainda assim a democracia manda circular como pode) e outros, cujos nomes como cabrões, filhos da puta e outros me recuso pronunciar, a privatização de tudo. Para os santos das nacionalizações não há grande paciência, até podem estar correctos mas estou farto de os ouvir sem participaram na revolução que não é feita na televisão, já se sabe, e nem só com soundbytes e jornalistas amorfos e acéfalos, que também os há, a dar minutos de cena. Mas para os outros senhores que tentam vender a privatização de tudo e mais alguma coisa, a vender a cautela de um dia poder ser um de nós o dono e senhor de uma multinacional qualquer que gere como quer e pode, com um mercado livre (mas que se esquecem está regulado para não haver monopólio e predominar a livre concorrência - onde está, então, o tal liberalismo se a liberdade, afinal é amputada em favor da liberdade?) e mais não sei quê (não percebo patavina de economia), para esses senhores, dizia: puta que os pariu. O CARALHO, como em post antes escrito. Sem qualquer sombra de dúvida. Ora então, andou-se anos a acabar com o feudalismo e as suas raízes para aparecerem uns senhores e defenderem, o quê?, o hiperfeudalismo, claro está. Hiper porque globalizado, com famílias, terrenos tornados acções e empresas, vassalos prontos a dar o corpo pela boa nova e pela empresa, de uns tantos que não todos, prontos a servir quem?, a empresa e não todos. E mais, depois do modelo familiar puro e duro (o do tal feudalismo, insinua-se aqui de forma simplificada e muito rude) eis que surge o modelo do capital, o que não é novidade, como entidade abstracta para mediar as relações entre nós. Relações sociais com números e um caramelo qualquer a mandar na água que é de todos nós, na energia que é de todos nós, na educação que é de todos nós, ma habitação que é de todos nós, e por autorecreação e golpe de rins privado sem qualquer um de nós ter uma palavra a dizer sobre o assunto."



Foi mais ou menos isto que me assomou o pensamento, com mais ou menos palavrão, no espaço de uns minutos enquanto ouvia o de moskva, com toda a propriedade: "mais liberdade, menos estado? Ahahahahah! Eu quero é mais estado!"



Com tudo isto quase chegaria ao cúmulo da estupidez de afirmar, antes um Hitler eleito que um Madoff subindo a pulso. E este não matou tantos.



É aqui que surge o senão. A afirmação totalizante do Estado fez o que fez. É aqui que deve surgir o génio que venha dar a volta a esta merda toda. Soluções precisam-se, embora disso não dependa a vida humana como se quer fazer parecer. Podemos sempre viver explorados directa ou indirectamente e com menos emissões de CO2.



Claro está.

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