terça-feira, 15 de setembro de 2009

haja debate, que os tempos são propícios. diz que este verão reforçou o húmus que alimenta a colheita seguinte.

Discordo da discordância, como será bom de ver.

Ora, Francisquinho, o petit patapon do avanço proletário versão picoas, incomodou-se porque, na verdade, ficou sem resposta. Mais, se não foi por isso e por ser contestado, então o Chiquinho não se pôde ter afirmado como candidato a Primeiro-Ministro. Faltou-lhe poder de encaixe e golpe de rins. Golpe de rins esse que, para além de uma crise de fígado constante na sua expressão facial espremida, resultaria numa resposta ao nível da tua, caro Zé, que colocaria a coisa em pratos limpos. Eu próprio, e não outro, que não sei faer uma conta de subtrair com mais de 3 elementos ou uma incógnita, cheguei a parte da argumentação que aqui reproduziste em menos tempo do que Francisquinho baixa o tom de voz e o amacia quando houve falar em desfavorecidos. A fórmula é básica, t=D-$/FL deduzindo o tempo da queda da lágrima e atribuindo dedução no cômputo final do deve e haver à diferença de decibéis, ou simplificando, A=B.

Encontrei aí um buraco, todavia. Que têm os benefícicos fiscais a ver apenas com a classe média? É que eu limitei-me a repetir o argumento de Sócrates. Mas na verdade, tb a classe baixa e a alta podem descontar. Em última análise, só favorece mm as classe mais altas que podem frequentar escolas privadas e ter acesso a estabelecimentos de saúde privada e descontar. Depois, as migalhas que hipotecam toda a sociedade parecem-me duvidosas.

Ponto 1: a saúde pública é barata e tenho cá para mim que, mesmo entendendo que uma taxa de 2 euros na consulta nos centro de saúde pode revelar-se cara para muita gente, exibe um problema maior de falta de organização ou de médicos (problema corporativo, das corporações que afinal o BE sempre foi apoiando nesse olhar aos 15 minutos de aproveitamento político e que me recorda sempre que o Estado-novo exibia orgulhosamente uma edifício político com uma fatia importante oferecida ao poder das corporações. ainda estou para perceber o revolucionário que sai daqui), classe que não vê aumentado o número de efectivos muito por força dos impedimentos ao aumento de vagas desses cursos no ensino superior e à luta contra a proibição de acumular funções públicas e privadas que, quando aplicadas aos professores, ofereceram emprego a muita gente mas não deixaram de fazer correr rios de tinta porque o governo era autoritário. Excluamos daqui, como bem reforçou Francisquinho, a saúde oral. Dou-lhe todo o apoio nesse caso, como não dou nos casos das urgências fechadas e na reorganização territorial dos centros de saúde. Aí, mais uma vez, andou a reboque dos 15 minutos de fama. E essa, Zé, é acima de tudo a oposição que não quero. Mas já aqui voltaremos.

Ponto 2: o ensino superior não é obrigatório e como tal deve confiar numa base de atribuição bolsista de mérito e não gratuidade universalisada. não é ideal, é facto, que por mim também preferia não estar na eventualidade de não poder acumular propinas. e por uma simples razão que é óbvia ao olhar o número de licenciados desempregados e quantidade de ofertas de emprego técnicas que surgem todas as semanas, por exemplo, na newsletter do expressoemprego. E recorda-se que o ensino obrigatório até ao 12º ano, tal como a tentativa de estabilização de manuais escolares (sem chegar ao manual único que levaria às histórias da carochina dos livros de leitura da primeira, segunda, terceira e quarta classes do regime do outro senhor de perfil afilado) são també medidas do JS que afrontava FL. Conclusão, Francisquinho sabia bem da fatuidade da sua proposta se não baseada em algo mais que a simplificação do regime fiscal. Até porque andou a bradar aos céus com o simplex, como o haveria feito com as lojas do cidadão se pudesse e tivesse sido eleito sem golpes palacianos antes de 1998.

Outra coisa que não percebi bem foi a relação disso com a geração dos nossos pais e a nossa. Afinal o empregamento vitalício é mau e portanto os senhores professores podem arrumar malas, chumbar nas avaliações e ser despedidos, como outros funcionários públicos, ao mesmo tempo que a flexibilização do Código de Trabalho se afirma como uma medida de justiça inter-geracional. Por outro lado, esse hipotecar das novas gerações é um problema que se coloca apenas se olharmos do lado de cá. Porque do lado de lá, na outra ponta da vida activa, muita gente perdeu o seu emprego vitalício sem hipótese de reinserção no mercado de trabalho. Em todo caso concordo com essa flexibilização, mas suspeito que não fosse argumento do Francisquinho. Ou se fosse, não o poderia ser.

Quanto ao alegado alegadamente alegando, caso estejamos numa situação em que sou mentiroso, então está o assunto arrumado. Senão, o problema não está em Francisquinho aproveitar-se, também, mas como bem dizes, é uma questão de fazer política e de soundbites. O que está em causa é o estilo, se quiseres. A forma e não o conteúdo, se bem que aquela acaba sempre por revelar a falta deste. Em analogia, o problema está no facto de Francisquinho poder atirar um 'senhor é mentiroso' na Assembleia da República, por exemplo, e atiçar-se quando lho atiram de volta. O problema está, como ainda à dias, no facto de Francisquinho endereçar amorosamente a Portas que ele defende interesses e não aceitar que ele devolva o mimo. O problema está, claramente, no facto de Louçã pôr em causa a legitimidade de tudo e mais alguma coisa e a palavra do outro, como o fez em relação ao caso da Joana Amaral Dias insistindo fugazmente no aliciamento e numdestes debates responder já não sei a quem qualquer coisa como 'não lhe admito que ponha em causa as minahs palavras'. É aqui que reside o moralista, Zé. Somente aqui e não nalguma vertente caridosa, que não é da direita ou da esquerda, é antes cristã como Louçã.

Quanto ao revolucionário, eu também o sou sentadinho neste 5º esquerdo a escrever estas tretas e quando faço participações e reclamações para a DECO ou quando procuro encontrar ir por outros caminhos nos trabalhos que vou fazendo, simplesmente quero fazer outra coisa que não política porque não me acho salvador de coisa alguma.

E o proletariado com bons níveis de vida foi realmente um mau exemplo. É que, muito provavelemente, ao invés de atirar com ideologias e utopias, normalmente de tendência totalitária pelo simples facto de necessitarem de uma base de aceitação universal que nunca será, pelo simples facto de o humano ser humano, real para cima do coitado do trabalhador ignorante, atente-se às suas necessidades até porque, se calhar, não é tão ignorante quanto isso e sem ler isto ou aquilo ou vestir isto ou aquilo ou falar desta ou daquela maneira vendo estes ou aqueles filmes, pensa e sabe o que quer para si. Também Garcia via bola, viajava, fazia brinquedos e uns outros mandavam coca e outros eram vegetarianos e outros gostavam de andar nus pela casa e outros eram casados e outros não e outros homossexuais e outros não e outros isto e aquilo.

Ainda sobre Louçã, Louçã é um monte de cocó enlatado. Se mais não fosse, isto chegava. E se Louçã faz parte da estrutura dirigente do Bloco capaz de exercer a governação, então eu quero no governo o MPT. Porque se Louçã, uma vez no poder do seu Bloco, afina os saneamentos, que faria no Governo? Se Louçã atira com tolerância pacóvia da bancada da oposição, que faria da bancada do Governo? Se Louçã e o seu Bloco, de liderança fiável, fez o que fez na coligação na câmara de Lisboa, como pode governar e chegar a consensos, cumprir acordos, negociar? Meu Deus, ou melhor, Deus do Louçã que eu sim, para além de laico sou ateu, livra-me do teu fiel!

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