quarta-feira, 25 de julho de 2007

Drogas no desporto

Há quem considere que a comunicação social está a empolar o assunto no ciclismo. Acho que esta posição se desvia do essencial: a questão à volta do desporto profissional, da fronteira entre desporto e espectáculo. A minha opinião continua a ser purista. Não acho possível conservar a boa prática desportiva com a profissionalização. A prática de uma modalidade deve ter um objectivo interior a essa modalidade. Enquanto se está a praticar, os objectivos do praticante devem estar contidos na actividade. Esses objectivos nunca podem ser influenciados por factores externos, como lucro, fama, prestígio, sociedade. A realidade do desporto é fechada, ao contrário das artes do espectáculo, que prevêm um público.

Óbvio que é fixe ter alguém a aplaudir quando se marca um golo. Mas há que encontrar o compromisso. O doping é um resultado do que foi antes discutido. Claro que não é um resultado directo, um ciclista profissional não anda a espetar seringas na perna às escondidas só porque a actividade desportiva devia ser uma coisa meia zen, mas apelo à inteligência para tirar as conclusões devidas, porque não tenho tempo para isso.

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