sábado, 7 de junho de 2008

desta vez estive a assistir ao expresso da meia-noite.
era sobre o tal comício das esquerdas, essa navalhada na bochecha da longa noite de governação socialista. corrijo, socrista.

não estava a moderar nicolau dos santos, o homem do laço da economia portuguesa. este longo cognome não é, de todo, pejorativo uma vez que nicolau até aprece um gajo porreiro para beber umas cervejas. faz parte, apenas, da mudança mais profunda do portugal pós-25 de abril - SEMPRE E FASCISMO NUNCA MAIS! Por muito tempo hesitámos entre o fado e a piada de algibeira. ganhou a última, em partida bem disputada, até porque é exactamente o conteúdo único da algibeira nacional. até o português rico é, em larga medida, um pé descalço para além dos algarves.

tínhamos, portanto, um elenco constituído por ricardo costa, vitalino canas, joana amaral dias e dois senhores dos quais não recordo o nome. estavam por lá por ser um da renovação comunista e outro politólogo.

deste confronto já se sabe o resultado, por momentos pensei que estava a ver o CSI.

ricardo modera enquanto vitalino afirma a bondade das medidas do governo que consistem na consolidação orçamental, num primeiro momento, para depois se poder combater a desigualdade social através do investimento público. é justo, desde que se creia. joana, que eu amava todos os dias menos à sexta quando se encontra em tão fracas figuras por volta da meia-noite, contra-ataca com o novo código laboral e, como é óbvio, com a política dos costumes, dos valores. e fá-lo, uma palavra que ganha dimensão sempre que se fala de ou com joana, depois da advertência do politólogo de serviço ao fazer uma comparação entre o partido socialista português e o espanhol. no que joana não reparou é que o dito politólogo usou o termo pós-materialista. ora, se a própria argumenta a falta de medidas materialistas que equilibrem os níveis de vida do português baixo, médio e alto, algo ficou por perceber. ao mesmo tempo, enquanto plasmava via sic a proposta máxima de tal comício, que consistia em dizer que há propostas - ninguém as vê mas que as há, há - conseguia uma imitação perfeita do moralista português com mais mercado no sector da simpatia para com figuras políticas. diga-se que nisto o povo nacional demonstra alta coerência: se salazar ganhou o concurso do grande português, também louçã se perfila nessa luta que se desenrolará mais uma vez daqui por cem anos. digo mais, se houvera nascido no vimieiro não teria qualquer dúvida em oferecer-lhe uma cadeirinha de lona. e assim víamos joana: pose recta, olhos bem abertos, palavras bem pronunciadas, defesa dos fracos e oprimidos na ponta da língua e ataque cerrado ao código laboral. mas joana não é louçã, graças a deus! e a moça que até tem um ar simpático quando não assume o papel de robin hood da alfama (e portava uma generosa camisola verde), afirma que não é fácil juntar 200.000 pessoas numa manifestação contra o código laboral, esse vil instrumento do governo contra o trabalhador e a favor do empresário, quando vitalino dizia que esse era um feito perfeitamente normal. esteve mal joana: se a vitalino fica bem dizer que considera o acto fácil porque o governo reformou, a joana ficaria bem dizer que o acto sim era fácil porque o governo reformou, mas fê-lo pouco e mal. mais tarde joana, exibindo um belo sorriso de puto reguila, qual errol flyn a colocar o xerife entre a espada e a parede, referiu o segundo emprego de vitalino canas. quando não se sabe que mais dizer, não é joana?

mas não centremos o debate em joana, pedindo desde já as mais sinceras desculpas pelas referências ao seu porte físico. mas este apontamento apenas demonstra a imparcialidade do comentador, tanto se refere ao laço do nicolau como aos seios da joana. e ambos se usam ao peito, o que reforça idoneidade destas linhas.

por outro lado, gostei de ouvir o representante da renovação comunista. poderá ter sido por verificar que existe uma renovação comunista, o que é de louvar. mas o senhor até esteve um pouco calado, o que foi pena pois parece que ajudaria o debate ouvir mais que palavras bloquistas e socialistas. ainda assim quando falou, falou bem e consubstanciando as suas opiniões. tal como o politólogo.

daqui se conclui, mais uma vez, que o comício das esquerdas não impressionou ninguém. e fê-lo tão pouco que os próprios organizadores desviaram o assunto. ou seja, ao discutir-se o comício das esquerdas, discutiu-se o código laboral e o PS. muito bem, muito bem! ao fim e ao cabo são as razões que dão razão ao comício. pedia-se era que fossem melhor usadas. defender a ética, a moral, um estado social e dizer que há alternativas não chega, é preciso dizer como. e sabe-se que para acabar com as desigualdades um referendo não chega. para além de não ser bonito apontar o dedo a uma mentira usando outra.

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