sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Foram criados depósitos em regiões isoladas que agora são fornecidos por camiões-pipa. Quando o açude seca, é esta a única fonte de água para a população. Em situações de emergência como a que se vive actualmente, a água fornecida não é sequer potável. É preciso deixar sedimentar, decantar, filtrar e tratar com cloro antes de beber.



Em anos normais, a chuva que cai no telhado é recolhida e levada até à cisterna por uma caleira.




Há quatro ano que não chove o suficiente e por isso a cisterna está agora cheia de água trazida pelo camião-pipa.





A água é trazida da cisterna para casa com um cântaro tradicional, que também é usado para decantar.





Em casa da Dona Gorete há dois filtros de cerâmica, tal como na casa onde me encontro hospedado em Fortaleza. Antes de se vulgarizar a utilização de garrafões de água de marca, utilizava-se este tipo de filtro em todo o lado. Infelizmente já só se encontra em zonas rurais.






quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ceará, 11-11-2015 Visita a açudes ao redor de Quixeramobim. Estamos em pleno Sertão e temperatura mínima durante a noite é de 25 graus. A seca já dura há 4 anos. As aldeias da região, cuja densidade populacional é de mais de 25 habitantes por metro quadrado, são todas alimentadas por açudes. Os açudes secaram e agora só resto o carro-pipa. Os sertanejos podem mesmo assim gozar de uma qualidade de vida com que os seus pais nunca sonharam. Desde 1984 que o movimento sem terra tem conseguido assentar várias comunidades em terrenos privados não produtivos. A reforma agrária está em curso e tem um instituto público para tal, que expropria terrenos incultos. Durante o governo PT foram construídas escolas, postos de saúde pavilhões desportivos. Recentemente (nos últimos 5 anos) trouxeram luz e telefone a toda a gente. As casas têm micro-ondas, arca frigorífica e televisão. Coisa que os republicanos da Fox News há bem pouco tempo consideravam sinal de riqueza. Mas não é. As pessoas continuam pobres e a ter de viver em barracas. Simplesmente estão melhor do que estavam. A paisagem e dominada por Caatinga, uma mistura de árvores e arbustos que perde a folhagem durante o tempo seco. Quando chove rapidamente rebentam as folhas e o que era deserto passa a verde. No meio da secura encontram-se aqui e ali um pé de Juazeiro. O Juazeiro mantém uma verdura intensa no meio de todo a secura porque tem nas suas raízes uma espécie de tubérculo onde armazena água para vários meses. Ver uma árvore destas parece milagre. Mais tarde a Moringa, a associação de ciclistas urbanos de fortaleza (têm de ser malucos) e as estatégias usadas pela população para reaproveitar água.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

cavacada

Gostava apenas de registar a cavacada de ontem. Abraço a todos

sábado, 6 de junho de 2015

massamá

destilo ódio à urbanidade raivosa de guerreiro.
tudo o que escreves está aqui, em massamá, onde sou polícia sinaleiro na margem norte.
o resto é ilusão onde não há facto, só momento. 
e marx e benjamin e warburg e blanchot escreveriam sobre isso.
com um erro de paralaxe evidente, caro guerreiro, nenhum escrevia de massamá.
como também não o faço excepto quando inscrevo como pretendo inscrever: comum os tomates.
é aqui que reside toda a diferença. não se trata de urbanidade raivosa, mas sim de uma raiva urbana.



há algo na passagem dos séculos. a raiva do fim da história.

sublime

a discussão é larga, longa, teórica, rigorosa, analítica até e a contragosto. o vídeo seguinte encaixa-a.
como se escreveu aqui um dia, mais ou menos nestes termos: evidente como a fome, não necessita de elaboração teórica.


mas podemos fugir, refugiar-nos, ir para um ponto ainda mais longe. abrigar-nos sob uma viga. esperar que não chegue aqui. confundir o urbano com a metrópole. sobrepor a racionalização à irracionalidade da guerra. certo, joguemos em tabuleiros separados. analiticamente, diria.

mas fazê-lo era dobrar, sobre si, mais uma vez, e voltar a dobrar, e regressar ao início.

não se trata de afinamento filosófico - afinamento esse que decorre, só, de uma história; afinamento que mais não é do que a procura de uma genealogia que recusa a origem procurando-a. afastar a origem, o acto original, é disso que se trata.

o sublime não está na ofensiva de 2003 sobre o iraque. não está, tão pouco, no algures na arábia saudita de 1991. não se encontra nos massacres de 61-74, ou naqueles outros 93-95, ou nos de 2015.

o sublime está na racionalização. todo o texto, escrito de fora, sobre o que ali passa é, também ele, um pedaço de sublime. o discurso oficial da união europeia sobre a grécia, também ele, é apenas possível a partir do afastamento que o sublime implica. e que não posso compreender senão a partir daqui.

tudo o resto? tudo resto. tudo resto é entulho na galeria. aqui gunter grass acertou: o que dizer sobre o indizível? o indizível de que o próprio foi engrenagem? cala-se, sem esquecer. escreve-se depois. refere-se, não se recusa. aponta-se. discute-se, não se oblitera. racionaliza-se, não se sistematiza. observa-se, não se vive. é este o nosso ponto de vista: de fora.

a agitação surge quando o sublime está demasiado próximo. vivas ao precariado de butler. mas falta uma coisa: assumi-lo. vê-lo de dentro. senti-lo, vivê-lo. estar nele. tudo o resto é comentário. e do comentário não se espera mais do que comiseração.

domingo, 31 de maio de 2015

interlúdio

video

tautologias


tautologias


tautologias


tautologias


tautologias

"Acentuar a interrupção, os vazios que se abrem nos enunciados e não são apenas da ordem das distâncias exigidas pela atenção aos outros, mas sim do excesso de significação que intensifica e infinitiza."

interlúdio

video

sábado, 23 de maio de 2015

há por ali um vidro partido. desde que me lembro dos meus avós.

 


como provocação.

 
mil nove e noventa e cinco. e o tempo e o caralho.

fausto. bordalo. dias. como provocação.

maybepregnantorondrugs
oronwelfareontopoftheworld
donthehonorrolonparoleontheDodgers
onthebackofmilkcartonsonstakes
inthemiddleofcornfields
oncoversoffuturehistorybooks
onoldlady'smantleswalkin'onwaternailedoncrosses
I think it's time I had a talk with my kids
I'll just tell 'em what my daddy told me
YOU AIN'T NEVER GONNA AMOUNT NOTHIN'.


oncoversoffuturehistorybooks (como provocação)
oncoversoffuturehistorybooks (oh? commons oh!)

I'll keep coming back
smaller and smaller and smaller
squash me
smaller and smaller and smaller
under the charity
smaller and smaller and smaller
under the topsoil
smaller and smaller and smaller
under the fingernail
smaller and smaller and smaller
then small becomes all becomes all

dar sentido ao proletariado sem ser linear. fausto. bordalo. dias.
nem tudo é vazio. drain-bite-cry. a política do afecto.

domingo, 17 de maio de 2015

quarta-feira, 4 de março de 2015

l'artiste au travail




Depois de lhe terem coberto as pinturas de branco, o artista volta 'a carga!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

nautilus ou a urna de dr oekter: o carácter igual-a-si-propriês de bob


muito importante (a grécia)

importante é o momento em que não se consegue escrever. um alemão qualquer, nobel ao que parece, escreveu sobre isto. em vão. parem o relógio.








sábado, 7 de fevereiro de 2015

nautilus ou a urna de dr oekter.

o carácter aparentemente estático da fotografia reenvia-nos para a necessária coordenação de um mundo em potência aquém e além-plano, configurando-se a imagem fotográfica como o mediador de um triplo enlaçamento. agenciam-se, sincopadamente, os agentes de uma relação que depende, embora não em exclusivo, da capacidade mediúnica não só da imagem-em-si-mesma, mas igualmente da imagem-enquanto-criação. assim, revela-se copiosamente a génese imbrincada não só do acto fotográfico enquanto acto criador, mas também uma cognoscência específica a que é apelado e que, concomitantemente constrói e é construída pelo receptor. neste sentido, este afirma-se finalmente já não como receptor, escapando assim à inanidade da contemplação num quadro pós-democrático e de constituídas grelhas de actuação do sujeito, funcionando este como índice das exigidas relações de valor no seio de uma organização proto-pré-pós-capitalista. O olhar dirigido àquela aparente estaticidade é, agora, o elo final de um processo contínuo, binário e dialéctico, genealógico e arqueológico, antropológico e pré-científico, onde a imagem assoma na sua morfologia líquida, quer na hipótese de constituição de um mundo aquém e além-plano, quer na evidência tautológica da auto-referencialidade última de qualquer acto hermenêutico perante a mesma. ratifica-se, assim, o carácter igual-a-si-propriês de bob, onde a importância da mensagem resulta de um quadro epistemológico definido entre dois eixos, perpendiculares entre si sobre um plano de cerca de 14cm por 29cm de fundo branco (a josefa do pbx convencionou, numa alocução dirigida a rebordinho, que se tratava de uma página A4) o si e o autre, onde a posição relativa desta operação auto-reflexiva é ancorada num terceiro eixo, sache (em perspectiva cavaleira). Aí, rolam os dados de uma potência indeterminadora do real. Tudo o que está presente, tudo o que se revela, tudo o que gera significação, comparece perante um tipo de tribunal axiomático que anula, recusa, resiste ou anui. É deste local de autoridade de si sobre si, de si, afinal, sobre um outro que é si, no triplo agenciamento do enlace do si, com o outro e com a coisa, e vice-versa e de roda, num movimento análogo ao do vira do minho - que reenvia  aliás para as relações cósmicas da translação e rotação terrestre e do ensimesmar da revelação da sacholada profunda de sebastião perante mais um tubérculo de feição entroncamentada seguido de um pénalti ahhhhh - que resulta a potência indeterminadante e indeterminada de um real composto pela coisa (sache), uma vez que à determinação ontológica de uma fenomenologia do olhar da qual resulta a configuração, embora provisória, do sujeito-que-olha, responde, num mesmo passo e à profundidade de uma sacholada de sebastião, a contra-determinação de um outro que já não é o si, mas sim um outro que é mesmo um outro separado de si, embora também ele, sim, um si. é-nos então exposta e tornada inegável a maleabilidade profunda do aparecimento em cesura concluído da aparente estaticidade da fotografia, caucionando-se também a sache enquanto coisa cujo fundamento profundamente mediúnico permite a construcção sensorial do real e, finalmente, do mundo enquanto potência de coordenações a devir em potência o devir das coordenações significantes do mundo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

formigas desempenham papel fundamental no combate à seca

Aplica-se também a minhocas entre outros: "Termite mounds can increase the robustness of dryland ecosystems to climatic change"
Daqui: "Self-organized spatial vegetation patterning is widespread and has been described using models of scale-dependent feedback between plants and water on homogeneous substrates. As rainfall decreases, these models yield a characteristic sequence of patterns with increasingly sparse vegetation, followed by sudden collapse to desert. Thus, the final, spot-like pattern may provide early warning for such catastrophic shifts. In many arid ecosystems, however, termite nests impart substrate heterogeneity by altering soil properties, thereby enhancing plant growth. We show that termite-induced heterogeneity interacts with scale-dependent feedbacks to produce vegetation patterns at different spatial grains. Although the coarse-grained patterning resembles that created by scale-dependent feedback alone, it does not indicate imminent desertification. Rather, mound-field landscapes are more robust to aridity, suggesting that termites may help stabilize ecosystems under global change."

domingo, 1 de fevereiro de 2015

quando foram os anos 80?

(o título é copiado daqui. é procurar. vale a pena. da parte que me toca e com referências fechadas, a resposta  não é quando, é como. e é aí que reside a resposta subentendida pela pergunta desde início. neste caso: quando foram os anos 80? entre uma e outra coisa.)






quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

flor em dezembro, chuva em setembro

je suis en cours de me voir en arrête. parce que je suis en cours de me voir en arrête avec tout que ne sont pas en arrête que sont tout la oú le sardine est en arrête de son parcours migratoire pour l'atlantique. je suis la voix  ahahahah de son arrête. c'est tout. aux fur et à mesure du paratétété. je vous donne ma mieux bonne chance pour les annés suivant. ça et coiso. au suivant.

é o primeiro de agosto. e tudo o que vem de lá que é espectacular, é awesome e o caralho e de casaco afinadinho (confira-se daily show).

2015. um ano ímpar. ahahahahah est la voix de quoi?