quinta-feira, 24 de maio de 2007

Por...que

Deixei de procurar.
Tinha-me perdido com a mão do tempo que badalava.
Afinal estava a procurar aquilo que nunca ia encontrar.

Conformei-me.

Dez anos depois acordei. Estava sol e senti-o.
Pensei e voltei a confortar-me.
O sofá ainda estava quente..outra sensação? que estranho.
Lá fora os edifícios estavam diferentes.
Pelo menos como os via da minha janela.
Olhei a televisão...e novamente a janela.

Lá fora estava outro filme.
Em várias janelas.
Indiscretas como a minha.
Na rua tudo era diferente,
embora visse as mesmas caras..

O espelho envenenou a alma humana,
disse quem se desassossegava.

E eu que me via naquelas janelas.
E aquelas janelas que se viam em mim.
E a minha restituição olhada ao espelho,
tal como a delas,
que ao se espelharem, viam-se.

Cruel o Bernardo Soares.
Não se lembrou do movimento do sol
(no entanto move-se. O resto é Ciência)
que nem sempre reflectia.

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