domingo, 11 de outubro de 2009

caros concidadãos

depois de um interlúdio que marca a viragem na produção escrita - rasteirinha - para este blógue, denunciando o regresso de mais um debruçar sobre as matérias artísticas deste e de outros mundos e das quais, declaradamente, não entendo nada mas devo perceber mais do que uma determinada percentagem da população que se decidiu por outras entradas na enciclopédia, volto à política.

pela primeira vez na vida passou pela cabeça desta pessoa não se levantar para exercer o seu direito de voto. só se reforça este devaneio porque defende quem escreve que votar não só é um direito, como é também um dever.

todavia, no círculo onde me proponho votar, já que ninguém me obriga, a escolha é escassa. diria mesmo nula, exceptuando a opção por qualquer um que se assuma como real oposição ao regime instalado, tão democrático, aliás, como o da Madeira de Jardim. E a democraci, ou a falta delas, sinto-a (não deixa de ser a expressão de uma impressão irracional) tanto na urna, como no café. Há uma espécie de neblina saloonesca no ar.

Como tal, amanhã acordarei, correrei até ao Liceu onde voto, botarei as minhas três cruzes nos recipientes correctos e voltarei a casa de olho esperto tentando descortinar o bom, o mau e o vilão.

Não tenho, com se vê, quaisquer argumentos para combater o vazio que por aqui corre. Depois de amanhã passearei por um outro, mas aí defende-me o anonimato e, qunato mais não seja, ali não voto. Posso, por isso, atirar-me à inconsciência municipal e borrifar-me nos buracos que danificaram a bicicleta que por vezes me transporta.

Depois de amanhã um desafio mais alto se levanta. O outro, o das autárquicas, iniciar-se-á, eventualmente, quando finalmente 180 municípios se virem obrigados a mudar o rosto do presidente. Talvez aí o caciquismo, para usar a palavra gasta, mas também a discussão alteie o seu volume no longo e primorosamente esquinado Portugal. Depois de amanhã, inicia-se o teste à maturidade democrática dos agentes políticos da República Portuguesa. Dentro de quatro anos, o teste das populações para lá da disputa do lugar de estacionamento à frente de casa. Aguardo com o M.E.R.D.A. (Movimento Estriónico pela Recuperação da Democracia Arcaica) em mente.

Como o nosso outro André gritou por letras capitais: Quem vem lá, quem vem lá, quem vem lá?

MERDA MERDA MERDA!

Sem comentários: