domingo, 24 de maio de 2009

eu mordo, tu mordes, ele morde.

o tributo ao zé usando o título de um outro post seu, reservando-me o direito de querer ver surgir a conjugação no plural.

em resposta a uma pergunta posta aqui em mais um devaneio de um ser sereno que é e não é, lá foi. também a fagtl.

há sempre que lembrar que ao menos já andamos a discutir com os outros e não só atrás deles. portugal já não é o que era porque somos filhos do 25 de abril. ai somos, somos.

tenho ouvido ecos muitos da palavra acção-ão-ão. há que morder.

e morder, pese a cor espalhada pela cidade pela chegada à lusitânia do camões da mayday, não é espalhar cor. morder é o terramoto, abençoada fagtl, morder é a hecatombe, amaldiçoado otelo que disseste e não fizeste, morder é o choque, o recalcamento a paralisia e a crise o trauma.

portugal é, e não sozinho, um hematoma. morder é o sangue. é a libertação que cura ferida.

há dois tipos de alpinistas: os que ficam com um braço preso e morrem de hipotermia e os que cortam o braço a sangue frio. morder é cortar o braço.

morder é abrir a ferida, olhá-la de frente e atirar álcool quando infecta porque quem morde por gosto não cansa.

morder é não atentar às consequências, mas assumi-las. é deixar o adversário respirar para o manter controlado. se o único fascista bom é o fascista morto, o único fascista muito bom é o fascista que respira. porque se respira não é ícone, é ele. se respira é homem e se é homem é imperfeito e se é imperfeito não é exemplo.

morder é deitar o adversário por terra, resistir à tentação de o eliminar e deixá-lo ajoelhar-se para outro novamente o atirar ao chão.

morder é soltar a força do irracional para domá-la. morder é um ataque com determinação feroz mas num ponto exacto.

morder é um 9/11 que derrota, não um que mata inocentes. é ser médico e não curandeiro. é atacar a doença, não o sintoma. e a doença não é um país, é um hiperfeudalismo.

só a acção é exemplar, não o homem. e por isso morder é atirar ao chão para que outro o faça novamente. morder é um acto colectivo.

eu mordo para que tu mordas e me deixes descansado.

morder é actuar no tempo para devir tempo.