quarta-feira, 16 de setembro de 2009

não acho que tenha ficado sem resposta, mas isso são pontos de vista. Para mim o argumento estava dado e, a não ser que sigamos as regras do debate televisivo -- numa linha, o último a falar é quem tem razão -- não consigo vislumbrar qualquer contra argumento do lado de JS.

Os benefícios fiscais têm tudo a ver com a classe média, porque são as classes média e alta que os aproveitam. Ora, sendo a classe média em número muito superior do que alta (infelizmente), o grande buraco nas contas do estado vem da primeira. Servindo a política fiscal como arma de redistribuição da riqueza e atenuadora de diferenças sociais, não faz sentido que esteja a contribuir para mais uma. Na prática, está a servir como um incentivo à diferenciação à partida. Uma família de classe média alta passa a ter um desconto na mensalidade de um colégio privado para os seus filhos, ao passo que uma família de classe média baixa nunca poderia pagar a mensalidade desse mesmo colégio, pelo que passa a não beneficiar desse mesmo desconto. Em vez disso, vai ter de gastar o seu dinheiro em manuais escolares, que o estado não consegue pagar porque gastou dinheiro desnecessário e indutor de desigualdades a pagar o colégio do mais rico. Isto é apenas um exemplo, podemos pegar em qualquer outro. Há ainda outro argumento, é que os benefícios fiscais podem ir até cerca de 3700 euros por ano, valor que os trabalhadores pior pagos não conseguem sequer atingir em taxas de IRS. Portanto nunca poderão usufruir da totalidade do benefício fiscal. Só isto já revela a injustiça da actual política fiscal e revela a relação entre os benefícios fiscais e a classe média. E os nossos pais vão ficar a perder 3700 euros por ano. É essa a relação. No entanto quando eu estiver a trabalhar em part time (mas com contrato) e não pagar impostos suficientes para poder recuperar 3700 euros vou pelo menos ter à minha disposição melhores serviços públicos.

E não concordo com o argumento das migalhas, em parte por isto: http://resistir.info/e_rosa/beneficios_fiscais_set09.html

e em parte porque essas migalhas podem ser imediatamente desviadas para pagar livros escolares ou medicamentos.

Quanto à saúde pergunto: achas mais provável o bloco ou o PS proibirem a acumulação de funções? De resto não percebi muito bem o que querias dizer com as taxas moderadoras.

Não concordo quanto ao ensino superior. Acho que deve abrir-se ainda mais a quem quer que lá queira estudar. Prefiro mil vezes um desempregado licenciado em biologia ou gestão do que um desempregado sem nenhuma qualificação. E qual é o problema de um licenciado trabalhar na construção civil? Só uma universidade aberta a todos pode ser um mecanismo de inclusão social (e atenção que nos últimos anos ficaram por preencher milhares de vagas no ensino superior, portanto há mais oferta do que procura). Idealmente esse seria o papel do ensino básico e secundário, mas não o podendo cumprir, pelo menos que a universidade faça a sua parte. Depois, bons alunos, investigação e bolsas, isso é outra história, e aí é que não vamos lá com migalhas.

O alegado não serviu para duvidar da tua história. Eu acredito nela e até a compreendo. Quanto a saneamentos, não conheço nenhum no BE, mas não estou muito informado da sua política interna.

E, ó andré, eu também não gosto do estilo do FL, mas olha, gosto menos dos outros!

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