domingo, 1 de fevereiro de 2009

incrível chiquito!

depois de uma partida, lagarta, fugida até ao final do séc. XIX falta especificar o ponto de partida do ciclo.
ora aquela ideia logo dita de absurda, e que de facto o era, partiu de uma leitura, Meditations on a hobby horse (1963) de E.H. Gombrich (o tal que teve uma hist da arte vendida com o Público e que foi, entre outras coisas, verificáveis ou não, adepto de cricket, do blackburn rovers, de idas ao cinema à sexta-feira, chardonnay, da linguiça com couves da sua mãezinha e, finalmente, director do warburg institute), que na página 10 dizia o seguinte depois de discorrer brevemente sobre o modo de representação baseado na projecção geométrica do espaço que confere significado ao objecto que se pretende representar em concreto ao contextualizá-lo, tomando-se, então, todos os pontos da janela de representação como significantes por contribuirem, na configuração do todo, para a significação da parte. É este modo de representação que permite a atribuição de significado de um ponto esboçado numa tela impressionista, sendo que este fenómeno apenas é possível ao passar-se parte da atribuição de significado do criador para o espectador. Assim inicia-se um percurso (e esta parte não é dita no texto mas infere-se até porque parte do que aqui vai ser dito ocorreu durante a escrita e afirmou-se definitivamente depois do senhor ter escrito o texto em questão, mas não era cego e deveria estar bem dentro do que se passava, à la page como uns senhores gostavam de dizer uns 40 anos antes) que partindo de uma primeira chamada à acção do espectador, o tornará como ente criador da obra, não podendo esta existir sem a sua participação.
Ver um conjunto que agora não me recordo de performances, happenings e outras obras que incluem manifestas orientações ao pós-espectador, se assim lhe quisermos chamar. ocorre-me agora uma, que não será paradigmática, a instalação do richard serra em bilbao, no guggenheim lá do sítio, que só tem pertinência se o espectador percorrer a velocidades diferentes o espaço.
a dada altura o sr. Gombrich (digo senhor pq nunca me foi apresentado, nem nunca será) define, num discorrer em que justifica que o cavalo de pau funciona como substituto do cavalo não por ter uma relação formal (em última análise um pau de vassoura cumpriria o objectivo) com o objecto que pretende substituir mas por essa significação lhe ser oferecida por alguém que o quer fazer, no caso por uma relação funcional. 'the more vital the feature that is indicated by the context and yet omitted, the more intense seems to be the process that is started off.'
Tudo isto advém de uma longa discussão que parte da aplicação do estruturalismo dos estudos de linguística à hist da arte, que culmina numa crise do referente. Ver, saussure, peirce, este sr. gombrich, os formalistas russos, entre outros que agora não me apetece procurar.
assim se justifica que a vanguarda seja tudo o que se diz no fim e seguintes. a crise do referente e a interpenetração, no caso, entre linguística e arte, visto que as teorizações estruturalistas da língua parecem ter começado na rússia partindo do cubismo para explicar a poesia sua contemporânea. só por isso, e não pejorativamente ou sem atentar a tudo o que lhes deu origem, constituiu ou se seguiu, se fala da vã guarda.
sobre os ismos, vejamos que se falou sempre da vanguarda e não do vanguardismo. cubismo, sim, por ter uma formulação concreta, tal como todos os outros ismos. vanguarda ou vanguardas, se notarmos a multiplicidade de variantes, por funcionarem sob um mesmo céu cuja origem se encontra, esboçadamente, no caminho da desfragmentação do Eu.

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