quarta-feira, 23 de setembro de 2009

tarde mas chegou

continuando o assunto que foi ficando pendente.

Zé, também tinha dito que concordava com os cortes aos benefícios fiscais, o que me impressionou foi a falta de resposta do Francisco, agora Primeiro-Ministro a médio-longo prazo segundo o próprio. Por partes:

. no link que ali puseste vê-se bem que os cortes de que se falava (saúde e educação ainda menos, presume-se, porque aquilo diz respeito aos benefícios totais fruidos pelos contribuintes como eu e tu) são bem migalhas. 300 e tal milhões num bolo de cerca de 10 mil milhões (vi faz uns dias largos e posso estar meio trocado, mas não andará muito longe isto) em que a grande e esmagadora fatia vem dos benefícios fiscais concedidos à banca.

. depois a ausência de contra-argumento de Sócrates é simples de explicar, pelo menos na sequência do que venho dizendo. ora, se não há contra-argumento de Francisco não pode haver contra-argumento ao contra-argumento por Sócrates.

. quanto ao tal limite de 3700 euros, mais uma vez concordamos que os benefícios fiscais deveriam ser cortados, ainda que com alguma parcimónia. se na educação não duvido minimamente da qualidade da escola pública, na saúde a mais recente experiência no centro de saúde para o qual, erradamente, alterei a minha inscrição (salvo seja) coloca-me sérias dúvidas. claro que pelo meio desconta o senhor que nunca pôs os coutos para lá do doutor que o observa depois do passeio pela coutada. mas paciência. com isto devo reafirmar que não defendo sistemas mistos, porém algum apoio por parte do estado pode ajudar (e isto ainda é pior quando o apoio surge para suprir falhas do próprio...mas já lá iremos)

. quanto à acumulação de funções, que também estarão na base do regabofe do tal centro de saúde (a primeira consulta que obtive foi por falta de um médico e a segunda que marquei foi adiada por falta de outro. ou tenho muito azar ou há uns senhores a baldar-se largamente e, quem sabe, para atender madames na clínica dos arcos fora do horário de expediente), basta voltar a afirmar que foi o PS que acabou com a acumulação de funções no ensino. ora portanto, entre crença e efectividade, venha a segunda.

. a questão do ensino superior foi simples. não disse que, idealmente, não devêssemos todos aceder ao ensino superior. já me deves ter ouvido defender, com ar jocoso mas de modo lendário, isto é, com um fundinho de verdade, que também o trolha devia ir à universidade quanto mais não fosse estudar um semestre o Manual do Pedreiro. Vai daí a má construcção por uso deficiente dos materiais esbatia-se um pouco. Mas o que tentei dizer, mal como já tive oportunidade de reler, é que nem tudo se resolve com um ensino superior gratuito (e tendo a concordar, mas ou se defende um ensino superior obrigatório ou então não há porque ser gratuito) e que se deveria reforçar o ensino técnico. E desempregados com cursos técnicos não são desempregados sem habilitações, por mais que esse extremo sirva o argumento Zé. São, muito provavelmente, desempregados por menos tempo. E de qualquer forma a Universidade está aberta a todos e, apesar de não chegar, há sempre as bolsas que oferecem, pelo menos, as propinas. O que não sendo óptimo, já pode ajudar trabalhadores-estudantes com rendimentos baixos, pessoal que tenha filhos a estudar sem estarem deslocados de casa dos pais. É bom? Vai sendo. Chega? Claramente não. Mas aí chegamos a um outro ponto.

. Para dar benesses é preciso gerar receitas. Melhor captura fiscal é o que tem acontecido (com abusos que nem tudo são rosas) e, deixem-me fazer este apontamento depois de ir vomitar ali ao canto, com o trabalho do senhor que foi nomeado por M.PherreiraLeite para resolver o assunto das fugas ao fisco. Depois lá veio toda a oposição dizer que o senhor ganhava muito, uns largos milhares de euros que davam a ganhar uns larguíssimos milhões e o senhor foi despedido (Ah! afinal há despedimentos na função pública, dependem é de quanto aufere o despedido ou dispensado ou demissionário...nem me recordo bem). Depois há que resolver o problema da balança comercial. E aí mais uma vez batemos na tecla: agricultura e energia. Ora, as renováveis e o salto que demos nesse sentido deve ter sido mau ou ilusório, tal como os negócios directos com países produtores como a Venezuela ou a Líbia. Mas vá, queremos ter as mesmas benesses dos que negoceiam com eles, os maus, sem negociar com eles, os maus. E vai daí os finlandeses até podem trocar, se precisarem, telemóveis por batatas, mas ai de nós se trocamos computadores por petróleo. No caso da agricultura não sei muito, aliás como no resto, mas pelos visto não se fez grande coisa. Mas algo é certo. Discordo, por princípio, com os subsídios que fazem o preço final do produto diminuir artificialmente fomentando a produção extensiva. Olhemos os kilómetros quadrados de estufas na Estremadura espanhola. Todavia, não encontro alternativa para a minha insaciável vontade de comer batata frita aos baldes. Fico é com isto bem registado, é um dos problemas mais urgentes que temos para resolver, aliás, este vem desde antes do terramoto de 1755. Vai daí já era tempo.

Quanto ao estilo, Zé, apontei o do Francisco dizendo que a forma disfarça a falta de conteúdo. Portanto, só desdenho o estilo deste mais que o dos outros (menos o da M.PherreiraLeite e pelas mesmas razões) porque este esforça-se por dizer que os outros são todos casca e ele todo sumo. E quando o espremo, só caroços. É que, por mais que o senhor diga e rediga que é candidato a Primeiro-Ministro (da varanda do segundo andar onde agora me encontro também posso gritar que sou candidato a Presidente da República, evidentemente melhor que o de agora e por todas as razões do mundo, todas mesmo e estou a ser modesto dada a mediocridade daquele boneco de ventríloquo ambulante que gosta de repetir, talvez por graça, 'questões de segurança' 5 vezes em menos de 30 segundos).

Ainda assim, não foi só Sócrates que se tornou mansinho. Suspeito que qualquer coisa alterou aquele tom grave à Cardeal Chiquinho que Francisco usava de tempos a tempos. De vez em quando foge-lhe o tom, mas ele com é afinadinho e anda nisto há anos, consegue controlar-se.

E reitero, dia 27 de Setembro, o voto é nulo mas com nome riscado nas listas da freguesia do meu canteiro, cantão do boneco do ventríloquo e outras bestas (ou filhos da mãe, como o presidente do mesmo munícipio fez questão de dizer. com decoro e boa educação, claro está, que quando o argumento é 'és filho da mãe' está tudo dito quanto ao enunciador). Quero ver como se portam PS, PCP e BE a ter que lidar uns com os outros. Haviam de se enfiar em coligação os três, é o que vos digo. Senão, está visto, BE e PCP a fazer oposição no mesmo registo indecoroso que levaram adiante até agora e, no final, claro que a culpa é do governo porque eles não sujaram as mãos. Zé, nisto apoio-te, era bom que todos os portugueses passassem pela universidade (caso esta garantisse discernimento..eu tenho cá para mim que fui perdendo o meu, ou então gnahei consciência e aí tens razão) para perceber que nem tudo é 1+1=2.




Quanto ao wordpress, por mim tudo bem. Não tenho nada contra a Google, nem especialmente a favor. E a mudança há que ser estimulada. De qualquer forma sugiro que se mantenha este blog e se crie um de nome Escrotínio, já que Falópio nem vê-lo vai para longos meses. Ou então Falo-Pio.Escrotiníu. Ou seja, falo, pio - escrutino mas na versão homoestética.

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