sábado, 24 de maio de 2008

do niilismo

Tu disseste:
agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca.
Eu disse:
eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede.
Tu disseste:
e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?
Eu disse:
não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada.
Tu disseste:
e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês.
Eu disse:
o que é que isso interessa?
Tu disseste:
...nada.

nunca gostei daquele conformismo. ...nada? afinal era o nada?

pareceu que sim. era o nada o que estava na ponta dos dedos.
'um mundo inteiro por descobrir.' era o nada.

era o conformismo. estou aqui. 'quero saborear o infinito'
era o conformismo. 'eu também já tive medo. muito medo'
era o conformismo.

era o nada.

'agora procuro o desígnio da vida.' era o nada.

'o que é que isso interessa?'
'...nada.'

um dia, a olhar a mancha na parede, vi o que estava para lá. a mancha a alastrar pela parede.
eu disse:
o que é que isso interessa?

a resposta não foi o conformismo.

e eu disse:
o que é que isso interessa?

conformismo.
nada.

e então percebi: nada.

3 comentários:

amandio de rialba disse...

so pela achega que levei ha pouco, era uma muscia de mao morta no inicio. geralmente estao entre parentesis mas nesta fiz corte e cola :P peço desculpa, de qq forma n é grande merda o texto ahaha e q n me processem por favor porque era chato.

amandio de rialba disse...

lol outro exclarecimento, n e grande merda o resto do texto, o da musica esta muito bem sim senhor.
agora é que vai. esta td dito.

o mesmo disse...

onde se le ex-, leia-se es-. peço desculpa.